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“Como emagrecer sem fazer dieta?”

ATENÇÃO: Este texto contém ideias gerais a respeito de emagrecimento e de maneira alguma dispensa acompanhamento individual.

Olá, pessoal!

Vocês pediram muitas, muitas, muitas vezes então sim: vamos falar sobre o famoso questionamento “como emagrecer sem dietas?

Para começo de conversa, eu gostaria de devolver a pergunta a vocês:

COMO EMAGRECER COM DIETAS?? Diante de tão alto índice de insucesso, reganho, efeito sanfona… por que as pessoas continuam insistindo nisso? Este é o verdadeiro mistério para mim.

(Antes, depois, depois-de-depois)

Conheço pessoas que passam 10, 20, 30 anos de suas vidas (ou até mais!) engatando uma dieta na outra, NUNCA conseguindo um resultado sustentável. Qual o sentido disso? Falar em abandonar as dietas de uma vez por todas não deveria ser choque e nem surpresa para ninguém.

Existem inúmeras razões pelas quais as dietas não funcionam (posso escrever mais sobre o tema num outro momento…). Mas o que você precisa saber é que quando você faz regime, tudo em você conspira para que você saia dele e isso não tem NADA a ver com foco, força, fé, disciplina ou “força de vontade”.

Entenda de uma vez por todas: a culpa das suas tentativas falhas de perda de peso não é sua. É da maldita dieta.

O que acontece é que, quando tentamos emagrecer, os nossos interesses não estão nem um pouco alinhados com os interesses do nosso corpo.E quem inventa de brigar contra a natureza sempre sai perdendo.

O seu corpo é evolutivamente orientado para viver num ambiente com pouca disponibilidade de alimentos e muito deslocamento (exatamente o contrário da vida que temos hoje!). E a missão dele é sempre te preservar e garantir a sua sobrevivência.

Quando você faz uma dieta (seja qual for), aciona os impulsos mais primitivos que existem dentro do seu corpo. Quando você começa a comer menos com o intuito de perder peso, o organismo produz várias reações para te defender do cenário de privação que ele NÃO SABE que você está provocando voluntariamente.

Na sua perspectiva, você está num maravilhoso projeto rumo ao verão.

Na perspectiva do seu corpo, você está definhando.

O que irá acontecer?

R: diminuição da taxa metabólica, aumento do apetite e pensamentos incessantes sobre comida.

O resultado? Um episódio de hiperfagia no qual a pessoa come até o reboco da parede (compulsões periódicas são o combustível do efeito sanfona)

Aí a pessoa confunde SUCESSO do organismo (o objetivo do seu corpinho é acabar com a sua dieta e ele faz isso maravilhosamente bem!!) com fracasso da disciplina.

Novamente: quando você “fura” a dieta, NÃO É CULPA SUA… ok?

Esclarecido um dos principais motivos (não o único!!!) para o rotundo fracasso das dietas, podemos seguir em frente:

Mas então o que fazer se eu quero e/ou preciso emagrecer? Tem como emagrecer? TEM JEITO????

R: Tem! É claro que tem!!

Vamos por tópicos.

1) Abandone expectativas irrealistas

Se você tem o objetivo de emagrecer, seja qual for o motivo… aceite, entenda e respeite a realidade do seu corpo.

Leve em consideração a sua idade, sua constituição física (como é o seu corpo? como sempre foi o seu corpo?), o tipo físico dos seus familiares, fatores como gestação, menopausa, uso de medicamentos … A sua ideia de corpo mais magro precisa ser lúcida e realista.

O mercado do emagrecimento mente. Dificilmente o menor peso que você já teve na sua vida é aquele que te pertence. Se você precisa fazer das tripas coração (ficar sem comer e malhar horrores) para chegar naquele peso que você idealizou… significa que ele simplesmente não te pertence. Manter um peso mais baixo de maneira forçada e sacrificante não é saudável, nem natural.

Observe a escala abaixo:

Marque o corpo que você tem, em seguida o corpo que gostaria de ter. Quanto maior for a distância entre as duas figuras, mais irrealista é a expectativa. Portanto, pense sobre seus objetivos com honestidade e a cabeça no lugar.

2) Tire o desejo de emagrecer do caminho.

O QUE, PACO??!!

Isso mesmo que eu disse: emagrecimento deve estar em segundo plano!

Essa é, de longe, a coisa mais difícil de ser trabalhada… mas que faz toda a diferença!!!

Você precisa entender que o peso não é o problema a ser resolvido. Porque o emagrecimento é consequência da sua mudança de hábitos. Os problemas que devem ser resolvidos são as inadequações na sua rotina. O seu foco deve ser mudar as suas atitudes e procurar levar uma rotina mais saudável. A perda de peso é fator SECUNDÁRIO.

Se a urgência para emagrecer te faz correr em círculos, em círculos você irá se deslocar. Sempre. Porque o medo de engordar é um fator que anula as possibilidades de fazer as pazes com a comida – coisa que é imprescindível para que uma pessoa abandone o hábito de fazer dietas.

(“Precisei de muita força de vontade, mas finalmente desisti de fazer dietas”)

Tire a perda de peso do caminho para que você consiga focar naquilo que realmente pode favorecer o emagrecimento: a mudança de comportamento.

3) O que promoveu o ganho de peso?

Ligação direta com o item anterior: quais fatores contribuíram (e ainda contribuem) para um ganho significativo de peso?

Ou seja: qual é a história por trás do peso que você quer perder? Você tem cometido frequentes exageros? Por que? Em quais circunstâncias? Como é possível modificar isso?

O desequilíbrio do peso corporal é um reflexo de perturbações na rotina alimentar. Portanto (como já foi dito), seu foco não deve ser o ponteiro da balança, mas os aspectos modificáveis do seu dia a dia.

4) Autocuidado faz parte da vida

Muitas pessoas acham que o NSE promove uma PERMISSIVIDADE LOUCA, como se “não fazer dieta” significasse comer tudo que a gente quer, o quanto quisermos e na hora que der na telha.

Não é assim.

Não fazer dieta não significa viver em total anarquia. Precisamos entender que todas as pessoas adultas são responsáveis pelo autocuidado e precisamos fazer escolhas todos os dias. TODAS as pessoas precisam cuidar da alimentação. Todos os dias. Não importa se são gordas ou magras.

A questão não é abrir mão das guloseimas que você gosta de uma vez por todas, mas sim saber qual é o momento mais propício para consumi-las. Não, isso não é dieta. É administrar a alimentação com consciência.

Nós precisamos cuidar de tudo! Trabalho, relacionamentos, estudos, higiene pessoal… comida é apenas um dos aspectos da nossa vida que exigem escolhas e concessões. Não estamos querendo chegar em lugar algum ou receber uma medalha de honra ao mérito porque escovamos os dentes, nos banhamos e nos vestimos – é apenas algo que a gente FAZ. Dia após dia. Comer não é diferente.

Decidir abandonar as dietas não te isenta da responsabilidade de se importar com o que você come.

DICA: abandone o padrão de pensamento 8 ou 80: “ou eu faço tudo perfeito, ou não faço nada“. Esse jeito de pensar nunca irá ajudar. Porque a cada “erro” cometido, nasce a atitude de “chutar o balde”. Estamos falando sobre cuidar da alimentação com lucidez na maioria dos seus dias, não de ter uma rotina impecável. Pense em progresso, não em perfeição. Solte o chicote.

5) Seja fisicamente ativo.

Repense os seus motivos para praticar atividade física. Já mencionei anteriormente que pautar a sua vida no desejo de emagrecer não irá ajudar em nada. Dificilmente será possível dar continuidade num plano de exercícios se você se exercita apenas como:

1.castigo por ter comido.

2. para “poder comer” mais tarde

3. para queimar calorias.

Ter engajamento com coisas QUE FAZEM SENTIDO faz parte da natureza humana. Por isso, atividade física precisa ser algo de valor na sua vida. Não adianta tentar aderir a um plano de exercícios que promove o movimento pelo movimento, sem nenhum tipo de significado agregado. Exemplos:

Esportes coletivos promovem socialização e trabalho de equipe.

Esportes individuais nos incentivam a descobrir progressivamente o tamanho da nossa capacidade.

