Eles também.

Recentemente publiquei um texto sobre o problema de padronização de tamanhos nas grandes lojas de departamento. O texto foi direcionado às mulheres, mas o leitor Eduardo Lucena ressaltou que este problema também atinge os homens.

Ao longo dos anos, a demanda para que o corpo do homem seja cada vez mais musculoso (transmitindo potência e virilidade) cresce e muitos rapazes buscam esse ideal de corpo para que tenham status e aceitabilidade social. Muitos usam métodos controversos e/ou ilícitos para manter os músculos definidos e aparentes, confundindo “ser grande” com valor pessoal. A vigorexia (obsessão pelo cultivo e manutenção da musculatura) cresce exponencialmente entre homens e mulheres, mas atinge maior número de pessoas do sexo masculino.

Os “sarados” sofrem por causa de uma rotina fatigante de treinos e alimentação monótona (mesmo que eles afirmem que estão adorando tudo isso… o corpo é castigado). Os “frangos” e os gordos sofrem reprovação e são ridicularizados.

(Delícia.)

É um perde-perde. Ninguém se beneficia com padrões corporais rígidos. Nem homens e nem mulheres.

Segue depoimento:

“Eu, por exemplo, sempre comprei roupas na R., depois de adulto, num shopping aqui perto. Não é apenas uma marca, é uma loja que deveria atender diversos tipos de públicos, clientes etc independente da marca que eles compram suas roupas para revender, ou como as fabricam, se for o caso. E de 2014 pra cá, tem sido uma tortura comprar roupas lá. Pois o bendito do “GG”, no lado masculino, não é mais um GG comum. Ele fica largo apenas nos braços, mas, no resto do corpo, fica totalmente justo. Bem o estilo daquelas camisetas que “só sarado usa”, pra mostrar o corpão. E não são poucas camisetas assim! Fora que, na maioria das vezes, você vê SOBRANDO peças P, M, G… mas, encontrar uma GG ou maior, é algo quase que impossível. E, quando encontro, acontece o que falei. Fora que sempre vou acompanhado de alguma amiga e olho a parte feminina da loja e o resultado é o mesmo. Acho engraçado que, as roupas GG dessas lojas, costumam ser mais compridas que as outras. Mas, dificilmente, são mais largas.

Pois bem… passei a acreditar que o problema, era comigo. Aí decidi mudar de loja. Fui lá no centro da cidade, numa loja pequena onde eu costumava comprar roupas até meus 17 anos. Onde, boa parte da minha vida, o GG sempre foi GG, pra gordinho, com uma confecção que caía super bem no meu corpo e não ficava com a malha colada. Mas, como já estava naquela coisa de “eu sou gordo, preciso de um número maior”, resolvi comprar um tamanho XG e, outra, XGG. Achei melhor nem provar a roupa na loja, pois tava com medo do resultado.

Cheguei em casa, fui vestir e, para a minha surpresa, as duas roupas ficaram ENORMES. A XGG quase chegou nos meus joelhos. Voltei na loja, conversei com a vendedora que me atendeu, ela entendeu e me disse que poderia trocar apenas pelo mesmo modelo. Troquei pelo tamanho GG. Ficaram perfeitas! E, além de tudo, são camisetas com um tecido de qualidade, resistente e com estampas e cores legais. Havia várias por lá.

Resumindo: Penso que é o cúmulo uma loja grande como a R. ter mais roupas voltadas especificamente para um determinado público, perdendo um cliente para uma loja menor, por não estar com tamanhos realmente adequados para todas as pessoas. E, o pior, fazendo com que elas se sintam péssimas apenas por sua aparência. Ainda bem que tô aprendendo a filtrar tudo isso, porque olha… Num mundo onde a maioria diz que o “certo” é ser sarado e o errado é ser gordo, quem está acima do peso é um verdadeiro sobrevivente!”

(FONTE: Parker & Pine (Canadá). “Nossa missão é simples: ajudar homens gordos a se vestirem bem.”

Por mais marcas com tamanhos inclusivos! Para todas as pessoas!

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Uma ideia sobre “Eles também.

  1. Érica

    Poxa, achava que só meu namorado tinha problemas pra comprar roupa… Ele é bem magro e eu sempre tenho que ir à luta com ele, é uma batalha pra conseguir algo que fique num tamanho bom e não tão largo, porque até o tamanho P pra homem está dando MUITO trabalho.

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