O NSE não quer te obrigar a nada.

COMUNICAÇÃO é um troço complicado, não?

A gente escreve uma coisa, pensa que foi clara… Mas aí aparece uma problematização ninja na voadora e… você não estava dizendo nada daquilo!!

Quem costuma comentar na internet e recebe uma réplica… Faz uma tréplica e percebe que é um caso perdido sabe bem do que eu estou falando.

Ao longo da vida com este Blog, eu precisei fazer o seguinte esclarecimento muitas, muitas, muitas vezes:

esclarecimento

Mas agora apareceu um protesto novo no meio desses clássicos:

“Você está me obrigando a agir ao contrário do padrão de beleza mas eu não quero!!!!”

(como LIDAR? Por onde começar?)

Eu postei essa imagem hoje:

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E eu fiz uma pergunta: POR QUE, para a sociedade, a mulher ser grande é um problema?

Porque isso é um problema. É inegável.

Tanto é que o pessoal da musculação precisa assegurar às mulheres que elas não ficarão grandes por causa dos treinos.

Então…

Mulher grande porque comeu pudim: é problema.
Mulher grande porque fez muita musculação: é problema.

E eu perguntei, simplesmente: POR QUE a mulher não pode ser grande?

Aí começou uma sessão-textão-louco dizendo que:

A mulher pode preferir ser pequena a mulher pode escolher ser pequena dizer que toda mulher tem que se aceitar grande é uma cagação de regra porque você não deixa [~eu não deixo~] a mulher se sentir bonita do jeito que ela quiser, é SÓ se ela for gorda mas eu não quero ser gorda eu prefiro ser magra mas aí eu me pego pensando que eu estou fazendo o que a sociedade quer então é como se eu não pudesse ser magra porque se eu for magra eu não sou feminista e você não entende que tem gente que gosta de azul outros de amarelo porque eu tenho direito de não me sentir bem sendo gorda [~sim, você tem~] eu faço academia e só me sinto linda se eu for magra e com pouca gordura se as mulheres aceitam o corpo delas como ele é você acha ok mas se elas querem mudar você critica [~não~] é uma questão de gosto de preferencia tudo que eu gosto é a mesma coisa que está no padrão e eu não consigo gostar de outra coisa eu criei o meu padrão e pronto você não pode obrigar as pessoas a achar que ser gorda é bonito [~REALMENTE. Não posso~] eu me sinto culpada por comer maçã porque eu penso que é neura de dieta e eu me sinto culpada em gostar de ser magra porque aí eu acho que estou obedecendo a ditadura da beleza [~moça, você está confusa~]

Caetano

Respondi algumas coisas… Mas foi inglório.

Então vamos colocar alguns pingos nos i’s.

i) Era uma pergunta sobre “qual é o problema de ser grande”. Não era uma frase dizendo “você tem que ser grande (…e gostar disso)”

i) Eu estava falando sobre ser grande. Alta, Corpulenta. Não sobre ser “gorda” de maneira específica.

i) Eu discordo do discurso que diz que “a pessoa pode ter o corpo que quiser“. Muita gente fala isso. Mas eu não concordo. Porque a realidade é que muitas vezes NÃO DÁ! Você pode modificar seu corpo com muito custo e sacrifício… E até certo ponto. Muitas vezes as pessoas me perguntam “E SE A PESSOA QUISER ser igual à Gabriela Maionese?”… Bueno. Ela pode até querer. Mas ela não será. Porque não podemos transformar o nosso corpo como se fosse massinha de modelar. Se a mulher grande não quiser ser grande, o que ela vai fazer? Serrar o fêmur?

*se você não curtiu isso, pode sair daqui e navegar pelo AMPLO MAR de Perfis Fitness e procurar incentivos controversos, receitas com Whey Protein e treinos para copiar. Conteúdo desse tipo é o que não falta! São milhares, milhões de páginas! Corre lá!*

i) O NSE não é sobre “beleza”. Não é uma Página do tipo “você é linda seja como for” e essa mensagem fica apenas repetindo indefinidamente. Isso é raso. E eu não faço isso. Eu acredito em múltiplas manifestações da beleza. Eu acredito que beleza existe. Mas eu não acho que VOCÊ TEM QUE SE SENTIR LINDA sempre, em todos os momentos. Justamente porque eu sou contra a obrigatoriedade de ser bonita. Aliás: aceitar e amar é muito diferente de achar maravilhoso. Nós podemos aceitar e acolher defeitos. Ou o que enxergamos como defeitos. Não temos obrigação de achar TUDO PERFEITO para que, enfim, possamos nos amar (até porque diante dessas condições, esse dia não vai chegar nunca!)

i) Se você GOSTA e QUER viver de acordo com os padrões de beleza… É ótimo, não? Você tem uma diretriz para viver! Como comer, quanto comer, o que vestir, do que gostarCartilha completa!! Tá tudo ótimo, aceitável, desejável e, quem sabe, atingível.

i) O NSE não enaltece um tipo de corpo para desmerecer outro. Aqui isso é dogma. Isso é princípio. Isso é valor absoluto. Pessoas gordas, magras, ruivas, japonesas, negras, carecas, loiras, morenas, azuis, xadrezes, listradas…..

