“Mas Paco, o que você faz?”

Nessa semana eu abri a minha agenda para atendimentos e muitas pessoas manifestaram interesse. E isso foi bem legal.

Mas existe uma pergunta (na verdade, são duas!) que eu estou recebendo muito, desde que comecei a atender:

Como o seu atendimento funciona?

Mas Paco, o que você faz?

Então eu achei que seria legal explicar um pouco sobre a minha abordagem aqui no Blog! Até porque quando eu conheço alguém que nunca me viu na vida e a pessoa pergunta “Ah, você é nutricionista?”, eu fico assim:

Bem difícil explicar com uma frase ou duas. Eu sou nutricionista comportamental.

E eu não sou uma profissional do emagrecimento. Eu sou profissional DE SAÚDE!

– Ué, mas não é a mesma coisa?

R: Não. Mesmo.

De modo geral, posso dizer que o meu foco não é o peso. Nem o emagrecimento. Não estabeleço mudanças corporais como “problema” a ser resolvido, muito menos como o objetivo do tratamento.

Simplesmente porque: a perda de peso e inúmeras modificações positivas na saúde da pessoa são CONSEQUÊNCIA da mudança de comportamento. E não o contrário.

Antropometria (mensuração do corpo humano ou de suas partes) definitivamente não é o meu foco.

Eu não quero te ajudar a diminuir o seu corpo. Quero te ajudar a deixá-lo em paz!

– Ué, mas deixar o meu corpo em paz não significa comodismo, negligência, deixar as coisas como estão?

R: De maneira nenhuma.

Se a filosofia do NSE fosse uma anarquia alimentar, bastaria uma consulta para eu dizer ao paciente:

“Se joga no mundo, vá fazer o que quiser da vida. Comer o que quiser, na hora que quiser e o quanto quiser! Tchau.”

Não é isso que eu faço. [Estou pontuando o óbvio, mas volta e meia eu preciso esclarecer]

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(O meu trabalho não tem NADA A VER com isso! ¬¬’)

Dito isso, gostaria de enumerar algumas características do meu trabalho, que o fazem distinto do atendimento “tradicional”:

1) Força de vontade

Vergonha na cara” e “Força de vontade” são coisas que você nunca irá ouvir da minha boca. A vontade existe sim, é válida e é muito positivo ter desejo de mudança. Mas eu descarto a concepção simplista de que melhorar hábitos é uma simples questão de ESCOLHA. Não é! Existem muitos fatores envolvidos em um quadro de comportamento alimentar desajustado. E você certamente não está com problemas e me procurou porque te falta “vergonha na cara”. Eu escuto, Eu acredito. Eu entendo. Eu levo em consideração. Eu não vou dizer que as suas aflições são “desculpas”.

Eu encorajo que as escolham sejam feitas com consciência e lucidez. E esses conceitos vão muito além da tal  “força de vontade”.

(Ah, existe sim!)

2) Estímulo externo

Se eu dou uma dieta e/ou uma lista dos alimentos que deve-se (ou não) comer, eu estou tirando a autonomia do indivíduo. A pessoa que segue uma dieta não age de dentro para fora, mas sim de fora para dentro. Se você seguir listas, cardápios e orientações, você não irá ter ferramentas para administrar a alimentação por conta própria. Por este motivo, é muito importante reconhecer os sinais internos emitidos pelo corpo.

3) Perda de peso

Se você está buscando uma perda de peso significativa em tempo recorde, eu não sou o tipo de profissional que você procura. O que incentivo são melhorias na saúde. Muita gente pensa que “perder peso” e “melhorar a saúde” são sinônimos. Grande engano.

Se uma pessoa frequentemente come mais do que as reais necessidades do corpo, certamente ocorre ganho de peso. Para que essa situação melhore de maneira segura e estável (todo mundo quer milagre, mas é um processo GRADUAL), é o COMPORTAMENTO que precisa ser modificado. Ou seja, as crenças que o indivíduo tem sobre si mesmo e sobre os alimentos, e as suas motivações para comer (ou deixar de).

A perda de peso é consequência da harmonização dos hábitos alimentares.

