A Febre Fitness.

Muito se fala a respeito do crescimento exponencial da obesidade e das chamadas doenças crônicas não-transmissíveis (hipertensão, diabetes, cardiopatias, síndrome metabólica…). Todas essas questões de saúde pública não são segredo para ninguém. É um discurso que ouvimos todos os dias, em todos os cantos: “você TEM QUE controlar o peso“.

Muitos nutricionistas são experts em chamar o público de preguiçoso e fazer publicações diárias sobre o quanto ter um corpo magro é uma simples questão de ter “força de vontade”… Algumas vezes até apelam para a tal da “vergonha na cara”.

Eu não sou muito chegada nessa vertente, porque eu sei que todos os indivíduos são subjetivos e complexos e que não é assim TÃO simples ter uma vida saudável (se fosse assim, não veríamos o crescimento vertiginoso de tantas doenças relacionadas ao estilo de vida)

Muito além de não gostar da abordagem simplista do triplo F (foco, força e fé), eu considero um problema de saúde pública tão preocupante quanto a tal “epidemia de obesidade” (expressão muito, mas muito controversa que eu não gosto de usar)

A obsessão por definições histriônicas de beleza e saúde está deixando as pessoas fisica e emocionalmente adoecidas. A cartilha do que é “saudável”, amplamente divulgada pelo mercado do emagrecimento e pela mídia educa as pessoas para terem um relacionamento altamente disfuncional com a comida e com o próprio corpo.

A febre FITNESS, no meu entendimento, é um dos aspectos mais assustadores do século XXI. Um problema grave que poucos enxergam, e menos ainda discutem.

Segue texto do professor Rafael Marques Soares sobre a “Febre Fitness”:

Navegando nas redes sociais me deparei com esta imagem acima (infelizmente não encontrei o autor) e ela imediatamente me fez refletir sobre os riscos das postagens de alguns profissionais, das mais diversas áreas, e de pessoas que se autointitulam “Fitness inspiration”ou “Thin Inspiration”.

Não consigo ver nenhuma preocupação com a saúde de seus seguidores, não seria leviano a ponto de afirmar que é proposital, contudo na minha percepção estas postagens com seus corpos à mostra são muito mais para acariciar seus egos e reforçar determinados ganhos pessoais. Porém acabam, mesmo que de forma indireta, causando muita tristeza, decepção, angústia, sofrimento e pouquíssima inspiração. Você poderia dizer – “- então, se não consegues um corpo igual, basta parar de seguir este perfis”. Seria ótimo se fosse tão fácil, entretanto não se esqueça que a sociedade ainda não permite que as pessoas tenham seu corpo. É preciso estar no padrão, é preciso lutar e ter “força, foco e fé” para ser aceito, para fazer parte do clube dos “vencedores” não importando o quanto isso custará de sua saúde física e mental.

Contudo, o que vi nos meus 15 anos de clínica e 10 como professor foram centenas de mulheres e alguns homens adoecerem na busca daquilo que as redes sociais e a sociedade lhes diziam que tinham que ser.

Fique atento aos sinais e sintomas abaixo e caso percebas que alguns fazem parte do seu dia-a-dia, procure ajuda e sim, deixe de seguir aquilo que mais lhe entristece do que inspira:

  • Práticas constantes de dietas;
  • Insatisfação com seu corpo;
  • Pensamento obsessivo por magreza;
  • Medo de engordar;
  • Consumo descontrolado de alimentos ricos em açúcar e gordura (principalmente durante as tentativas de perda de peso);
  • Pensamentos de fracasso pessoal;
  • Exagero na valorização do corpo perfeito (magreza ou músculos);
  • Julgar pessoas pela aparência;
  • Pular refeições ou criar desculpas para não comer;
  • Foco excessivo em comer de forma “saudável”;
  • Evitar em se alimentar com a família ou ter sua comida toda separada;
  • Evitar eventos sociais que envolvem comida;
  • Rituais alimentares (por exemplo, comer apenas uma comida específica ou certo grupo alimentar;
  • Mastigar demais;
  • Não permitir que os alimentos se toquem;
  • Procurar “defeitos” ou “gorduras” diante do espelho
  • Uso de laxantes, diuréticos ou qualquer produto (medicamentoso ou fitoterápico) para perder peso;
  • Exercícios extenuantes;
  • Se exercitar unicamente para queimar calorias;
  • Desrespeitar o corpo e trabalhar em cima da dor;
  • Comportamentos compensatórios depois das refeições (vômito, laxantes ou abuso de exercício);
  • Comer escondido;
  • Passar fome de forma deliberada;
  • Grandes e frequentes variações de peso;
  • Pensamentos constantes sobre comida;
  • Constantes queixas sobre o corpo;
  • Emagrecer, fazer dieta e controlar a comida são as maiores preocupações;
  • Beber água em excesso;
  • Usar muito enxaguante bucal e chicletes sem açúcar para “enganar” a fome;

Se reconhece nisso?

Se esses rituais fazem parte da sua vida, você foi envolvido pelo discurso fitness. Mas não está “fazendo certo”. Os comportamentos narrados acima são nocivos e perigosos. Nada disso se relaciona com saúde.

Analise sua rotina, seus pensamentos e suas crenças. E se for necessário, procure ajuda.

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