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4 ideias sobre “Você quer anunciar no NSE?

  1. tacp@tacp.com.br

    Até o último pedaço: um encontro de Comedores Compulsivos Anônimos

    publicado em sociedade por Larissa Bispo

    Depois do primeiro pedaço, para eles, é quase impossível parar de comer.
    Na sala do 13° andar de um edifício na Senador Dantas, rua do centro do Rio, não estão presentes “comilões”, “dragas” ou “gulosos”, mas alguns dos muitos brasileiros que sofrem do Transtorno do Comer Compulsivo – uma doença que deve ser levada a sério.

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    Parte de um corredor comprido, a pequena sala, com cadeiras formando um meio círculo e, ao fundo, uma grande janela empoeirada, sem persianas, é a sede dos encontros do CCA (Comedores Compulsivos Anônimos), irmandade administrada pela Junta de Serviços Gerais de Comedores Compulsivos Anônimos do Brasil (JUNCCAB). Sentados uns em frente aos outros, encontravam-se sete pessoas que procuram ajuda e ajudam uns aos outros na recuperação da doença.

    O único requisito para ser membro do CCA é o desejo de parar de comer compulsivamente e a irmandade não está vinculada a nenhuma organização, movimento político, ideologia ou doutrina religiosa. No site da irmandade, há perguntas as quais o possível Comedor Compulsivo pode fazer a si mesmo para saber se sofre, de fato, do transtorno. Glória, uma mulher de meia idade, de cabelos negros e curtos e de aproximadamente 80 quilos, foi a primeira a dar o depoimento, logo após sua leitura da primeira parte de um folheto, entregue a todos, que descreve a doença do comer compulsivo e apresenta os Doze Passos e as Doze Tradições, inspirados no programa dos Alcoólicos Anônimos. Com a voz triste, ela revela a dificuldade de as pessoas com quem convive entenderem o que é começar a comer e não conseguir parar. Segundo ela, “alguns alimentos são como uma verdadeira droga, mas as pessoas não conseguem enxergá-los como tal”. Gloria conta sobre os obstáculos enfrentados todos os dias diante de alimentos gordurosos e açucarados e dificuldade das pessoas de verem-na como um paciente, em tratamento. “Come só um pedacinho’ é uma frase que ouço sempre, mas quem a diz nunca entenderá como é ser como eu”, diz ela.

    O próximo a falar, William, frequentador das reuniões há 11 anos, revela que, há pouco tempo, tivera uma recaída e engordara 30 quilos. “É uma luta diária e é nas reuniões do CCA que eu encontro alívio, conforto e motivação para continuar. Quando como compulsivamente, sinto vergonha do meu próprio corpo e isso é horrível”, confessa ele. William é obeso e já passou por várias oscilações de peso. É possível perceber que a grande maioria deles – com exceção de William – está em forma, o que contradiz a primeira impressão de que comedores compulsivos são obesos e necessariamente estão acima do peso. A doença se manifesta não somente na obesidade – por vezes evitada em razão de outros transtornos alimentares, como a bulimia -, mas também na ansiedade, frustração e perda do autocontrole.

    Nos depoimentos de cada um, a rotina e o planejamento alimentar são citados como a parte mais difícil do tratamento e do controle da compulsão. Maria, de 30 anos e há dois dias em abstinência, explica que sempre evitou festas e comemorações, pela quantidade e oferta de alimentos. “Quando saio da ceia de Natal, é como se a ceia, na verdade, não saísse de mim. Eu continuo pensando nisso por dias”. Maria menciona que há alguns meses realiza atividades físicas regularmente e diz serem todos os dias uma luta, tanto em relação à doença e à busca pela abstinência da compulsão, quanto à manutenção do condicionamento físico. “Estou no quarto passo e, além dos exercícios físicos, criei maneiras próprias de comer: só como sentada e o ambiente deve estar tranquilo e iluminado”, revela ela. “Comer, para mim, exige concentração.”

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    Após a primeira rodada de leitura, ocorre a “dinâmica da Sétima Tradição”, na qual é passada uma sacola para receber doações. O CCA não aceita ajuda financeira externa, mas somente dos que se consideram membros. Isso evita qualquer dependência ou exposição do grupo, mantido pelos próprios membros e pela JUNCCAB. A doação de cada um é feita confidencialmente, não sendo revelados valores. Após a dinâmica, volta-se à leitura de um livro, distribuído para todos, que contém uma passagem para cada dia do ano. A leitura é acompanhada por novas declarações.

