Faça o seu melhor pra você

O texto a seguir foi escrito pela Thaiana Vaz Cutini, psicóloga parceira do NSE e autora do Blog “Mulheres que se Transformam

Vejo que um dos maiores problemas que afetam as mulheres é a comparação.

Aquela história de olhar sempre pra grama do vizinho e desejar ao máximo que a sua fosse tão verde e bonita, esse tipo de coisa sabe?

Só que as gramas do vizinhos hoje em dia são expostas nas redes sociais.

O grande problema com isso é que na verdade a grama do vizinho tem photoshop, é pintada de verde pra parecer mais bonita, tem jardineiro 24h, é cheia de filtros, é artificial…

“Quando você deixa de analisar a vida alheia como um todo, cria uma situação fantasiosa e cai na frustração por se achar incapaz de realizar tal feito”, diz o psicólogo Alexandre Bez, autor do livro “Inveja – O Inimigo Oculto” (Juruá Editora).

E lá vai sua autoestima ladeira abaixo. Você começa a se achar incapaz, pensar que está fazendo algo de errado pois afinal como assim os outros conseguiram e você não?

Estão me acompanhando? 

Nós só vemos a imagem que queremos acreditar, a grama linda aparada e verdinha, perfeita, mas não vemos os bastidores. Nem sabemos se a grama é de verdade, se alguém cuida dela pro seu vizinho, se por um acaso alguém pintou pra parecer melhor….

Na vida real, utilizamos o péssimo filtro das redes sociais, da televisão e da internet pra julgar.
Usamos sempre o referencial do “outro”. É o vizinho que ganha mais, o tio que conseguiu uma promoção e ganha rios de dinheiro, a amiga que voltou pro ‘corpinho’ malhado logo depois da gravidez..

Umas lendas urbanas assim sabe? Eu chamo de lenda urbana pois esses relatos são passados como se fossem a regra quando na verdade são a exceção. Nos comparamos a essas imagens irreais, editadas, photoshopadas até a alma vistas pelo instagram e facebook pra dizer: “não fiz meu melhor”, “preciso fazer mais”, “preciso chegar onde essa pessoa chegou.”

Mas que “melhor” é esse? É o melhor dos outros ou é o seu?

Pode ser que o seu melhor seja fazer atividade física (da forma que der) 3 vezes na semana. É o que dá, é o que você tem como fazer. Às vezes nem isso. Uma volta no quarteirão já é o máximo. E tudo bem, se esse é o SEU melhor agora.

Não adianta se comparar com a blogueira x ou y que ganha pra malhar o dia inteiro, que tem personal, que faz cirurgia plástica e não conta pra ninguém que toma remédio, que na real nem tem aquele corpo porque metade daquilo é produção.

(Não compare a sua vida com a de quem vive do corpo com dedicação exclusiva)

O problema na verdade começa quando tomamos o referencial do outro como nosso. “Ah, mas fulana vai a academia todos os dias”, “ah, mas a minha vizinha/amiga/irmã fez essa dieta e perdeu 15 kg, e eu nada”.

Gente, não sabemos o que  há por trás do resultado dos outros.

Falando especificamente de perda de peso já que comecei com esse exemplo, existem milhões de motivos pra sua amiga conseguir resultados mais expressivos que os seus. Bota aí genética, tempo livre, dinheiro, as vezes uso de medicamento pra emagrecer, hábito de fumar, doenças como distúrbios alimentares… etc etc.

Nem todo mundo tem como fazer uso das mesmas ferramentas. Nem todo mundo tem a mesma genética que possibilite perda de peso de tal forma, nem a mesma rotina, nem a mesma disponibilidade financeira e sabe? Tudo bem. 

Nós somos todos diferentes.

Agora, eu não estou falando sobre usar desculpas pra justificar o porque você não atingiu sua meta de perda de peso, eu estou falando sobre adequar essa meta.

Será que ela é real? Representa de fato o melhor que você pode fazer agora? (Falo sempre sobre o melhor de “agora” porque isso pode mudar)

Pense comigo, o seu melhor de 5 anos atrás é igual ao de hoje? Espero que não, honestamente.

Com o tempo, com os erros e acertos, com a vida que segue, crescemos, adquirimos auto conhecimento, experiência e temos como adequar nossas expectativas e dirigir nossos esforços pra algo mais real, mais possível. Mudamos de ideia várias vezes. Mudamos hábitos, vontades, desejos. E sim, algumas coisas definitivamente permanecem as mesmas. E isso é normal.

Mas se você está usando seu referencial de 5 anos atrás eu sugiro que repense isso. Você é a mesma pessoa de antes? Sua vida é idêntica ao que era? Suas circunstâncias são as mesmas? Acho improvável.

(Precisamos estar dispostos a deixar a vida que planejamos e também para viver a vida que nos espera)

Esse peso que você quer atingir, quando foi a última vez que pesou? Nunca? Antes da gravidez, de ficar doente, de passar por um divórcio tenso?

Isso é o seu passado. Será que essa meta é de fato justa com você, com quem é agora?

E se você está se comparando a modelete fitness de 22 anos, peloamordedeus pare, pare agora!! Sua saúde emocional agradece enormemente.

Comece a se comparar com você. E de forma justa, viu?

Como eu disse, usar referenciais vencidos não vale. Se renove, pense no que você pode melhorar agora, baseado em quem você é agora e onde você está, pense se há algum aspecto da sua vida onde você poderia fazer um esforço maior ou diferente. Será que não é hora de jogar expectativas fora? Mudar a forma que você se vê?

Deixo esses questionamentos pra você pensar 🙂

DICAS DE LEITURA:

Se a grama do vizinho sempre é mais verde, o problema está em você.
A grama do vizinho é mais verde?

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios