Parei de fazer dieta! (Guia)

Olá!

Atualmente, muitas pessoas andam percebendo que tentar fazer dieta é uma verdadeira canoa furada.

Então após semanas, meses ou anos de restrição, “escorregadas”, tristeza, culpa e efeito sanfona… você também decidiu que não quer passar por isso novamente? Justo.

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Mas para quem passou muito tempo imersa nessa dinâmica de tentar-falhar-tentar e escolheu sair dessa vida, percebo um padrão nas dificuldades enfrentadas, e as demandas listadas a seguir são muito comuns:

“eu engordei.”

“não vou parar de comer nunca mais.”

“eu não estou emagrecendo.”

Como eu recebo essas questões muitas vezes, montei este guia com algumas observações:

1) Não é natural manter um determinado peso de modo forçado (por meio de constantes dietas). Quando uma pessoa para de se privar de alimento, é absolutamente NORMAL que o corpo entre em processo de recuperação. Isso significa que:

não dá para comparar o peso que você se encontra agora, após ter desistido de uma dieta, com o peso que você tinha quando forçava o corpo a ter dimensões menores.

O menor peso que você teve na sua vida dificilmente é o seu peso natural.

Aliás, pode ser que você tenha vivido tantas flutuações de peso que nem saiba mais qual é a sua verdadeira constituição física (lembrando que: a nossa constituição física natural dificilmente se relaciona com o grau de magreza desejado ou idealizado – pense sobre o referencial de magreza que você está imaginando e se ele condiz com quem você é!)

É absolutamente normal engordar após deixar de fazer dieta!! Além de todas as questões metabólicas e fisiológicas que levam ao ganho de peso, nossa mente e o nosso corpo ficam entusiasmados com a “carta de alforria“… E esse período “lúdico” faz parte para todas as pessoas que embarcam no processo. Demora mais para alguns, menos para outros… Mas você VAI SAIR dessa etapa da “farra” da liberdade alimentar.

2) VALORIZE CONQUISTAS: muitas pessoas que deixam de seguir dietas adquirem novos hábitos e conseguem realizar modificações fantásticas na rotina, conquistas maravilhosas que nunca pensaram ser possíveis (ex: esquecer um chocolate na gaveta, ou conseguir deixar comida no prato)… Algumas voltam a cozinhar. Ou aprendem! Passam a fazer escolhas alimentares conscientes e saudáveis… Mas alegam que não tiveram “resultado”!! Gente…

Mudança na qualidade de vida É RESULTADO!!!!!!

“Resultado” não significa apenas emagrecimento. O emagrecimento será CONSEQUÊNCIA da harmonização do corpo e da alimentação, mas não deve ser o objetivo central do processo. A perda de peso segura e sustentável acontece gradualmente. Emagrecimento-recorde é uma agressão para o organismo, e depois você engorda tudo de novo e ganha uns quilos de brinde (tô mentindo?). Tenha paciência. Não desespere com as flutuações de peso iniciais, que são NORMAIS. Não estabeleça metas numéricas, datas-limite. Esqueça os números. Dê crédito às modificações positivas que você conquistou. E novamente: tenha paciência.

3)   Sobre o “risco” de comer infinitamente sem parar: este guia é adequado para pessoas que deixaram de fazer dieta, e têm a supervisão de um nutricionista* que aborde a linha comportamental (isso não significa que você não possa fazer descobertas sozinha!). Largar a dieta é o primeiro passo. Feito isso, existem inúmeras questões para serem trabalhadas e desenvolvidas:

– Rejeitar mentalidade de dieta;

– Se dar permissão incondicional para comer;

– Ressignificar crenças em relação a si mesmo e à comida;

– Identificar a diferença entre fome fisiológica e fome emocional;

– Reconhecimento dos sinais internos de saciedade;

E muitas outras coisas.

No devido tempo (para alguns mais, outros menos…) você vai deixar de “se perder” na quantidade de comida que ingere. Outra coisa: ninguém aguenta comer guloseima para sempre. Se você passar muito tempo na fase de “farra alimentar”, a monotonia vai cansar e o corpo VAI simplesmente gritar por outros tipos de alimentos mais saudáveis. Não tenha medo e confie no seu corpo.

Você não vai comer enlouquecidamente para sempre. NÃO vai. Isso acontece porque você acredita que é uma espécie de “dragão” descontrolado, que precisa de rédeas, do contrário  irá comer o mundo inteiro. E isso não é verdade. Com o tempo você vai descobrir que você é uma pessoa CONFIÁVEL e pode administrar a sua alimentação com lucidez.

(Muito simpático, mas este NÃO É VOCÊ)

“Mas Paco, como vou conseguir confiar em mim mesma, se eu sempre tentei me controlar?”

R: Seguindo em frente e descobrindo que é possível!!

Dica: CULPA e sentimentos de que você “está fazendo errado” ou que “não é boa pessoa” não ajudam!

4) Gostar de comer não é problema. OkTer apetite não é errado. Você não deve “desviar” da fome, tampouco tentar enganá-la… Mas sim reconhecê-la, aceitá-la e aprender a administrar com calma e consciência.

5)  “É permitido comer de tudo” não significa que agora você pode comer SOMENTE as comidas que antes eram proibidas (chocolate, batata frita, salgadinho, coxinha, pizza, sorvete etc). Tudo quer dizer: TUDO. Mesmo!! Desfazer a dualidade, ou seja, a classificação entre “comida chata obrigatória de dieta” e “comida gostosa que eu gosto, mas é proibida” é importante para que você passe a explorar novos alimentos: chocolate, pizza, sorvete E TAMBÉM abacaxi, berinjela, quiabo, amendoim. Comer de tudo não significa “orgia alimentar”… Significa: comer de tudo.

(Não existe “comida boa” e “comida ruim”. Existe: comida)

6) Engordar não é o fim do mundo!!!!! Um ganho de peso exagerado e progressivo é preocupante porque indica um comportamento alimentar desajustado. MAS: se você passou uma vida fazendo dietas e tomando medicamentos, nada mais natural do que ter oscilação de peso. Essa “engordada” no começo do seu processo faz parte e acontece com quase todo mundo. Não se desespere. Engordar não é uma blasfêmia. Não te faz um fracasso como ser humano, nada disso! Pense no estigma que as pessoas gordas carregam, no quanto esse preconceito é reproduzido e como isso tudo faz o fato de engordar se transformar numa hecatombe. “Mulher tem que ser magra”, “mulher tem que comer que nem passarinho”, “pessoas gordas são preguiçosas”… Todas essas crenças que temos sobre corpo, feminilidade e comida fazem com que você corra em círculos por causa de 3 ou 4Kg. Calma: analise a situação com objetividade e perceba que você não cometeu nenhum crime por ter engordado.

7) Isto é importante: use roupas adequadas para o seu momento presente! Nova vida, novas decisões… Novas roupas. É muito possível que as suas roupas menores sejam do período em que você forçava o seu corpo a ficar mais magro de um jeito que não é natural.

Lembre: as roupas devem servir nas pessoas. Pessoas não devem “servir nas roupas”

8) Last, but not least:  Não se julgue. Não se condene. Não se pressione. Tenha compaixão por si mesma. Se aconteceu um episódio de compulsão ou exagero alimentar, não fique pensando no quanto isso foi horrível e que você não deveria ter deixado acontecer. Reflita sobre o ocorrido. Tire lições para as próximas situações.

Espero que tenha ajudado!

(Seja gentil consigo mesma!)

* Você mora em Curitiba/PR e NÃO quer uma prescrição de dieta? Entre em contato: (41) 9919-0610 🙂

 

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