A mulher modesta

Mulheres são MAIS do que corpos. Sabemos disso, ou procuramos sempre nos lembrar disso. Eu, ao menos, sempre procuro me lembrar disso.

Mas então nos vemos imersos em um turbilhão de objetificação feminina onde o corpo da mulher é representado das forma mais degradante possível. Isso não é legal. Mas no mundo da publicidade parece legítimo utilizar uma mulher NO LUGAR DE UMA MESA, para mostrar um produto, por exemplo.

Desde pequenas nos ensinam que uma mulher vale pelos seus atributos físicos [a mulher tem que ser bonita, e portanto, magra]…

É comum também o comentário de que a mulher que usa roupas justas e/ou curtas ‘’Não se dá o valor’’

[o VALOR, quem me dá, sou eu, muito obrigada.]

Aí surge também o discurso da MODÉSTIA. Da mulher que sabe se portar, se vestir de modo ~não provocativo~.

Assim como nesta publicação da Isabella Fiorentino:

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A mulher elegante e modesta é discreta, não mostra o corpo inadequadamente

( … )

Não usa roupas chamativas, escandalosas, indecentes, provocativas, colantes.

Se você é mulher e precisa se vestir de modo apropriado e decente, isso significa que o SEU CORPO é inapropriado e indecente. E a culpa de tudo cai, de novo, na nossa cabeça. Mesmo que ser uma mulher elegante e modesta tenha sido o intuito inicial. Cultivar a modéstia é uma forma de admitir que existe certa forma de indecência que acompanha o sexo feminino.

A questão é: seja afirmando que a mulher tem que ser SEXY, ou que ela tem que ser MODESTA… O foco da discussão permanece no corpo da mulher [e na sua nefasta e magnética influencia sobre o olhar do homem]

Ser pró-modéstia ou ‘’pró-sexy’’ mantém o foco da atenção no corpo das mulheres. Só que de jeitos diferentes.

O ato de se vestir não deveria ser um serviço aos homens e nem uma proteção contra o olhar deles.

O caráter de uma mulher não deveria ser medido a partir do que ela veste [ou deixa de vestir]

Se escolhemos roupas que enfatizam certas partes do corpo, ou optamos por esconder essas mesmas partes [seios, barriga, coxas etc], não muda a percepção de muitas mulheres têm de que elas estão sendo OBSERVADAS pelos outros. E isso nos deixa desconfortáveis ou mesmo envergonhadas. Acontece o fenômeno da auto-objetificação e pensamos sempre em como as outras pessoas olham para nós e qual a nossa aparência na perspectiva DO OUTRO naquele momento.

A questão não é cobrir o corpo profano e provocante que atiça o olhar do homem. A questão é colocar toda a discussão em cima do corpo da mulher como se ele fosse um PROBLEMA. Se você mostra, é problema. Se você esconde, também é problema.

(- Toda coberta até os olhos! Que cultura machista e cruel. – Nada coberto, só os olhos! que cultura machista e cruel!)

Recentemente, passei 20 dias sem me olhar no espelho [sem-me-olhar-no-espelho]. Foi uma experiencia interessante e notei como somos pendentes da nossa imagem e como importa para nós como o outro nos percebe. Afinal nos ensinaram que ser mulher é, sempre, ter uma boa aparência.

Então tira o batom vermelho

Olha a barra dessa saia

Olha a fenda desse vestido.

Passa um batonzinho, tá com cara de freira

Porque você não sai mais arrumadinha?

Poe um saltinho, só usa tenis

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Uma ideia sobre “A mulher modesta

  1. Ana Carolina Barros

    Gostei dessa ideia de passar 20 dias sem se olhar no espelho… vou tentar também. Mas é difícil, queremos estar apresentável, queremos que as pessoas nos respeite e boa aparência, tanto para homem quanto para mulher é importante. Mas para mulher é muito mais “pesado”, estamos sempre sendo julgadas se não estamos arrumadas somos esculachadas, se estamos arrumadas, somos vaidosas de mais. E isso tem que parar, mas como sera o mundo quando isso acabar? A aparência feminina é com certeza uma forma de dominação, de controle, em todas as culturas. A pergunta é até quando? Acho que a mudança tem que começar da gente!! 🙂

    Ps: conheci seu blog pelo OLGA e comentei dele la no meu blog é um post sobre comer consciente!! aqui ó: https://agorasouleve.wordpress.com/2015/11/14/mindful-eating-o-comer-consciente-3/

    Beijoss

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