Bate-papo sobre nutrição (Resposta do NSE)

Eu tenho estabelecido na minha mente, de forma muito clara, que eu estudei para ser e atualmente sou uma profissional DA SAÚDE.

Jamais me rendi aos ditames da indústria do emagrecimento e me recuso a “ajudar” pessoas a passarem por estresse metabólico desnecessário por causa de demandas estéticas que encobrem incômodos profundos que simplesmente não irão embora através da perda de 5 ou 10Kg. A prática de dietas é um fenômeno banalizado, quase recreativo. Pouquíssimas pessoas refletem sobre a seriedade de tudo isso e eu acho muito preocupante.

O NSE existe há anos, e o terrorismo nutricional (nutricionismo) sempre foi e sempre será um tema importante dentro da minha pauta.

Me enviaram esta proposta de discussão (“Bate-papo sobre Nutrição”), dessa moça que se identifica como “Stamina Nutritiva”  então seguem minhas respostas:

1) Como você se sente?

R: Triste. Observo que a população está completamente desnorteada e obcecada, não por uma alimentação genuinamente saudável, mas somente por quais condutas devem adotar para “emagrecer” (ou não engordar). A nossa sociedade ocidental faz o constante convite para que desrespeitemos o nosso corpo e ignoremos sumariamente as suas necessidades. A ideia que se tem sobre “cuidar da saúde” é muito simplista, superficial e totalmente voltada para o consumismo. Corpo é moeda de valor, comida é ferramenta de status. A manutenção de um corpo magro é uma prática que se auto-justifica! Todos querem emagrecer. Se emagrecem, querem emagrecer mais. E mais. Não existe um MOTIVO concreto sustentando a prática (tão comum) de se submeter à dietas restritivas repetidamente – o fascínio orbita em torno da perda de peso em si. Além disso, as pessoas não sabem o que comer, quanto comer, quando comer e sempre estão pendentes de que alguém lhes diga o que podem ou não podem consumir. E existem centenas de “verdades absolutas” para serem seguidas. Todo mundo sabe tudo e ninguém sabe nada. Tudo que se diz e acredita é caótico, assustador e modifica constantemente. Estamos num contexto de terror puro e pouquíssimos profissionais se interessam pelo trabalho de desconstrução dessas ideias, uma vez que é muito mais simples (e rentável) dançar conforme a música.

2) Quais os seus medos?

R: Muitos!! Uma vez que o NSE é um trabalho voltado para alertar a respeito dessa maneira dicotômica de se falar sobre corpo e comida (certo ou errado… bom ou ruim… bonito ou feio… saudável ou doente, etc) eu entro em contato diariamente com os mais alarmantes absurdos que estão sendo feitos em nome do “corpo perfeito”. Pouquíssimas vezes – apenas para não dizer “nunca” – o discurso é orientado para informar sobre saúde… E quando o faz, é uma maneira de “maquiar” o verdadeiro propósito: ser magro, privilegiado, vitorioso, superior aos demais que não se comprometem com a difícil tarefa de manutenção de um corpo “sarado” (que envolve rotinas que podem ser chamadas de qualquer coisa, MENOS “saudáveis”). Seguir a cartilha do fitness é um passaporte para comportamentos obsessivos, insatisfação corporal e transtornos alimentares. A crise de valores é muito grande, e parece que só faz piorar. Tudo que nos vendem como “o bom” para nós não é nada bom. Mas a indústria e a mídia têm muita força e isso é muito difícil de enxergar, se uma análise mais aprofundada não for feita. Transtornos alimentares, ansiedade, melancolia, estresse, baixa autoestima e até depressão são problemas que estão crescendo vertiginosamente por causa dessa febre de “lifestyles”. É um problema bastante grave. Sem falar na multidão de pessoas com problemas renais que veremos nas próximas décadas, em decorrência do altíssimo e constante consumo de proteínas. A sociedade não está nada bem. Estamos adoecidos de corpo e mente.

3) Quais são seus objetivos?

R: Continuar o meu trabalho no NSE e no consultório. Ajudar e informar quem e o quanto puder. Não posso lutar sozinha contra a indústria da beleza (emagrecimento-estética-cosméticos-fitness), os gurus histriônicos da internet, as dietas malucas, os best-sellers sem embasamento, o constante encorajamento a não gostarmos do nosso corpo e travarmos guerra com ele. Faço o que posso, atinjo poucas pessoas. Até porque as discussões que proponho não envolvem milagre nem resultado fácil. Fazer um movimento em direção ao verdadeiro autocuidado é um processo lento, moroso, muitas vezes sofrido. E não é simples. Muito menos rápido. Considerando a sociedade contemporânea hedonista, imediatista e focada na imagem… Poucas pessoas realmente estão dispostas a ressignificar crenças e compreender que a tal da “briga com a balança” é O MENOR dos problemas. Não temos problemas de peso. Temos problemas de autoestima, falta de amor próprio e uma escala de valores fundamentada em princípios frívolos que não nos preenchem. Enquanto acreditarmos que ter o corpo ideal é a solução para todas as nossas angústias, não teremos paz, saúde ou felicidade.

É isso 🙂

Passo a discussão adiante… Porque definitivamente precisamos falar sobre terrorismo nutricional.

#nutrição #nutriçãoconsciente #nutriçãohumanizada #health #mindfulhealth

#NSE #NãoSouExposição

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3 ideias sobre “Bate-papo sobre nutrição (Resposta do NSE)

  1. Malu Almeida

    Seu trabalho é muito importante! Remar contra a maré é difícil mas você com certeza já tem leitores muito fiéis! Desde que comecei a ler seu blog tem me feito um bem danado e compartilho sempre com família e amigas 🙂

    Quando der, você poderia escrever sobre como abordar uma alimentação consciente e intuitiva quando se tem condições diagnosticadas, por exemplo diabetes, colesterol alto, problemas de pressão.
    E em tempo, você conhece nutricionistas que seguem a abordagem comportamental aqui em Brasília? Obrigada!

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