Arquivo mensal: julho 2016

A pedra no sapato.

Olá!

Hoje eu quero repetir uma analogia (a pedra no sapato) que eu já usei anteriormente aqui no NSE, mas eu acho válido falar sobre a questão novamente.

Qual questão?

R: Quando pessoas que NUNCA VIVENCIARAM discriminação tentam explicar para alguém que está sofrendo que a sua causa não é legítima.

Exemplos:

“Você não sofreu homofobia. Tá vendo chifre em cabeça de cavalo.”

“Na verdade esse comentário que você recebeu não foi racista porque veja bem: blablablabla”

“Gordofobia é coisa de mimizentas vitimistas.”

“Você enxergou opressão onde não tem. Permita-me explicar por que…”

(“PERMITA-ME explicar que o seu sofrimento não tem fundamento”)

Infelizmente, é algo que vemos muito nos comentários em notícias, “memes” em Fanpages e… textões dos nossos amigos no nosso Feed de atualizações!!!

Este cachorro que NÃO consegue lidar com a VIDA agora porque tem de tudo acontecendo.

(Você deu um voto de confiança… Você aceitou a solicitação de amizade… Você permitiu que a pessoa habitasse seu Feed. Então ela escreve AQUELE TEXTÃO com suas opiniões sobre a vida e o coração sangra… #heartbreak)

Aconteceu comigo! 😥

A situação foi a seguinte: injúria racial.

Resumidamente, o post foi sobre uma mulher que foi discriminada por ter “cabelo ruim” e comparada com outras mulheres de cabelos lisos (portanto, ~bons e bonitos~)

Então uma pessoa (que não mais está) entre os meus amigos escreveu um status sobre como as mulheres que se queixam de racismo por causa disso estão, na verdade, fazendo um grande mimimi desnecessário. E fechou com:

“Eu tenho TAL PROBLEMA, todo mundo me zoa e eu levo numa boa.”

Certo.

  1. O “tal problema” que foi citado não tem absolutamente nenhuma comparação com racismo.
  2. “Se EU reajo desse jeito, todo mundo tem que reagir também. Do contrário, é mimimi.”

(Toma teu troféu de empatia e capacidade analítica)

Quando isso acontece, eu me lembro da história da pedra no sapato… Que fui eu que inventei.

É assim:

Imagine duas pessoas caminhando juntas. De repente, uma delas perde o ritmo e vai ficando para trás. E a pessoa que seguiu em frente diz:

– Não fique aí atrás. Me acompanhe!

E a pessoa que ficou para trás responde:

– Não posso. Tem uma pedra no meu sapato.

E o resto do diálogo segue assim:

Não tem nenhuma pedra no seu sapato.

– Tem sim! Está me incomodando. Está doendo.

– Eu não estou sentindo dor alguma. Nossos sapatos estão perfeitos. Me acompanhe.

– Estou te dizendo que tem uma pedra no meu sapato. Me ajude a tirar, porque o cadarço está muito apertado.

– Posso observar perfeitamente que não tem NENHUMA pedra no seu sapato. Isso é um VITIMISMO que você inventou para parar de andar no meu ritmo. É minha opinião. Mas se você realmente acredita que tem uma pedra no seu sapato, porque você não toma VERGONHA NESSA CARA e desamarra o cadarço você mesmo? Aliás, se EU tivesse uma pedra no meu sapato, eu levaria numa boa. Pare de fazer drama.

…E aí a pessoa vai embora. E deixa a outra para trás.

Lição?

Você não pode querer explicar para uma vítima de preconceito que esse preconceito não existe só porque VOCÊ nunca viveu.

Não tente explicar para um negro que racismo não existe.

Não tente explicar para uma mulher que machismo não existe.

Não tente explicar para um gay que homofobia não existe.

Não tente explicar para um gordo que gordofobia não existe.

Não é você quem está vivendo a situação. São eles. E a questão não é sobre o que você acha.

Não compare os seus sapatos com os sapatos dos coleguinhas. Cada um sabe onde o calo aperta.

E a sua argumentação não deixa de ser uma droga só porque você fechou a frase  com “essa é minha opinião”

(Não faz seu comentário ser isento de babaquice)