Braço morto e caqui verde

Olá, amigos e amigas do NSE…

Hoje eu quero escrever sobre braço morto e caqui verde.

Estranho né?

Eu tenho um padrão estranho de ter ideias. Na verdade, existe gente que diz que ideias podem ter “fabricadas”. Com técnicas, “incubação”, “brainstorm”… Esse tipo de coisa. Já vi vários discursos alegando que você pode aprender a ter ideias. Existem cursos para isso. E as pessoas pagam. Talvez até funcione.

Mas eu sou daquelas que acreditam que ideias simplesmente brotam. Elas são espontâneas e podem se manifestar quando você menos espera.

Eu não sei nada sobre isso, na verdade. Estou especulando.

Eu sempre penso no adesivo de familinha no carro. Eu não sei quem inventou isso, nem se a ideia foi planejada. Mas eu acho uma coisa TÃO inusitada e TÃO ridiculamente simples que eu acho que o autor da ideia não sabia que essa coisa iria virar uma febre (não sei se isso aconteceu no Brasil inteiro, mas na minha cidade a família feliz foi um movimento viral absurdo)

Enfim, eu creio que quando você TENTA ter uma ideia, é um processo muito menos eficaz do que as súbitas inspirações que simplesmente se manifestam espontaneamente na nossa cabeça.

Eu não entendo nada de planejamento, nem de marketing, nem de técnicas de “produção” de ideias.

Eu funciono, penso e ajo de maneira absolutamente caótica (é uma dificuldade para mim, na verdade…)

Eu desconfio que estou falando uma tremenda besteira. Justamente porque o que eu estou proferindo um “achismoConfesso: não pesquisei sobre o processo de surgimento de ideias. Acho que o pessoal do marketing e empreendedorismo vai brigar comigo. Possivelmente com razão.

Vou parar de divagar. Vou falar sobre braço morto e caqui verde. Já adianto que eu não tive  ideias fenomenais. São duas bobagens. Mas eu achei curioso perceber onde a minha mente me levou por causa de dois episódios aparentemente insignificantes.

1) Braço morto.

Na noite de sábado para domingo, eu estava dormindo em alguma posição que cortou o fornecimento de sangue oxigenado para os meus dois antebraços.

(Acho que foi assim, e a minha cabeça é pesada)

Eu acordei repentinamente em agonia. Meus dois antebraços estavam mortos. Era como se eu não tivesse aquelas partes do corpo. Tentei levantá-los. Não mexia.

Apliquei toda a força do mundo naquilo. Eu queria alcançar o botão para ligar o abajur. De repente meus braços começaram a se comportar como ESTA MANGUEIRA:

(O bebê, no caso, é o meu abajur)

Não teve jeito. Foi necessário parar quieta e esperar.

Enquanto eu sentia uma sensação (muito bizarra) de ardor, dor e formigamento… Eu comecei a pensar sobre imagem corporal.

Sim. Lá pelas 3 da manhã eu acordei com os dois braços mortos, chacoalhei-os caoticamente. Não funcionou. Parei e comecei a ter umas ideias estranhas. Eu não sei porque eu comecei a pensar NISSO.

Mas eu projetei a minha mente em até as inúmeras mulheres que me escrevem ou me relatam pessoalmente que não conseguem aceitar seus corpos. Que dirá gostar ou amar.

Aí eu percebi realmente qual é a dor de um processo. Eu queria muito movimentar meus braços. Eu queria muito recuperar minha coordenação motora. Eu queria muito acender a luz.

Mas simplesmente não era possível. Existia um tempo necessário que eu precisava respeitar. E mesmo que eu não aceitasse a ideia da espera de jeito nenhum, a situação não modificaria.

(Meus braços naquele momento)

A sensação de retorno às funções sensoriais e motoras normais foi incômoda, dolorosa. Como é que aqueles caras do “The Walking Dead” saem andando por aí, se eles não têm circulação sanguínea?

Aí eu pensei… “Uma pessoa que passou boa parte da vida detestando o seu corpo com todas as forças não vai acordar se amando numa determinada manhã”

[SIM, que pensamento estranho!]

