O meu amor é bem maior.

Segue o comentário de uma moça chamada Marcela, que foi publicado no meu Post direcionado à Blogueira (chorume) Fitness Gabriela Pugliesi.

A citação:

“Você engorda porque você come. Você engorda porque você não treina. Você engorda porque você não tem força de vontade.”

(PUGLIESI, Gabriela. 2016)

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(FONTE: Representativid’arte)

” Oi. Meu nome é Marcela, eu tenho 27 anos e me senti obrigada a comentar este post.
Vou resumir a minha história.

Quando eu tinha 13 anos, eu era muito magra. Tipo tamanho 36 (sempre fui bem alta, nessa idade já tinha mais de 1.70 m). E assim permaneceu até os meus 15 anos, quando fui ao psiquiatra pela primeira vez.

O diagnóstico demorou a ser realizado, mas aos 17 anos veio a “bomba”: sou bipolar. Pra quem não sabe, está doença não tem cura. E não, não é frescura. Minha vida se tornou um tratamento eterno: remédios, terapia, eletroconvulsoterapia (tratamento de choque).
Como eu era muito magra, no início eu fiquei “normal”. Pulei dos 54 kg para os 65.

Mas a doença não cedia. As crises eram constantes. Chegou a um ponto que tive que ser internada em uma clínica psiquiátrica. Eu não conseguia sequer lavar o cabelo. Tomava banho sentada no chão, de tanta fraqueza.

A comida virou uma “aliada”. Era uma das minhas (pouquíssimas) fontes de prazer. E eu ligo fui diagnosticada com compulsão alimentar. Sim, eu comia até a minha barriga doer. E só conseguia dormir assim, mesmo tomando mil ansiolíticos.

Aos 24 anos, já estava com 117 kg. Eu me olhava no espelho e não me reconhecia. Cadê a menina magricela que tinha raiva das pernas finas?

Foi muito difícil. Eu sentia que as pessoas me olhavam na rua. Não podia ver um grupo de amigos rindo, achava que era de mim.

Após muita conversa (e insistência do meu psiquiatra), meus pais toparam pagar a minha redução de estômagoFoi no dia 22 de Julho de 2013. Se é difícil não comer pra quem é “normal”, imagine pra alguém instável. Lutei muito. Consegui emagrecer 30 kg.
Hoje eu peso 87 kg. Vou à academia sempre que estou bem. Às vezes, vou literalmente me arrastando.

Mas, apesar de tudo, ainda não sou magra.
O que eu quero dizer com tudo isso é: essa pessoa que se acha uma lutadora porque acorda de manhã e vai malhar mesmo com preguiça não sabe o que é REALMENTE ter problemas com a balança. Sim, eu sou gorda. Apesar disso, morro de orgulho de vestir um jeans 44. Porque eu sei o quanto foi difícil chegar ao 44. O quanto eu dormi chorando por ter vontade de comer até doer a barriga e não poder. Quantas vezes eu não me senti desprezada pelos “homens” (que, pra mim, são moleques) por ser fora de um padrão de beleza inatingível até por aquelas que tem saúde.

Então, a minha mensagem é: foda-se, Pugliesi. Não me chame de preguiçosa. Eu uso 44, peso quase 90 kg, mas sou linda e, sobretudo, uma guerreira.”

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8 ideias sobre “O meu amor é bem maior.

  1. Érica

    Pugliesi não vive no mundo real, então esperar muito de uma pessoa como ela é querer demais. Bora viver a nossa vida da melhor maneira possível, porque nós somos gente de verdade e apesar de todos os obstáculos continuamos firmes. 🙂 Lindo texto da Marcela, isso sim é gente guerreira, assim como várias outras pessoas aí pelo mundão.

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