“Se não desse errado, não seria eu.”

Pequena curiosidade sobre a autora que vos escreve: 3/4 da minha vida foram de dedicação ao ballet clássico:

Fato que torna as coisas muito engraçadas quando alguém me escreve dizendo que eu defendo o comodismo porque não possuo o dom do foco-força-fé. Não parece, mas “disciplina” é o meu nome do meio 😅

Existe MUITA transformação na vida de uma pessoa que passou de bailarina da caixa de música a nutricionista mais subversiva do Brasil. É uma história que não cabe em um texto. Mas vou contar um detalhe para vocês: quando eu tinha em torno de 17 anos, eu ouvi a seguinte frase de uma pessoa que eu respeitava e admirava muito: “Paola, não se permita nada menos do que o perfeito.”

…E eu acreditei 💔

Pautei minha vida nessa máxima durante muitos anos e isso foi constante fonte de tristeza, ansiedade, autocobrança e frustração. Estou sorrindo nas fotos. No momento do registro das imagens a única coisa que passava dentro da minha cabeça era “não erre, não erre, não erre”. Não me lembro de uma única ocasião em que terminei uma apresentação satisfeita com meu rendimento. Tirava a maquiagem e ia dormir arrependida, pensando em tudo que poderia ter feito melhor e com mais qualidade.

Não fosse o dano, não fosse o erro, não seria eu. Fez parte. Todas as experiências que vivi me tornaram uma pessoa mais lúcida, mais madura, mais compreensiva e menos exigente (comigo e com os outros).

“Perfeito” quer dizer qualidade máxima. Absolutamente completo, onde nada falta. Algo que seria triste de atingir, porque significaria o fim das possibilidades. Se você fez algo perfeito, então acabou o jogo para você. Porque não falta mais nada.

Hoje a minha vida tem menos aplausos, menos glitter, menos coroas, menos fantasia. Não tem problema. Troquei tudo isso por uma lição inestimável: a perfeição não existe e NÃO vale a pena tentar.

Paola Altheia

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