Artes marciais são uma verdadeira filosofia de vida, ensinam sobre disciplina e desenvolvimento pessoal.

Dança é trabalho de expressividade. Quem dança, sempre conta uma história. Dançar é transformar seu corpo em linguagem.

…Já pensou sobre o que o exercício significa para você?

 

Cabe lembrar que os benefícios de ser fisicamente ativo são INÚMEROS: saúde cardiovascular, resistência respiratória, flexibilidade, agilidade, força, aumento da imunidade, menor ansiedade, mais qualidade de sono, humor mais estável, longevidade, autonomia…

Amplie a sua percepção e repense seus objetivos: investir no movimento é um processo que só tem ganhos!

6) Pense em qualidade, não em quantidade!

Como diz a minha mais do que querida amiga Sophie Deram: “coma melhor e não menos.

Pense na importância da QUALIDADE das suas refeições. Passar fome não está com nada! Qualquer um emagrece à base de refrigerante zero e gelatina diet. Significa que é o melhor que você faz pelo seu organismo? Certamente não!

Alimentos frescos, minimamente processados e nutritivos (entenda mais sobre o tema através do nosso excelente guia alimentar) fazem bem para o seu corpo e têm altíssimo potencial de garantir saciedade. Tirar da sua cabeça a ideia de que comer frutas, verduras e produtos integrais é algo que você precisa fazer unicamente PARA EMAGRECER te dá a oportunidade de verdadeiramente apreciar esses alimentos, não só comer por obrigação.

Não fazer dieta é abraçar a possibilidade de comer de tudo. E “de tudo”, significa DE TUDO! Não apenas hambúrguer, batata frita e sorvete. Mas também quiabo, abacaxi, amendoim, grão de bico…

(ENTENDA: tudo é TUDO!!!)

Comer com QUALIDADE é um fator fundamental no controle de peso. Um organismo bem nutrido funciona bem.

7) Confie no seu corpo

Um dos segredos do emagrecimento é não comer além da quantidade que é verdadeiramente necessária para suprir o seu organismo. Mas COMO saber a hora de parar? Quem dirá? O cardápio? O médico? O nutricionista?

Nada disso: só você tem a resposta!!

Não parece uma loucura que os estímulos para você começar e parar de comer sejam fatores externos?

A sua alimentação precisa acontecer de dentro para fora, não de fora para dentro!

Ou seja: você precisa se permitir guiar pelas suas sensações físicas.

Isso pode ser muito difícil porque pessoas que fazem muitas dietas não têm consciência corporal. Até porque um dos princípios fundamentais de se estar de dieta é DESCONECTAR da fome (ou seja: ignorar o seu corpo sumariamente).

Mas acredite: o nosso peso corporal é regulado pela fome e pela saciedade. Estas sensações são a sua bússola interna para saber o momento de encerrar a refeição.

Não sente nada? Não se apavore!

TODAS as pessoas têm esses sinais internos. Nascemos com eles! Só porque você não tem a percepção deles, não significa que não estejam aí.

Sempre que for comer, se pergunte:

Estou com fome?
Estou mais próximo do início ou do fim dessa refeição?
Preciso comer um pouco mais, ou já foi suficiente?

Difícil? Pode ser.

Mas ninguém disse que seria fácil. Autoconhecimento é fundamental para a manutenção da nossa saúde, e todos nós precisamos conhecer as sensações físicas e o que elas significam.

8) Paciência. Paciência. Paciência.

O principal atrativo das dietas da moda é a perda de MUITO peso, MUITO rápido. Todo mundo quer emagrecer para ontem é ninguém tem paciência com o ritmo do corpo. O preço da dieta radical-express é um REGANHO radical-express.

Quantas pessoas você conhece que fizeram uma dieta super rígida, emagreceram horrores e agora estão gordas novamente (é até um pouco mais)?

…Pois é.

Engordar é um processo crônico. Ninguém engorda significativamente em uma/duas semanas ou mesmo um mês. Você demorou para acumular o excesso de peso, portanto irá demorar para se livrar dele. Perder peso não significa necessariamente emagrecer. Perder tecido adiposo não é algo que ocorre de uma hora para outra. Pode ter certeza que aquele peso que você perde em questão de dias é apenas líquido.

