O dia que descobri que era um unicórnio

O texto abaixo foi escrito pela Thaiana Vaz Cutini, psicóloga parceira do NSE e autora do Blog “Mulheres que se Transformam

 

unicórnio
substantivo masculino

1. icon animal fabuloso, símbolo de força e pureza, representado em ilustrações medievais com um corpo de cavalo e cabeça de veado munida de um chifre único, comprido e enroscado.

Era uma terça feira chuvosa, aproximadamente 14:10h. Estava chegando em casa e muito alegremente conversava com minha mãe enquanto estávamos no elevador. Ajeitava meu cabelo no espelho quando a seguinte conversa se inicia:

– minha filha você está cheia de cabelo branco.

– mãe até parece, eu sou nova pra ter cabelo branco e nunca tive nem um fio. Agora estou cheia? Cê tá olhando errado isso ai, olha de novo (percebe Ivair, a informalidade do cavalo?)

– então olha ai no espelho. Olha aqui e aqui e aqui -dizia ela, selando meu destino cruel, enquanto apontava pra minha cabeça.

E lá estavam eles, 3 fios prateados.

Bateu um desespero interno e eu já comecei a pensar onde ia encontrar uma loja que customizasse a bengala que eu ia ter que começar a usar agora que havia chegado a terceira idade. Por que cabelo branco pra mim era isso, um sinal de idade, visto especialmente em pessoas idosas. Um martelo interno havia batido, “idosa” e eu fiquei pensando se eu estava já com o pé na cova. Pensei no que deixaria escrito no meu túmulo ou se eu gostaria de ser cremada.

(Percebam vocês que eu nem sou dramática)

Eu nunca gostei da ideia de ter cabelo branco pois não tenho a menor paciência pra nada que eu tenha que repetir constantemente como por exemplo pintar de mês em mês. Além disso, sempre acreditei que só ia começar a ter cabelos brancos com uns 40 ou 50 anos. Grande engano. Vejo muitas mulheres inclusive minha mãe tendo que pintar o cabelo e eu acho isso particularmente, um grande saco. Prefiro dormir ou ler um livro, ou jogar, ou… basicamente qualquer outra coisa. A ideia da obrigatoriedade sempre me incomodou.

E todo mundo sabe que mulher que deixa o cabelo ficar branco só pode ser desleixada não é mesmo? Mais uma cobrança, mais uma exigência. Homem não, homem grisalho é charmoso, experiente, tem maturidade, história pra contar, mulher é descuidada.

-ah mãe, eu descolori o cabelo, deve ser isso. Deve estar loiro e não branco. Disse a doce negação.

Resultado… comecei a caçar os fios brancos na frente do espelho e cortar com uma tesoura. Chegamos ao fundo do poço.

Tenho em mim a desconfiança que eles se ressentiram e passaram a se multiplicar pois desde então eu juro que vi crescer mais.

Aqui estava a cruel realidade que eu ainda tenho dificuldades em aceitar.

Com 27 anos, tenho cabelos brancos. E não tipo a vampira de X-men em uma mecha super cool, unificada, super trendsetter. Nada disso. São uns fios perdidos no meio e na frente mesmo. Pensei em pintar mas a preguiça fala mais alto.

Resolvi que eu tinha algumas opções então. Podia me sentir mal, pensar que estava envelhecendo precocemente ou pensar diversas outras coisas que só iam me fazer sentir mal como entrar em alguma “dieta” louca antiaging ou comprar shampoo antidade ou sei lá mais o que, me fazer pintar o cabelo todo mês (o que seria triste pois eu gosto da cor do meu cabelo).

Podia fazer tudo isso, o que duraria provavelmente uma semana até eu perder a paciência ou aceitar.

Mas aceitar como, diabos?

Com humor.

Me lembrei que eu sempre quis ser um unicórnio. Acho que são criaturas lindas e fantásticas. Pensei comigo…

“Ahá! Entendi tudo agora. Eu fiquei tanto tempo pedindo pro universo pra ser mágica como um unicórnio que ele resolveu me transformar em um. Não são fios brancos, são fios prateados de unicórnio! !! Puts. Eu devia ter avisado pra ele que eu queria ser um unicórnio dourado!!!”

Moral da história de hoje: Lembrem-se que Deus, Deusa, Alá, Jesus ou o universo ou a sabedoria maior, como quiserem chamar, sempre escuta. Mas ela/ele é meio literal então é melhor sermos precisos nos pedidos.

Moral da historia parte 2: A melhor maneira de levar a vida é com humor.

Ao invés de se jogar pra baixo com as mudanças da vida e do seu corpo,que tal mudar seu olhar e reinterpretar o que te incomoda, com um pouco daquela alegria de criança? Já pensou se você se descobre um unicórnio ou um super herói que incrível?

Thaiana Vaz Cutini

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2 ideias sobre “O dia que descobri que era um unicórnio

  1. Heloisa Carvalho

    Gente, isso do cabelo branco é muito louco! Eu tenho uma amiga com 48 anos que:
    1. tem bastante cabelo branco;
    2. não gosta de pintar o cabelo;
    3. não tem dinheiro para pintar com frequência;
    4. mesmo assim ela não deixa de pintar;
    Já conversei com ela diversas vezes sobre deixar os brancos, visto que ela não pinta porque gosta, e sim, porque a sociedade impõe, mas mesmo assim ela não consegue parar. Ela não quer pintar, ela se sente obrigada. Mundo, pare!
    Lógico que eu respeito ela pintar, mas gente, pra que? Mas acho que eu só tenho essa aceitação com cabelo branco por causa da família, sabe? Minha avó nunca pintou, minha mãe nunca pintou… Então pra mim não pintar é super OK!

  2. Andrea

    Gente, também sou um unicórnio e não sabia! 😀

    Migas, tou passando por essa fase e tá FODA! Aterrissei nos 30 esse ano e tudo apareceu, inclusive os cabelos brancos que só vinham se insinuando até então. (Mentira, desde o 25 que a coisa tá assim.) E o pior é que não tou sabendo lidar. Tipo, minha mente sabe que é imposição, que não tem nada a ver, que tem gente jovem com cabelo branco, que graças a Deus eu ainda tenho cabelo (!), mas a realidade é dura. Sei lá, é um baque. E eu sempre defendi quem não quer passar os próximos anos pintando (porque eu mesma não quero, a não ser de cores ~exóticas, mas aí nem é pra esconder os brancos, é porque eu gosto mesmo. <3). Anyways, bate uma bad sempre que olho no espelho.

    Obrigada pelo texto e continuem escrevendo sobre, prfvr!

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