(____________________) complete aqui um tipo físico.

O NSE respeita todas. TODAS

(“Não há uma maneira errada de ter um corpo”)

i) A respeito de corpos: EU não prefiro nada, não dito nada, não declaro minha preferência sobre nada, NUNCA POSTEI conteúdo do tipo “Isso é bonito e Isso é feio”.

i) Não reclamem que “eu não deixo”. A tia deixa, tá?

i) Tem 45.000 pessoas na página. Quando eu faço um questionamento, eu não estou falando especificamente sobre alguém. Eu estou fazendo um questionamento VASTO. Não é questão pessoal.

Resumo de tudo: eu perguntei “qual é o problema de ser grande?”. E leitoras que têm uma pronunciada preferência por ser pequena levaram pro lado pessoal.

Mas não é pessoal, não estou fazendo enquetes sobre o que é o mais bonito/o que é mais legal. Por mais que alguém se sinta atingido…Meu propósito é um tanto maior do que isso.

MAAAS… Quando acontece esse tipo de coisa não tem jeito:

1) Discussão infinita.
2) Ninguém muda de opinião.
3) Rompimento do vínculo (perco a curtida e meu coração sangra *not*)

Compartilho

(Tomei algumas pauladas para aprender que a coisa funciona DESSE jeito, e é ESTE o propósito…)

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5 ideias sobre “O NSE não quer te obrigar a nada.

  1. Raquel

    A menina está claramente confusa, porque como assim ela acha que só se sentir bem magra é uma escolha? “só me sinto linda se eu for magra e com pouca gordura”, então ela não escolheu, né? Ela SÓ consegue ser assim. Ela se sente mal de outra forma e isso é justamente o que você fala tanto nesse blog, da autoaceitação – que a moça aí justamente NÃO POSSUI – e o desapego a esse desespero todo que as mulheres vivem.

    Você é clara, uma das blogueiras mais claras e objetivas que conheço. Dificilmente cai em contradição e seus textos podem ser lidos por qualquer pessoa entre 10 e 100 anos sem dificuldade. As pessoas são inseguras e detestam quando alguém não diz o que elas querem ouvir. Eu sei porque sou assim também, e cada vez que leio algo que não gosto – mesmo sabendo que é verdade – tenho que travar uma batalha interna para entender com maturidade.

    Por favor, continue seu trabalho bonito e importante apesar das tribos que se incomodam. Este blog é necessário!

  2. Raquel

    Desculpa…achei graça. A moça está para lá de confusa. Como a colega acima, eu quero ser magra. Correção, eu sou magra, mas gostaria de não ter gordura localizada. Mas também queria ser rica, né? E eu não morro porque bato ponto todo dia. Muito pelo contrário, dou graças a Deus que tenho emprego, assim como dou graças a Deus por ter saúde.
    Vou me descascar de dúvidas/ódio de mim por querer ter o corpo-padrão? Eu não. Faço meus exercícios sem exagero. Confesso que a academia ainda é um téeeeedio principalmente por causa do ambiente, mas tenho plena ciência que o corpo daquele povo que vive para isso nunca será o meu. E ai? Continuo me achando bonita, continuo comendo meus docinhos, meu pãozinho…e pronto.
    Mas se a pessoa quer ser feliz substituindo refeição por ovo cozido, frango grelhado e batata doce, que seja. Cada um com as suas escolhas, sem atribuir responsabilidade a outra.
    Bom saber é que tem outro conteúdo para nos acolher e não apenas o da galera exxxxxxpertaaa dascadimia.

  3. Andreia

    A cada comentário é uma injeção de ânimo. Com seus textos vejo q ainda existem pessoas q enxergam muito além de estererótipos.

    Obrigada por compartilhar seus comentários maravilhosos.

  4. Lais

    Oi!
    Quando eu li o que a pessoa escreveu pra você eu me identifiquei demais! Ler o que você escreve, assim como ler o livro da Sophie Deram, me causaram um conflito interno muito grande. A vontade de ser mais magra contra a vontade de aceitar o corpo como é (que meu marido jura que é lindo e eu não acredito). A diferença é que pra mim esse conflito é até bom. Eu estou conseguindo viver bem e até perdendo peso devagar e com saúde. Vocês ajudam a colocar os pés no chão e não voar no fantástico mundo fitness. Enfim, só escrevi pra dizer que aquela moça coitada não está sozinha. Ela só está confusa com os sentimentos dela. Obrigada pelo seu trabalho. Beijo.

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