Arquivo mensal: setembro 2016

Por que eu parei de ler revistas femininas

O texto de hoje foi escrito pela Thaiana Vaz Cutini, psicóloga parceira do NSE e autora do Blog “Mulheres que Se Transformam“:

Na minha ééééépoca (okay, me senti com 60 anos a mais do que eu tenho)…

Peraí, deixa eu voltar.

Quando eu era adolescente, há uns 13 anos atrás, eu e minhas amigas e acho que todas as adolescentes que eu conhecia liam Capricho. Era tipo a bíblia pra garotas que não faziam a menor idéia do que fazer com seus dramas e dificuldade típicos da adolescência. Nela, se vocês lembram bem, tinham dicas de moda, de roupa e principalmente, falavam sobre meninos

Eu sempre fui meio sonsa pra essas coisas, então calhou que essa revista me ajudou em alguns sentidos. O ponto é que sentar e ler Capricho ou Todateen era meio que um ritual social para ser aceita pelo grupo de adolescentes ou pelo menos é assim que eu entendo hoje quando paro pra analisar.

Me lembro que alguém comprava a revista e sentávamos, na hora do intervalo ou nas festinhas de pijama e ficávamos a ler as matérias e discutir, é claro, sobre quem era o integrante mais gato do Backstreet Boys.

Ah, a vergonha alheia.

Hoje em dia não sinto a menor falta dessa época mas eu vejo que muitas mulheres ainda parecem querer algum tipo de ‘guia‘ e é isso que as revistas femininas fazem, cada uma a seu modo.

Perca peso e tenha o corpo da atriz fulana que está na capa de revista!

Como conquistar seu homem!

Como manter seu homem!

A dieta da moda

O cabelo da moda

Tenha o cabelo igual ao da Gisele com 1/5 dos gastos

Aprenda aqui dicas incríveis para… (insira aqui basicamente qualquer coisa)

Faça sexo incrível e agrade seu homem (toda revista tem pelo menos 1 matéria nesse sentido, pode observar)

Eu resumi agora basicamente toda revista feminina de 10 anos pra cá, e muito possivelmente, pelos próximos 10 anos. Se você parar pra analisar criticamente, vai ver que não sai muito disso.

Só mudam as dietas, o cabelo, o corpo da atriz-fulana-blogueira-maravida.

Só pra ilustrar o que estou dizendo vou contar um causo:

Uma vez eu fiz cauterização no meu cabelo porque disseram que ia abaixar frizz e ficar mais blá blá blá. Beleza, fiz, paguei caro, ficou lindo e durou 1 semana.

Até aí tudo bem pois não estava com muitas expectativas mesmo. Isso faz alguns anos. Guardem essa informação.

Há pouco tempo atrás fui cortar o cabelo, estava então conversando com o moço e minha mãe perguntou sobre um tratamento que ela fez pra reduzir frizz.

Prestem atenção na conversa:

Ele disse então “ah… isso é botox capilar, eu faço sim”.
Mãe: “não não, é o tal do (não lembro o nome)
Moço: “Sim, é esse mesmo. É que é a mesma coisa. Antes era escova sem formol, depois virou escova de morango, selagem, agora é botox capilar. Mas é o mesmo produto, eles só mudam o nome”.

Conclusão: é a mesma droga de produto de 5 anos atrás, eles só mudam o nome pra dizer que inventaram algo novo com pouquíssima diferença e cobrar mais caro.

Palhaçada né? Pior é que a gente paga, as vezes sai com o cabelo estragado por não saber o que está botando na cabeça. E os bonitos do salão nem pra avisar né.

(Acreditei)

Voltando ao assunto….

Não sei bem por que buscamos desesperadamente estes guias ainda, mas eu parei de vez de ler esse tipo de revista faz anos.

Cheguei a brilhante conclusão de que não tinha nada ali de interessante pra mim, além de serem caras, vamos combinar!

Atualmente, pouca gente compra revista física, nós lemos online ou seguimos o instagram de alguma pseudo-famosa (o que dá quase no mesmo, sinceramente).

Mas a base está lá. É a comparação incessante com um modelo pronto e photoshopado, disponível para todas se ao menos nós gastássamos 300 milhões de reais todo mês.

Okay, exageros a parte, custa caro ter o cabelo Gisele, o corpo fulana-de-tal…

A indústria de beleza gera coisa de não sei quantos BILHÕES de dólares.
Vou repetir pra você cair da cadeira, tá?

BILHÕES.

Você sabe quanto é isso? Eu não consigo nem imaginar essa quantidade de dinheiro.
E ela se move com base nas nossas inseguranças. Não é a toa que toda revista inventa agora um treco novo pra gente consertar, pode reparar.

Resumindo, eu parei de ler revistas femininas pela minha sanidade e meu bem estar emocional.

Com isso não digo pra você desistir da vida urbana e ir morar em alguma aldeia indígena para se preservar de tudo isso (a menos que queira, é claro, aí eu acho super válido) mas simplesmente pensar no que você consome e porque.

Vamos parar de achar que precisamos ‘consertar’ algo a nosso respeito? Consertar nosso corpo, nossa imagem, nosso cabelo, como se tivesse algo errado em ser alta, magra, baixa, gorda, do cabelo crespo, liso, encaracolado.

gennen

(Como seria a sua vida… se você parasse te tentar se consertar?)


Se você quer alisar, direito seu, escolha sua. Se você quer perder peso também. Só vamos parar de dizer que é pra ‘consertar’ alguma coisa!

A única coisa que se tem que consertar é caráter.

Tente fazer um detox desse tipo de coisa e me conta depois o resultado! (Perfil fitness-deusa-do-whey, perfil de dieta, perfil de moda, de fofoca, revista feminina…. )

Sobre os sei lá quantos bilhões seguem aqui as informações.