“Toma esse veneno”

A Ana Spoladore está cursando uma matéria na faculdade chamada “Autoconhecimento e Desenvolvimento Interpessoal” (gostaria de ter tido essa matéria…)

O professor solicitou que os alunos fizessem um texto sobre si mesmos se expressando em versos.

O texto dela é comovente.

Ana

Toma esse veneno, Disse sua mãe enquanto lhe dava brigadeiro. Nossa, que linda! Não engordou depois de todos esses dias!

Todo dia um controle externo Sobre o seu corpo era feito. Não é bonito para uma moça comer mais que um rapaz. Tem que ser pequena, delicada.

“Ela é grossa, é emburrada!”. Sempre as melhores qualidades ressaltadas. Não tinha sossego nas férias nem nas festinhas. “Soube que você caiu de boca na comida”

Aos 11 anos sua primeira dieta. Aos 13 anos começou academia. “Vamos ver se dessa vez dá certo.” Nunca dava.

Quando ficou doente e ficou internada “Ao menos se eu fosse magra…” é o que pensava.

Temiam que ela fosse piada entre os outros. Mas ela já o era dentro de casa. O assunto da família, todos os dias do ano. Seu peso viajava o Brasil. Anunciavam que havia emagrecido “Tá tão linda…”

Mas diziam que era com sua saúde que se preocupavam. Que saúde é essa que quando está magra é bonita e não saudável? Vai entender… ela nunca entendeu, apenas sofreu. Hoje pedem desculpas, hoje admitem “não deu certo”. Agora cabe a ela, mais uma vez sozinha, se encontrar. Encontrar o amor próprio que nunca foi encorajado No seio de sua família.

“Mas você é tão linda!” Pode até ser verdade e ela pode até saber. Mas não é como se sente. Todo dia a mesma luta, a mesma dúvida: Será que um dia vai gostar de si como é?

Mas não foi por mal, vão dizer. Nunca é. E também não é por mal que hoje tudo isso pode ser expresso Por meio deste verso.

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Uma ideia sobre ““Toma esse veneno”

  1. Andressa Salotto Corral

    será que um dia isso vai acabar??? será que um dia poderemos viver em paz com a gente mesmo?? muito comovente… creio que este texto resume a história de muitas pessoas que poderiam ter sido muito felizes mas que sofreram para alcançar um padrão de beleza ridículo que ao invés de trazer alegria só traz escuridão na alma. Sofri durante 5 anos que poderiam ter sido calmos, cheios de luz.

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