Se você está saudável, não tem nenhuma doença crônica, está com o peso estável e me procurar porque quer usar um vestido de noiva menor do que você… Eu me recuso. Melhor procurar outra pessoa.

– Por que?!

R: porque eu disse ali em cima que eu sou profissional de saúde. Portanto eu não quero colocar pessoas em situação de autoagressão, passando fome e fazendo exercício até colocar os bofes para fora. Não se relaciona com saúde? Então não é o meu papel.

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(Eu não endosso sandices. Roupas devem servir nas pessoas, não o contrário.)

4) Expectativas irrealistas

Você tem código genético, constituição física e um determinado peso que é o seu quando o organismo está equilibrado e estável (quantidade de alimento + qualidade de alimento + atividade física + saúde mental/emocional). Pessoas não são feitas de massa de modelar. Não queira um corpo novo: descubra as particularidades do SEU.

5) Insatisfação corporal

É a tecla que eu mais bato. Se você sente repúdio pelo seu corpo, odeia estar na própria pele, diz que “tem nojo”… É CLARO que você não terá interesse no autocuidado. Para que nutrir, preservar e movimentar um corpo que você odeia? Não faz sentido. Quem não ama, não se importa!

Não é mudando que você vai se aceitar. É se aceitando que você vai mudar.

Obs: o que eu disse não significa que você tem que olhar no espelho e se achar uma deusa. “Aceitar” é uma coisa distinta de “achar maravilhoso”. Se você passar a achar maravilhoso, isso é ÓTIMO!! Mas não conseguir gostar não é impedimento para aceitar.

6) Proibição e terrorismo

“É veneno”, “é porcaria”, “é gordice” (palavra horrível!!!), “é lixo”, Não pode “jacar” (aaffff) no fim de semana, NÃO É PARA COMER: não uso essa abordagem.

Quando você enfia na cabeça que não pode comer coisas “erradas” e “proibidas” em situação nenhuma, isso contribui para que você MERGULHE de corpo e mente nesses mesmos alimentos.

(EFICAZ que nem dizer “não pode comer chocolate”)

Comigo você irá aprender a ter permissão incondicional para comer. NÃO EXISTE comida errada, comida veneno, comida “que engorda”. Existe jeito desequilibrado de comer!

O problema não está nos alimentos, mas sim na relação que você tem com eles e os significados que você atribui.

7) Castigo

Fazer tratamento com nutricionista, no imaginário popular, significa: seguir dieta para emagrecer, porque você é uma pessoa horrível que não se comporta direito, não é confiável e por isso engordou.

Vida saudável é [[erroneamente]] definida como um sacrifício, um processo moroso e chato. Sentir fome é um erro, o apetite é indesejado e é necessário dominar o corpo e todas as suas necessidades e manifestações.

O corpo não é nosso inimigo. Muito menos a fome. Você não precisa SOFRER para ter uma melhor qualidade de vida. Muito pelo contrário!

Sentir culpa por ter comido é um ABSURDO. Não é errado comer. Nós gostamos de comer. E nós precisamos comer!!

No pain, No pain

(Futura estampa das camisetas NSE ^^’)

Finalizando:

O foco do meu atendimento não é O QUE a pessoa come (não faço cálculos, não determino o que a pessoa precisa comer, não entrego listas…). Então se você quer um cardápio para seguir com disciplina espartana… Não sou ideal para você.

A minha área de atuação é trabalhar com  QUEM come, COMO come e POR QUE come. Ou seja: o comportamento da pessoa, as crenças que ela tem em relação à comida e ao próprio corpo… E como tudo isso pode atrapalhar a qualidade de vida quando a relação com os alimentos é desarmônica.

Meu público é composto de: mulheres, sem doenças crônicas específicas, mas que têm um relacionamento turbulento com comida (o que causa um impacto grande na autoestima).

Se enquadra nesse perfil? Então posso te ajudar 🙂

Se se interessou e quiser mais informações, pode me dar um toque: (41) 9919-0610

Até mais

(Ame quem você é, formato, tamanho, cor e tudo!)

 

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4 ideias sobre ““Mas Paco, o que você faz?”

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