Alguém que decidiu não se entregar

Segue o relato da Enya, que superou diversas dificuldades na vida e também um transtorno alimentar.

É um relato inspirador que nos mostra que SIM, existe saída…

Tudo começou em 2011, quando perdi meu pai vítima de um câncer terminal. As coisas ao meu redor começaram a desmoronar e eu não me sentia mais a mesma pessoa. Guardei muita tristeza, muito ódio, muita ansiedade, muito medo e mágoas em silêncio. Eu tinha apenas 14 anos e me sentia pressionada pela vida a crescer.

No ano seguinte, mudei de escola. Conheci novas pessoas, adquiri novas responsabilidades e oportunidades, mas ainda me sentia triste e cheia de mágoas internas. Alguns familiares e falsos amigos começaram a criticar meu peso e meu físico. A partir disso, as coisas realmente começaram a desmoronar…

Comecei a diminuir a quantidade de comida nas refeições e a exagerar nas atividades físicas. Perdi 8 kg, mas não me sentia magra o suficiente. Comecei a gerar um grande problema com isso. A preocupação com peso e comida crescia cada vez mais e se tornava um vício, comecei a me sentir fora de controle. Porções pequenas, porções maiores, exercício físico em excesso, balança indicando seu peso, laxantes e vômitos, essa era a realidade. Mesmo que não aparentasse e meu peso não baixasse mais, eu estava doente. Não era algo que eu simplesmente poderia esquecer e viver a vida normalmente, era um problema cotidiano que afetava toda minha vida. A tristeza era gigantesca e a saúde cada vez mais em decadência.

Cheguei ao ponto de querer sumir de verdade por não ver o número da balança menor. Joguei todos os problemas como culpa minha e me odiava cada vez mais. Eu era ‘’uma vergonha, um caso perdido, um erro, um descontrole total, uma garota sozinha e perdida em um mundo de transtornos alimentares’’. O espelho era meu inimigo. Não consegui estudar direito, briguei com meus amigos e familiares, não saí mais de casa, abandonei meu namorado e fiz minha mãe chorar muitas vezes. Eu estava perdendo minha vida e não enxergava mais futuro algum. E não, não é drama, acredite.

Iniciei um tratamento com uma psicóloga e uma nutricionista. Melhorei, mas não por completo. Iniciei um segundo tratamento que me trouxe mais resultados, porém minha terapeuta teve de me deixar. Me vi sozinha para vencer.

Em um fim de semana, fui visitar meu pai. Chorei muito. Prometi que eu venceria e seria forte como ele. Ele teria orgulho de mim.

A partir desse dia, minha decisão estava tomada. Eu venceria meus transtornos, e não só por mim. Eu não seria mais a filha e a irmã mais velha que estava sendo.

Minha mãe me matriculou em uma academia. Fui encontrando pequenas motivações para não desistir. Aliás, minha mãe fez muito por mim nessa época. Consegui vencer a anemia e recuperei boa parte da minha massa muscular.

Depois de frequentar a academia, conheci o jiu jítsu por intermédio de um trabalho escolar. Encontrei muita força, mesmo praticando á pouco tempo. Comecei a ter outra visão sobre a minha vida: eu tenho um grande futuro me esperando. A cada dia, me interessava mais por esportes e atividades físicas assim, que me faziam sentir viva e ter perspectiva de futuro.

Minha recuperação envolveu muita força de vontade. Recaí várias vezes, chorei muitas noites, meu estômago doeu e mesmo assim eu estava disposta a encarar essa luta em minha vida. Cada dia é uma vitória.

Agradeço muito a todos os profissionais que encontrei nesse caminho de recuperação. Eles foram muito importantes e fizeram a diferença.

Hoje, com 18 anos, revejo tudo que passei e me emociono muito. Não tenho vergonha do meu passado. Aprendi muitas coisas que desejo compartilhar com muita gente. Minha vida deu reviravoltas e eu abracei a ideia de trabalhar com o que me ajudou tanto, hoje curso educação física e não me arrependo em momento algum. Continuo praticando jiu jítsu e já fui em meu primeiro campeonato. Nunca quero deixar de lutar, em todos os aspectos. Fui apenas uma pessoa comum que quis vencer. Acordo todos os dias dizendo a mim mesma que consigo e sou boa suficiente. O espelho não é mais um inimigo.

Para você que lida com esse problema: coloque aquela música que você tanto ama, ouça com o coração e não pare de tentar. Chore até cair se precisar, mas não desista! Você merece mais! Há um grande futuro te esperando.

“Não entendi o óbvio, que o fardo não é maior do que eu posso carregar. Se a vida é um jogo então vamos ganhar!” – Ainda há tempo – Criolo

Meu nome é Enya Tiemi e eu sou uma vencedora! 🙂

enya

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