Como um magro naturalmente se comporta

nutri-magra

Este comentário apareceu em um dos meus vídeos, e eu acho que ele é ótimo para ESCLARECER algumas coisas…visto que a pessoa que o escreveu tem ideias bastante estereotipadas sobre os corpos gordos e magros.

Primeiramente… não me chamem de “Dra” – porque eu não tenho doutorado 😉

1) Quando você escreve “não tenho preconceito, MAS”, o ‘mas’ é uma conjunção adversativa que anula a frase inicial: ou seja, você TEM preconceito. Do contrário, não haveria um porém.

2) O meu trabalho não é emagrecer pessoas. E o meu objetivo não é “motivar” pessoas para que percam peso. O meu corpo não é um atestado de competência. E nem folheto de propaganda. Até porque eu não faço “manutenção” da minha magreza: é apenas a minha constituição.

Eu quero motivar pessoas a partir do despertar da consciência de que ter saúde significa MUITO MAIS do que emagrecer.

Quero motivar as pessoas ensinando que saúde e estética muitas vezes são elementos que não caminham juntos – porque o importa não é quantos quilos você pesa, mas sim quais são os seus hábitos diários.

Eu quero motivar as pessoas encorajando que questionem a mídia e as indústrias da beleza e do emagrecimento – corpo magro é MESMO um passaporte para uma vida melhor e mais feliz? Por que? Quando foi que você aprendeu isso?

Eu quero motivar as pessoas para que se amem, se respeitem, se preservem e se cuidem AGORA, não apenas quando tiverem perdido 5, 10 ou 20Kg.

Eu quero motivar as pessoas para que entendam que a vida não vai começar apenas quando forem mais magras.

Eu quero motivar as pessoas para que entendam que suas necessidades e sentimentos são válidos e que nossa fome emocional precisa ser adequadamente suprida.

Eu quero motivar as pessoas para que entendam que o aspecto físico, no fim das contas, POUCO IMPORTA.

3) Perda de peso não significa necessariamente uma coisa boa. Muitas pessoas perdem peso usando medicações que provocam efeitos colaterais muito desagradáveis, pulando refeições, passando fome, provocando vômitos, usando “truques” nada saudáveis. Emagrecer não deveria ser o objetivo de nenhum tratamento. A perda de peso é uma consequência de uma rotina alimentar saudável – e talvez não seja um emagrecimento significativo como os das fotos de “Antes x Depois” que a gente vê por aí. Novamente: números a menos é a menor das questões.

4) Sobre a questão da confiabilidade do nutricionista gordo: LEIA AQUI

5) “Pessoas magras por natureza sempre comem menos” – isso é tão errôneo que chega a ser uma lenda urbana. Quem não conhece aquela pessoa super magra que come HORRORES? Quem nunca teve um amigo magrão que come uma pizza inteira?
É perfeitamente possível testemunhar um magro comendo seis pães na padaria.
Eu não sou a favor de chamar comida de “porcaria”, mas pode ter CERTEZA que tem muito magro comendo muitas, MUITAS guloseimas e frituras por aí.
(Quantas vezes você já viu este estereótipo sendo reproduzido? Entenda: ele NÃO condiz com a realidade!)

Precisamos falar sobre a ideia de que magros cuidam da alimentação e gordos são desleixados. Porque isso não é verdade!

Se existe uma divisão que possa ser feita, é uma divisão entre pessoas que se interessam por alimentação saudável e outras que não têm isso como prioridade. Não importa se elas são gordas ou magras!
E digo mais: pessoas gordas entendem muito mais sobre alimentação saudável e nutrição adequada do que as magras. Justamente porque ninguém torra a paciência dos magros para que “cuidem” da alimentação, sendo que os gordos passam por vigilância muitas vezes desde crianças. Cada vez que um gordo monta um prato, vive um dilema dentro da cabeça a respeito do que deveria ou não escolher.
Estabelecer corpo magro como “correto” e corpo gordo como “errado” é um padrão de pensamento que resulta em muitas consequências negativas. Uma delas é que as pessoas magras acabam REALMENTE descuidando dos seus hábitos porque, afinal de contas, está TUDO OK com elas… por que deveriam se preocupar?

Não crie ideias em função de estereótipos e doutrinamento gordofóbico: repare mesmo em como o magro “naturalmente se comporta”.
Você vai descobrir magros que pulam o café da manhã.
Você vai descobrir magros que trocam comida por cigarro.
Você vai descobrir magros que almoçam coxinha.
Você vai descobrir magros que comem o triplo do volume dos colegas gordos.
Você vai descobrir magros que são capazes de comer uma caixa de bombom inteira.
Você vai descobrir magros que bebem refrigerante todos os dias.
Você vai descobrir que magreza e maturidade emocional são fatores independentes.
por-dentro

TIRE DA CABEÇA de uma vez por todas a ideia de que todo magro é “um gordo em potencial” que só não engorda porque “se controla” – porque isso é uma mentira do tamanho do apocalipse!
Para finalizar, pergunto:
Será que toda essa preferência generalizada por nutricionistas magros é algo que se relacione com saúde?
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