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VIOLÊNCIA NUTRICIONAL

Gente, este é um assunto muito sério.

Quem me conhece certamente já me ouviu dizer que muito do trabalho que eu faço no consultório é controle de danos.

Porque as pessoas ouvem as coisas mais ofensivas e absurdas de profissionais que deveriam ajudar e zelar por sua saúde.

Quando o motivo da consulta é perda de peso, algumas situações chegam a ferir os direitos humanos. Sem falar de quando os palpites sobre o peso simplesmente não foram solicitados!

As pessoas então adquirem traumas, crenças malucas, medos e baixa autoestima por conta de orientações inflexíveis e violentas que receberam de nutricionistas e médicos.

Sim: violentas.

São muitos os profissionais que acreditam que resultados devem ser conquistados “na marra” e que fazer terrorismo é uma estratégia válida. Parece até que existe uma certa perversidade envolvida na posição de poder – a pessoa se considera dona do conhecimento e da verdade, gosta de dar ordens e trata os pacientes de maneira degradante.

Pode parecer que estou exagerando, mas deixo aqui a necessária reflexão da minha amiga e parceira Naiara Belmont, que conduz comigo o Projeto Florescer em Curitiba:

Você já sofreu?

Você já passou por dietas restritivas ou aderiu à condutas absurdas, seja por orientação de médicos, nutricionistas, coachs, pseudocelebridades?

Por conta desse tipo de conduta ficou com medo de comer carboidratos em geral, começou a achar que era errado comer arroz e feijão… afinal só podia comer quinoa? Ficou com medo de banana e manga, afinal têm muita frutose e na dieta anterior não podia comer frutas? O açúcar então? Jesus… nem pensar!! Esse é o maior trauma, na certa. E o pão francês? Só pode comer no “dia do lixo”!

Além disso, levou esporro porque não emagreceu o quanto deveria ou pior, porque engordou? Ou ainda porque comeu um chocolate de sobremesa (que não deveria!) e por conta disso teve seu plano alimentar ainda mais reduzido? Fora os comentários sobre o quanto seu corpo estava inadequado e que se continuasse com esses hábitos iria morrer em breve?

É…

Apesar de triste, com certeza esse é um bom termo para descrever o que muitas pessoas já sofreram. Talvez você ainda carregue marcas dessa “violência nutricional”: culpas, medos, frustrações, compulsões, transtornos alimentares e muitos quilos a mais.

Desejo e espero (do verbo esperançar, como diria o Mário Cortella) que a Nutrição melhore.

Se identificou?

Pois saiba que não é normal e nem correto ser humilhado por um profissional. Todas as pessoas devem ser tratadas com dignidade e não existe absolutamente nada que justifique condutas abusivas.

Desconfie de discurso espartano.