Re:

É interessante notar como na nossa sociedade secular, individualista e líquida, diante de uma crise coletiva de valores… as pessoas sentem muita falta de uma causa pela qual possam se entregar de corpo e alma.

[morrer por ela, me parece improvável – mas a predisposição para matar é bastante perceptível! Sério.]

Digo isso porque ao me manifestar a respeito do modismo dietético do momento – a restrição de carboidratos – fui agraciada com a fúria dos adeptos.

Nada mais justo do que o direito de resposta.

Primeiramente, discorro a respeito do comentário que recebi em levas:

“CADÊ OS ESTUDOS RANDOMIZADOS???”

Ah, meus queridos.

Me comove a NEUTRALIDADE do vosso pensamento científico.

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(THE SOLUTION)

Low carb?… High carb?

AMBAS as teorias estão pautadas na vanguarda da ciência. E apresentam soluções definitivas. Inquestionáveis.

Os senhores, tão familiarizados com a metodologia, sabem muito bem que pode-se criar um verdadeiro mosaico a partir dos ESTUDOS™, para fundamentar a teoria que lhe aprouver.

E os discursos são contraditórios porque a verdade muda o tempo inteiro? É claro que não!

Isso acontece simplesmente porque, quando o assunto é saúde, nada é conclusivo.

A cólera que me foi mostrada em defesa da vossa verdade favorita apenas demonstra que pensamento científico passa é LONGE das vossas cabeças.

ESCLARECIMENTOS:

1) Eu não me posiciono de um lado, nem de outro. Eu sou uma daquelas nutricionistas retrógradas que acreditam no consumo equilibrado de todos os grupos de alimentos, de uma maneira que seja compatível com a rotina do indivíduo. Os alimentos devem se adaptar a você, e não você aos alimentos.

2) Eu não sei qual foi o momento em que defendi o consumo desenfreado de comida industrializada. Bueno… eu não sou a favor disso. Sempre oriento que se dê preferência aos alimentos in natura ou minimamente processados, assim como preconiza o Guia Alimentar para a População Brasileira.

Apenas não concordo com proibição.

A não ser que exista justificativa clínica para “cortar” determinado tipo de alimento, acredito que TODOS os alimentos podem fazer parte da rotina. Não de um jeito anárquico (obviamente), mas com consciência.

Continuando…

TODOS os argumentos que recebi foram técnicos. Foi uma verdadeira chuva de textões impressionantes sobre fisiologia e bioquímica.

Mas nenhum, absolutamente nenhum, de vocês demonstrou uma só gota de empatia.

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(Vocês se alimentam de PUBMED INTRAVENOSO – mas este é um poder que vocês não têm)

Eu levantei a discussão sobre a importância comportamental e sociocultural de seguir normas dietéticas: NENHUM de vocês foi capaz de mostrar qualquer tipo de conhecimento sobre isso.

Um dos rapazes, tão instruídos, teve a pachorra de me escrever que as nossas ocasiões sociais não devem envolver comida. 

Me poupe. Nos poupe. Se poupe.

Exigir ESTUDOS para endossar cada argumentação é uma maneira de engessar pensamento, silenciar e impedir que reflexões oriundas da observação, da experiência e do bom senso tomem forma.

E eu não tenho medo de afirmar isso, não!

Não existe nenhum ~ESTUDO RANDOMIZADO~ sobre a prevalência de marmitas de batata doce nas festas de casamento.

Sobre as alegações de que as minhas explicações sobre o metabolismo estão erradas:

O meu texto foi lido [e compartilhado] pela minha mais do que querida mentora, parceira e amiga Sophie Deram.

Nós conversamos sobre o texto, e se houvesse algum tipo de argumentação errada, ela CERTAMENTE me corrigiria. E eu aceitaria a correção de coração aberto, com humildade e amor.

Podem ter certeza que ela entende mais sobre fisiologia, metabolismo, alimentação e controle de peso do que todos vocês juntos ao cubo.

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(Crítica construtiva suficiente para mim)

No mais, foi interessantíssimo notar que:

Todos os comentários feitos por homens eram “aulas” de fisiologia e sobre qual é a melhor maneira de alimentar & controlar os corpos. Super higienistas.

Todos os comentários feitos por mulheres eram testemunhos inflamados sobre seus magníficos processos de perda de peso e sobre o quanto é ÓTIMO seguir essa dieta.

Quem entende o mínimo a respeito de papéis desempenhados por cada gênero consegue perceber que é fato digno de nota.

Finalizando, sobre:

ISSO, que é diferente DAQUILO, que é diferente DAQUILO OUTRO e o quanto não saber sobre essas minúcias me torna ignorante.

Lowcarb, paleo, slow, slower, estrito, moderado, primal:

Parece fascinante, realmente. Mas é tudo dieta.

E as pessoas que não são ~ESCLARECIDAS E CIENTÍFICAS~ como as amáveis almas que me escreveram, ou seja, leigas, estão vivendo um bicho de sete cabeças misturando perigosamente todos os conceitos. Vocês apenas não enxergam. Novamente: muito Pubmed, pouca vida real.

Finalizo comendo um algodão doce viciante e tóxico em nome de todos vocês, porque de amarga já basta a vida, né nom?

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Obs: Se MESMO ASSIM, você ainda não consegue entender do que se trata o NSE, sugiro a leitura.

Feliz 2017 🙂

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