…E quando o amor próprio não vem?

O texto de hoje é da Thaiana Vaz Cutini, psicóloga parceira do NSE e autora do Blog “Mulheres que Se Transformam“:

Outro dia estava eu passeando pelo Facebook quando me deparei com uma publicação sobre sobre a ditadura do amor próprio. Vocês me perdoem mas eu não me lembro da onde era, se era artigo de blog ou de facebook. Só me lembro que achei extremamente interessante pois ele falava justamente sobre essa nova onda que está surgindo, a obrigatoriedade de “se amar”.

É um tal de chover textos falando dos benefícios da auto estima pra saúde da mulher, da importância do amor próprio e como isso influencia todas as outras áreas da nossa vida. E eu concordo, veja bem, amor próprio é lindo, é maravilhoso, mas calma lá. Vamos com calma. O problema está na obrigatoriedade. Você precisa se sentir linda, você precisa se amar… e bem, sabemos que nem sempre é simples assim.

Logo nos comentários dessa postagem eu li diversos relatos de mulheres que estavam se sentindo mal pois não conseguiam se sentir bem e se amar como eram. Uma das pessoas falou sobre como se sentia pressionada a se ‘amar’ e que ela tinha muitas dificuldades com isso ainda, embora estivesse tentando muito. Outras relataram que essa afirmação categórica sobre a necessidade de se amar acima de tudo estava, na verdade, fazendo elas se sentirem ainda pior.

Li frases como:

eu me olho no espelho e detesto tudo o que vejo.

me vejo gorda, velha, feia, não consigo amar isso.

me sinto terrível, me sinto mal por estar feia e depois me sinto mais mal ainda por não conseguir me amar.

E isso tudo me fez pensar. Será que não estamos colocando mais cobranças sobre nós mesmas?

Sim, se amar é ótimo, é maravilhoso, é sensacional quando se está pronto pra isso. E quando não estamos? E quando é difícil demais se amar?

Será que a solução é nos cobrarmos mais ainda? Definitivamente não.

O amor próprio vem na contramão da auto censura. Ele precisa de aceitação pra germinar. E o que eu quero dizer com isso é: tudo bem se você não se ama, tudo bem se esse caminho está difícil, tudo bem se você não chegou lá ainda.

O amor próprio não é tanto um destino final, um “lá”, na verdade, é mais uma maneira de caminhar que envolve autocompaixão. No final das contas, o mais importante é saber se perdoar.

Esse é um excelente começo pra sua história de amor com você mesma.

E se perdoar quer dizer exatamente olhar pra si mesma com carinho e dizer: “olha, eu sei que a gente pisou na bola. Vixi, erramos feio. Mas tudo bem, errar faz parte. Vamos tentar diferente? Vamos tentar melhor da próxima vez? Vamos pedir ajuda se estiver difícil?”.

E tudo bem também se você ainda não consegue ter esse diálogo com si mesma, é um aprendizado. Ele não vem de uma hora pra outra e pode ser que pra você seja mais fácil ou mais difícil do que pra outras pessoas.

Se amar é aprender a jogar fora tudo que nos ensinaram sobre quem é digna de amor, sobre beleza, juventude, sobre erros e acertos, sobre quem você precisa ser e começar a caminhar em direção a quem você quer ser.

E isso não quer dizer que o caminho seja sempre reto, não. As vezes a gente precisa se perder um pouco pra ver que não é nada disso.

(“A cura não é linear.”)

Então só hoje, comece por aí, tente se perdoar. E se não conseguir, tudo bem também, okay?

Thaiana Vaz Cutini

 

 

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