O que precisamos saber nos dias ruins?

Este é um guia para dias ruins, que foi escrito e enviado pela leitora Mariana Milis.

Assim como muitas pessoas, a Mariana foi gorda a maior parte de sua vida e sofreu muito com questões de autoestima e autoimagem. O corpo foi quase sempre um campo de batalha.

Hoje em dia ela finalmente largou as armas e começou a buscar novos significados para o corpo e novas formas de se relacionar com ele.

Acontece que há dias ruins ainda, né?

Eis o que a Mariana quer que as outras meninas saibam sobre os dias ruins:

Se você, como eu, foi gorda a maior parte da sua vida, você sabe do processo que é essa coisa de aceitar o seu corpo, de entender que você é tão humana quanto uma pessoa magra, não importa o que tenham te feito pensar no meio do caminho. Talvez, como eu, mesmo sabendo disso, você ainda tenha dias ruins – dias em que só quer se esconder, se retirar de campo, em que se diminui ao máximo só pra não chamar atenção. Sabe, eu tenho pensado muito no que eu preciso ouvir nesses dias. E até hoje não cheguei a nenhuma conclusão. O curioso é que hoje uma amiga teve um desses dias ruins, e é muito mais fácil pensar no que eu quero que ela saiba. Talvez seja exatamente o que você precisa saber, ou mesmo o que eu preciso saber nos dias ruins!

Então aqui está:

1) Você não está louca (e nem é fraca).

Aquela pessoa que te sugeriu uma dieta ou um shake? Aquela loja que não tem roupas que te sirvam? Aquela cadeira de ônibus na qual o seu corpo não cabe? Aquele médico que te aterrorizou pra emagrecer (mesmo quando o que te levou ao consultório tem tanta relação com o teu peso quanto uma unha encravada teria)? Aquela “piada” que te fizeram ontem? Aquela amiga que diz que você é linda e em seguida fala que ela está “uma baleia” ou que ela só faz “gordice” como se comer um chocolate ou engordar 1kg fosse o fim do mundo?

Você não está imaginando. As opressões estão ali sim, explícitas ou não. Você as viveu a vida inteira. Eu sei que olhando isoladamente para uma só não parece grande coisa, mas confia em mim: elas se somam e pesam muito. Sofrer com isso não significa que você seja fraca, só significa que você está fazendo o que pode para lidar e alguns dias são mais difíceis que outros.

2) Não tem nada de errado com você.

Você não é errada. Seu corpo não é errado. Não há nada de intrinsecamente errado e nem feio em ser gorda. E mais, corpo serve pra que? Serve pra te colocar em contato com outros corpos, pra te permitir viver, experimentar sensações. Corpo serve para estar no mundo, ele te contém e é você ao mesmo tempo. Seu corpo faz perfeitamente o que precisa independente do tamanho ou formato que tem no momento. Quem te faz pensar o contrário está errado, não você.

3) Vai passar.

Eu sei que agora não parece, que na hora em que a gente sente as coisas é difícil ter perspectiva, mas acredita em mim: vai passar. Todos os dias ruins que você teve até hoje passaram. Você continua aqui. Esse será só mais um.

Sabe, é bom lembrar que tá tudo bem ficar triste por hoje, tá tudo bem ter dias ruins. Só não esquece que tem dias bons por vir e, caso os dias ruins comecem a se empilhar, lembre de pedir ajuda. Não é problema pedir ajuda.

Fica bem, se cuida. Lembra de ser gentil com você mesma, principalmente nos dias em que você não quer ser.

Ass: Mariana.”

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