    “Estou há dois anos em abstinência, mas houve um tempo em que a compulsão era incontrolável ao ponto de conseguir comer um quilo de queijo de uma vez só, fatia por fatia.”, relembra Jorge, o coordenador da reunião. Transpassando muito confiança e determinação, ele afirma: “Hoje, tenho autocontrole, mas cada dia é um novo dia. Houve uma época em que eu não podia ir a nenhuma festa de criança com o meu filho, era um martírio para mim”. Jorge é padrinho de alguns membros, por já ter completado os 12 passos. O sistema de apadrinhamento é um dos instrumentos utilizados pelo CCA, que são: um planejamento alimentar; o sistema de apadrinhamento; as reuniões; o uso do telefone; a literatura aprovada pelo CCA, entre livros e folhetos; o anonimato e o serviço – cuidar do local das reuniões, dar assistência à novos membros e transmitir a mensagem do grupo aos que necessitam.

    Roberta frequenta há poucos meses as reuniões e fala da importância dos instrumentos no começo da procura pela abstinência: “Eu estou em processo de adaptação, não sei como lidar direto e ainda estou no segundo passo, mas os instrumentos me ajudam muito, me dão um caminho e um objetivo o qual alcançar. O primeiro passo e o mais difícil é, de fato, admitir a doença e isso eu já fiz”.

    É possível perceber, em cada um deles, a frustração e a vergonha que os assola, mas ao mesmo tempo, a confiança que sentem ao se ouvirem. Olhando para o chão ou encarando os olhos da pessoa que está falando, é transparente a sensação de pertencimento de cada um àquela reunião, àquele lugar, àquelas pessoas e, cada vez menos, à doença. A vontade de se verem livres de algo que os consome e traz consequências maléficas não só ao organismo, mas à autoestima e ao cotidiano dessas pessoas, é visível. “É uma luta constante, como o álcool ou as drogas, mas aqui nas reuniões, eu sinto que vocês são as únicas pessoas que realmente entendem como é ser eu”, diz Fernanda, que fala pouco e parece cansada durante as duas horas, mas se demonstra emocionada. Fernanda revela ser impossível, para ela, comer, por exemplo, só um biscoito do pacote e diz já ter ingerido alimentos congelados.

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    Após a leitura da passagem diária, há um momento de silêncio e abraço entre todos os participantes, evidenciando a ligação emocional que desenvolvem uns com os outros ao partilharem suas experiências. A todo o tempo, os presentes falam de um poder maior, que pode ser Deus ou qualquer outra força que os mova. O CCA não tem inclinação religiosa, mas a conexão espiritual é mencionada diversas vezes. Todos os membros presentes na reunião naquela noite de segunda feira deixam clara a importância das reuniões não só na vida deles, como na de todos os compulsivos anônimos que procuram um ambiente acolhedor para que possam aprender e serem ajudados com o transtorno. Todos têm acompanhamento nutricional, que não é promovido pelo CCA – o grupo oferece apenas auxílio no tratamento psicológico e espiritual da doença.

    Às oito e meia da noite, a reunião encerra-se. Todos formam uma roda e rezam uma oração própria do Comedores Compulsivos Anônimos, em coro e abraçados, em pé. Ao saírem, eles vão lidar com mais uma noite, mais uma luta, mais um jantar.

    [As reuniões do CCA acontecem em diversos estados brasileiros. Para obter informações a respeito dos horários e locais das reuniões, acesse o site http://www.comedorescompulsivos.org.br, mande um email para contato@comedorescompulsivos.org].

    Os nomes são fictícios, no intuito de preservar as identidades.

    © obvious: http://obviousmag.org/impermanencia/2016/ate-o-ultimo-pedaco-um-encontro-de-comedores-compulsivos-anonimos.html#ixzz44sdUgKqE
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  2. Christina Parente

    Oi
    Vc conhece algum/a nutricionista super legal em São José dos Campos?
    Acho que preciso de orientação, mas vou querer bater em um nutricionista que me mande “cortar glúten e lactose”, sendo que minha saúde está um espetáculo, rs
    Obrigada e beijos

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