Curar as distorções de imagem corporal, pensamentos negativos sobre o corpo, aceitar o corpo que se tem e não fazer comparações mentais com alguma modelo/atriz/celebridadeÉ um processo. E essas ideias precisam ser desconstruídas aos poucos.

Se você toma a decisão de amar o seu corpo, primeiro você vai precisar ressignificar crenças. Passar pela contemplação mesmo que você, inicialmente, não goste, se acostumar com as suas características físicas, novamente: mesmo que você não goste. Aceitar o corpo que você enxerga, vive e sente. Reconhecer que mesmo que você não seja igual à mulher da capa da revista, você tem seus atributos físicos particulares e únicos, portanto, belos.

Ou, esperar o retorno gradual do controle e das sensações normais à região que sofreu um bloqueio do suprimento de sangue  (que associação de ideias BIZARRA…eu sei!)

É um processo. Não é simples. Não é rápido. Envolve desconforto e requer paciência. As coisas não vão acontecer mais rápido por causa da nossa pressa.

Digo isso porque, mesmo que eu não sofra de insatisfação corporal, eu tenho meus processos. Minhas dificuldades e minhas barreiras para transpor. E dói. Eu sei que dói. É frustrante. Você quer estar no topo da montanha, mas o caminho pedregoso não te permite.

Portanto, temos que entender que todo processo de cura e/ou mudança é um processo gradual. Não é instantâneo.

Além da nossa decisão, é necessário o nosso trabalho.


(“mexa o seu dedão” – EU na madrugada. [KILL BILL vol. 1, 2003] )

2) Caqui verde

A questão do caqui verde, é mais ou menos a mesma coisa.

Certo dia eu estava frustrada e irritada com um sentimento de tristeza e apatia que eu simplesmente não conseguia mandar embora. É horrível. É desconfortável. É o inaceitável que obrigatoriamente tem que ser aceitável).

Então eu vi dois caquis verdes na fruteira.

(Foi na fruteira, não foi na árvore. Mas é o que tem no banco de imagens…)

Aí eu pensei:

– Adianta gritar com o caqui?

– Adianta ameaçar o caqui?

– Adianta xingar o caqui?

– Adianta pedir ao universo que amadureça o caqui?

..Não. Ele não vai ficar laranja. Não agora. Mas no tempo certo.

Enfim,

Se você está passando por algum problema, processo de mudança, tratamento ou decisão de fazer algo diferente (amar seu corpo, aprender algo novo, modificar algum aspecto da sua alimentação, começar uma atividade física…)

Saiba que não é fácil. E é normal que não seja fácil. Não existe milagre e não existe estrada sem obstáculos.

Tudo que precisamos é reunir forças para tolerar o processo. Estou dizendo que tudo depende da “força de vontade” e assim vai ficar tudo bem? Não. Estou dizendo que olhar para as nossas feridas e cicatrizá-las é um processo árduo. Mas o caminho mais doloroso, infelizmente, é o caminho mais transformador e genuíno.

Não se contente com mudanças superficiais. Se comprometa com as profundas.

Mesmo que você não se dê conta, o caqui está ficando laranja… E o sangue está voltando.

Como Identificar e Tratar a Má Circulação Sanguínea

 

 

 

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3 ideias sobre “Braço morto e caqui verde

  1. Não sou Exposição. Autor do post

    Oi Maria. Eu sabia que o texto era estranho. Hahahaha …. foi uma das coisas mais estranhas que eu já pensei/escrevi. Mas que bom que você absorveu a mensagem (que eu confesso: transmiti de uma maneira muito esquisita!). Te desejo força no seu processo!

  2. Maria Consuelo Del Bel

    Confesso que no início me senti meio perdida com o texto, com vontade de pular frases, mas me tocou profundamente “Se você está passando por algum problema, processo de mudança, tratamento ou decisão de fazer algo diferente …”
    Estou passando por isso, tenho tricotilomania há + de 20 anos e estou tentando parar de tirar os cílios, e realmente é doloroso, os fios pequenos nascem como espinhos, causando dor nos olhos e a dor emocional de segurar a ansiedade é maior ainda.
    Mas vamos lá!
    “Mesmo que você não se dê conta, o caqui está ficando laranja… E o sangue está voltando.”
    Fiquei feliz e com mais força de vontade após a leitura, obrigada!

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