“O problema não sou eu! É a maldita roupa”.

O Blog “Mulheres que Se Transformam” (Curta no Facebook) é o mais novo parceiro do NSE. Periodicamente, contaremos com guest posts da Thaiana, que é psicóloga, e após ter lutado muito contra a insatisfação corporal, decidiu ajudar mulheres a se aceitarem, se amarem e transformarem suas vidas.

Hoje o espaço é dela!

Thaiana Vaz

“A roupa não te serviu? Culpa dela! E problema dela!

Não, eu não enlouqueci. Acompanhe meu raciocínio por um momento.

A lógica da indústria da moda é mais ou menos assim:

Vou fazer roupas minúsculas utilizando como parâmetro 1% da população mundial e vou querer vender essas mesmas roupas pros 99% restantes.

Faz sentido? Não.

As roupas são feitas pra uma “média” fictícia… Pois se fossem feitas pra uma média mesmo não seriam tão minúsculas! A população mundial engordou e as roupas? Continuam as mesmas?

Não. Menores ainda.

Faz sentido? Não.

Uma das consequências desse cenário é que temos um boom de lojas “especializadas” em tamanhos maiores (os famosos plus-size). Esse tipo de loja, que pra mim deveria se chamar simplesmente lojas de roupa, pois o que elas fazem é isso, vender roupa pros outros 99% da população, notaram que havia um vasto mercado inexplorado e resolveram então suprir a demanda. Não é caridade gente, é dinheiro.

Mas olha aí o pulo de gato, como são poucas as opções de lojas do tipo que possuam numeração maior, essas roupas costumam ser muito mais caras, mas muito mesmo.

Ou seja, se você é uma mulher que como 99% da população não veste 36, a chance de você encontrar roupas boas, de qualidade e com um preço justo é baixíssima.

O ponto é que quase não temos opções de escolha porque as modelagens são padronizadas e os corpos não são.

Existem mulheres altas, baixas, mais baixas, mais altas… E milhões de combinações possíveis.

Mulheres altas com quadril mais largo, com pouco quadril, com cintura mais fina, mais grossa, mulheres mais baixas com pouco quadril e bumbum, mais baixas e bem coxudas e com bumbum maior, altas e com bumbum maior… Ufa. Enfim, a lista é interminável.

E as roupas?

As roupas seguem um tamanho. PP, P, M, G e raramente um GG ou ainda seguem as numerações 34, 36, 38, 40,42 e assim em diante.

Certo. Mas e a modelagem?

Veja você, não tem como duas pessoas com a mesma alturacorpos diferentes usarem e vestirem com conforto a mesma calça.

Eu tenho 1,65m. Se eu colocar várias mulheres com 1,65m mas com diferentes proporções, é lógico que a mesma calça não vai servir! Mesmo se todas tiverem o mesmo peso.

(Todas essas mulheres têm o mesmo peso)

Então por que demônios nós enfiamos na cabeça que nós que temos que caber nas calças?

Mulheres, a roupa foi feita pra nos vestir e não o contrário.

É difícil, eu sei… Mas temos que levar em conta que infelizmente as roupas que são fabricadas no Brasil foram feitas por pessoas que odeiam as mulheres. Sim, odeiam. É a única razão que eu consigo ver pra fazerem um 40 tão MINÚSCULO. E cada vez menor.

Há 10 anos se eu fosse numa loja de departamento o tamanho 40 era um. Atualmente, arrisco dizer, ele é pelo menos 3 vezes menor. Sem contar a confusão de tamanhos… Cada loja e cada marca tem uma versão de uma calça 40. Meu armário agora, neste momento, tem 3 tamanhos diferentes e todos cabem em mim. Gente, só pode ser magia isso! Ou…. Tem algo de muito errado nesse rolê. Não há padronização de numeração.

Ou seja, você ai que está se matando pra entrar em um 36, eu te pergunto: qual deles?

O que eu vejo é que via de regra as roupas são feitas para caber em modelos e elas costumam ter um biótipo muito específico que chamarei de muito alta e muito magra, sem curvas.

Geralmente são adolescentes (a maioria tem menos de 20 anos) e pesam 1/5 do peso adequado considerando a altura. E tudo bem ser assim, não é um problema ser magra desse jeito (desde que seja natural, por favor!), isso é o biótipo delas. Mas não é o da maioria.

Muito menos da maioria das mulheres brasileiras.

Então ao invés de se desesperar porque a bendita calça não entrou, que tal ir a outra loja e provar de novo? Ou pegar um tamanho maior? Não é crime isso não. O importante é você se sentir bem independente do número da calça.

Lembrem-se e adotem pra vida: auto estima não depende de vestir 36!”

Texto de: Thaiana Vaz.

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