Passado não é destino.

Texto escrito pela Thaiana Vaz Cutini, psicóloga parceira do NSE e autora do Blog “Mulheres Que se Transformam“:

Algumas pessoas parecem se preocupar muito com o passado e pensam estar fadadas a repeti-lo.

Ouço muito isso em frases como “tive uma infância difícil e agora? Vou ficar traumatizada?”, como se fossemos incapazes de ressignificar o passado ou mudar nossos comportamentos.

Somos capazes sim, embora nem sempre seja fácil se desprender.

Muitas vezes no entanto, usamos o passado pra justificar nossas condutas no presente, por mais que nos façam mal.

“Meus pais me abandonaram por isso sou assim”

“Sofri violência quando era criança”

“Sofri bullying na escola”

“Meus pais viviam brigando e me colocavam no meio”

…Será mesmo que isso tem que definir o resto da sua vida?

Um grande e sonoro NÃO!!

Sua vida não precisa ser uma sombra do passado. Claro que experiências como essas nos marcam, alguns de maneira mais profunda, outros talvez menos. Talvez você precise de mais tempo pra digerir tudo que aconteceu. Pode ser que dependendo da situação, de quanto tempo ela se repetiu e pelo seu próprio tempo, você precise de ajuda pra se desvencilhar dessas correntes invisíveis que estão te prendendo ao seu passado pra ele não ditar seu futuro.

Não precisamos e nem estamos fadados a repetir os erros de nossos pais, de nossos familiares, desde que tenhamos consciência disso. Não precisamos repetir as escolhas dos outros.

Eu quero que você pare e pense agora em uma série de perguntas. Responda para você.

Será que dá pra ser diferente?

É a primeira pergunta que você tem que fazer.

Se você acredita que pode ser, então porque não é?

É a segunda pergunta.

Será que você quer que seja realmente?

Viver no passado tira a responsabilidade sobre o presente. Somos ecos, sempre vítimas do que nos aconteceu. Pra muita gente por mais sofrido que seja, é o que parece melhor.

Será que é o seu caso?

Se você percebeu que pode ser diferente e quer de fato mudar, eu diria que é importante lembrar que:

Nem todo mundo consegue resolver tudo sozinho. Aliás, eu diria que em algum momento todos nós precisamos de ajuda em algum nível. E não tem nada de errado com isso. Não é vergonhoso não dar conta, o mundo que é muito exigente.

A grande questão então não é “se” e sim quando, de que forma pedir ajuda e a quem. É muito importante ter uma rede de apoio, seja de familiares ou amigos, pessoas com quem você possa contar e que te ajudem a segurar a barra. Pessoas que de fato te ajudem.

Só vale lembrar que todo mundo tem seus limites também e pode ser que a ajuda que você deseja não esteja no lugar onde está procurando. E nesse caso, o que fazer? Procurar em outros lugares.

Eu diria que pode ser que seja necessário procurar ajuda especializada, de preferência com um psicólogo né gente. Alguém realmente competente e com o entendimento necessário pra poder te auxiliar nas suas dificuldades.

Veja bem, não quer dizer que você não possa procurar auxílio na sua religião ou nos livros de auto ajuda, no tarot ou na aromaterapia. Mas só isso talvez não seja o suficiente. Como eu disse, talvez não seja o lugar mais adequado pra buscar o tipo de ajuda que você precisa de verdade.

O mais importante pra começar é se lembrar de que passado não é destino, não é porque sempre foi que sempre será. Dessa forma você pode começar a caminhar em direção a novas escolhas.

Você não precisa ser seus pais, seus avós, seus tios.

Você não precisa tomar as mesmas decisões que eles ou seguir o mesmo rumo.

A menos que queira e que seja genuinamente por vontade própria e não por cobrança ou “medo de decepcionar”.

A sua vida é de ninguém além de sua.

O significado de independência é esse: trilhar o seu próprio caminho. Por mais que ele seja esquisito pra alguns ou até pra você mesmo no começo.

Thaiana Vaz Cutini

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