Emagrecer não é movimento retilíneo uniforme. É um processo cheio de altos e baixos. Conte com isso e tenha paciência. E se o seu único objetivo é perder medidas o mais rápido possível…será intolerável. Por isso, repito: abra a mente e foque na saúde. Quantos antes você entender que emagrecer é consequência e não o objetivo principal, melhor você irá se sair.

Estamos vivendo numa sociedade muito imediatista e conseguimos tudo o que queremos ao toque de um botão. Acontece que não é assim que funcionam os processos terapêuticos. Humanos não adquirem novos hábitos de uma hora para a outra. Não adianta bater o pé e buscar atalhos – assimile isso.

9) RESTRIÇÃO GERA COMPULSÃO

Quer emagrecer? Tatue essa frase no cóccix.

Pessoas que vivem fazendo tentativas constantes para comer um volume minimo de alimentos, abrir mão das coisas que gosta e/ou cortar grupos alimentares inteiros da alimentação COMETEM EXAGEROS O TEMPO TODO.

Como já expliquei, nada disso tem relação com foco, força ou fé. Não é uma questão de escolha. Sempre que você se privar, irá pagar o preço lá na frente. E isso não é um fracasso, é o organismo reagindo.

Pessoas que estão nas redes sociais mostrando que comem pouquíssimo e nunca furam as suas dietas MENTEM. Acredite: elas mentem. Do contrário, já teriam sido hospitalizadas. No hospital comum, ou no psiquiátrico.

*ESQUEÇA* as dietas restritivas e os “desafios” que você vê por aí. Esse tipo de coisa não vai ajudar. Apenas te jogar na areia movediça.

10) Comida não resolve problemas

Se os motivos que te levam a cometer constantes exageros alimentares são emocionais, você não precisa de uma nova dieta… você precisa de tratamento no âmbito da saúde mental.

Muitas vezes a comida pode entrar na rotina das pessoas para cumprir um papel que vai MUITO ALÉM da nutrição e do sustento. Se você precisa de comida para regular o humor, ter satisfação, se acalmar, até mesmo se expressar e simplesmente não conhece OUTROS mecanismos mais saudáveis para alcançar esses objetivos… está na hora de buscar ajuda.

O peso é o menor dos problemas. Ele é o reflexo dos verdadeiros problemas. Lembre-se disso.

11) Jogue no seu time!

Seja qual for a mudança que você quer aplicar na sua vida, compreenda: a aversão não é o caminho.

Falo mais sobre isso aqui.

Não existe a menor condição de modificar uma realidade, se você não a aceita. E isso não tem nenhuma relação com comodismo ou com conformismo.

Muita gente acha que quanto mais a gente se xingar, se humilhar, se maltratar e se punir… maiores as chances de mudar a condição que nos incomoda. Mas isso não é verdade. Não faz O MENOR sentido.

Você crê que PRIMEIRO tem que emagrecer, para DEPOIS aceitar o seu corpo? Confusão na hora de estabelecer o objetivo novamente!!

Primeiro você precisa aceitar o seu corpo, para então ter condições de mudá-lo.

Jogue no seu time. Nunca entre em postura de combate. É contraproducente.

(PUDIM sabe das coisas)

REFLEXÃO FINAL: Emagrecimento é coisa séria e não deveria estar sendo buscado a torto e direito por aí por qualquer motivo. Estamos vivendo uma época de extrema banalização da perda de peso. Emagrecer parece nunca ser demais e as pessoas parecem NUNCA estar satisfeitas. Muitos fazem dietas por motivos recreativos, criando até gincanas e “desafios”. Seu corpo não é brincadeira. Sua saúde não é brincadeira. Existem MUITAS pessoas querendo emagrecer, mas quantas dessas pessoas têm motivos razoáveis, válidos e clinicamente justificáveis? Você já se perguntou o que você está verdadeiramente buscando quando tenta emagrecer? Sucesso? Felicidade? Aceitação? Admiração? Paz interior? Autoestima? Se este for o caso, entenda que a resposta para tudo isso não está em peso e/ou medidas. Autoestima condicional não é autoestima. Se emagrecer é a sua ÚNICA expectativa de ter amor próprio, sugiro que repense.