A “gorda” Miss Canadá.

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Ana: Não gostei da gordinha, mó injusto.

Fernanda: Agora eles estão com essa de “inclusão” e deixam as mais bonitas de fora.

Joyce: Verdade, a brasileira é muito mais bonita.

Ana: Acho que tem que ser magra. Todo mundo luta para ter barriga reta lá e entra uma gorda? Aaahhh…

Pois então. Na percepção dos expectadores e comentaristas do Concurso Miss Universo 2017, que ocorreu no dia 30/01… Miss Canadá (mostrada na foto) é gorda.

As definições de “gorda” foram distorcidas com sucesso. Vamos falar sobre isso.

1) Ela não é gorda.
2) Isso não é NADA “inclusivo”. Muito pelo contrário!

Eu acho essa classificação desleal com as gordas: as mulheres gordas mesmo.

Porque a visibilidade em torno de corpos como o da Miss Canadá faz com que uma mulher que usa 42 se reconheça como “gorda”.

E situações assim colocam cada vez mais sombra em cima das gordas DE FATO.

Miss Canadá tem um corpo totalmente orgânico, feminino, estável, eutrófico…nada, nada gordo!!

Mas considerando as definições atuais de magreza, não é nem um pouco difícil ser gorda.

A indústria da beleza não dá ponto sem nó.

Elas afrouxam UM POUCO as rédeas pro público parar de reclamar – ‘ok, toma aqui uma modelo plus size’.

E esse corpo “plus size” representa uma a realidade corporal normal das mulheres… de modo algum um corpo que pode-se classificar como “gordo”.

Tem gente dizendo que mostrar esse tipo de corpo “plus size” representa algum tipo de avanço.

Discordo.

Chega a ser uma violência psicológica apresentar um corpo assim e dizer que é uma mulher gorda.

NINGUÉM sai ganhando:

– as mulheres eutróficas passam a se achar gordas.

– as mulheres gordas de verdade são jogadas para escanteio.

– as mulheres magras sentem que podem ficar gordas a qualquer momento.

O que está sendo feito é: educar o público para acreditar que corpo subnutrido é normal e corpo normal é gordo

Pelo menos na época de modelos como Twiggy, Kate Moss ou Heidi Klum o público estava plenamente CIENTE de que essas mulheres eram super magras. Atualmente o que as pessoas percebem como “natural” o fato de passar fome para ser magra.

Ou seja: nem um pouco de avanço. Somente retrocesso. Porque as cobranças em relação ao corpo feminino só aumentam e o corpo “aceitável” se torna cada vez mais inatingível.

obs: de maneira alguma estou dizendo que as mulheres naturalmente magras são “anormais”. Eu estou falando sobre modelos que sustentam uma magreza limítrofe a duras penas – caso da maioria das participantes do concurso.

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