A ditadura da autoestima

O texto de hoje é da Thaiana Vaz Cutini, psicóloga parceira do NSE e autora do Blog Mulheres que se Transformam:

Mulheres que se transformam

É, parece estranho eu falar isso, afinal foi outro dia mesmo que falei sobre a importância da auto estima e de se desenvolvê-la de maneira saudável e também dos benefícios que isso traz.

E eu estava sendo sincera quando disse que desenvolver a auto estima leva a uma melhoria na saúde emocional de nós mulheres. Ter uma auto estima elevada nos dias de hoje é algo revolucionário, é um ato de resistência a tudo que nos diz que não somos boas o bastante.

A auto estima é, em si mesma, um ato de amor.

 …Mas e quando não estamos prontas pra ela?

(Não consigo, não valho nada, não posso errar, não sou boa o bastante, preciso ser perfeita, ninguém me ama…)

 Isso pode acontecer. Depois de anos nos maltratando, exigindo façanhas impossíveis, melhorar a auto estima parece ser mais uma daquelas metas absurdas e no final das contas, acabar nos causando mais sofrimento.

E é sobre isso que eu quero falar, sobre o processo.

Que auto estima é bom e todas nós queremos, nós já sabemos. Acho que esse discurso tem sido bastante divulgado seja pela mídia ou por mim.

O caso é que a auto estima virou o novo produto da moda. Estão aparecendo cursos voltados pra esse assunto, reportagens na TV, matérias em revistas… cujo intuito é vender mais um produto.

“Compre isso e melhore sua auto estima” é a mensagem.

Como eu disse anteriormente, infelizmente não é assim que funciona. A auto estima não vem pronta em uma caixinha e tudo que você precisa fazer é vesti-la como uma roupa.

É um processo. Existe tempo, dedicação e paciência, com você mesma. Com seus defeitos e suas dificuldades.

O que eu quero dizer é… melhorar a auto estima é uma escolha e não uma imposição e de nada adianta se forçar a mudar se você não está pronta.

Mudar implica fundamentalmente em deixar algo ir, em perda… e sendo assim, precisa de um tempo para ser digerida. Mudanças muito bruscas e rápidas nem sempre vem pra melhor pois elas podem acabar nos desestabilizando.

Sabe quando puxam nosso tapete muito rápido e ficamos sem chão? Corremos o risco de cair se não tivermos onde nos segurar.

Então o que eu digo é… cuidado com essa ditadura que está se formando de que mulher “tem que ter boa auto estima”. Sim, isso é desejável e pode melhorar muito a sua vida, mas não deve ser mais uma obrigação pra você cumprir e mais um motivo pra se odiar se falhar.

Vamos com calma okay?

Você não precisa ser outra pessoa do dia pra noite e se alguém te falar isso, correeee que é cilada!

E lembre-se, procure ajuda sempre.

Não precisamos dar conta de tudo sozinhas!

Thaiana Vaz Cutini

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