História de Bruna

Bruna TA

( Essa sou eu! 5 meses antes de ser internada e hoje em dia… Me dedicando a academia e me esforçando para dar uma alimentação saudável para meu corpo. )

Oi! Sou Bruna Gurgel. Eu sou um caso crônico de transtorno alimentar. Desenvolvi bulimia aos 10 anos e anorexia aos 12. Aos 16 anos cheguei a pesar 34kg tendo meu maior período de internação com duração de 3 meses no hospital e 10 meses de internação domiciliar — com enfermagem 24h me acompanhando dentro de casa. Depois desse período eu recuperei meu peso, “ganhei alta” do tratamento, comecei a tentar encontrar métodos de me manter viva sem enlouquecer. Resolvi entrar em uma academia. Foi a forma que eu encontrei de conseguir me alimentar sem a culpa me consumir. Mas, hoje em dia eu voltei a estudar. Eu precisava ter forças para ter outros focos e prioridades na vida que não fossem meu corpo. Hoje em dia falto a academia por falta de tempo. E não vou mentir que esporadicamente ainda acabo provocando o vomito em meio a minha jornada. Não vou mentir que as vezes ainda tenho o hábito de chorar em frente ao espelho por estar insatisfeita com minha aparencia. Não vou mentir que uma vez ou outra eu ainda pulo refeições. Não vou mentir que eu convivo com uma luta constante para não deixar tudo voltar a ser constante como antes. Não vou mentir que toda noite eu me sinto completamente desgastada por ter consumindo todas as minhas forças — até as que eu sempre acho que não tenho mais — para me manter no meu limite de saúde. Afinal, eu entendo que sou um caso crônico de Transtorno Alimentar. Hoje, tenho 20 anos. Foram 7 anos que a anorexia não só fez parte de mim, como passou a ser eu. Sendo os últimos 3 anos foi ela deixando de ser eu, mas passando a conviver de forma pacífica comigo. Atingi meu limite de cura, ou melhor, controle em relação ao TA. É triste. É triste saber que nunca terei uma relação de paz com meu corpo. Que nunca conseguirei ter um dia inteiro comendo besteiras sem me remoer de culpa. É triste saber que nunca conseguirei me olhar no espelho e sorrir com o fundo da minha alma. Mas, sinceramente… Eu estou viva hoje. Os médicos achavam que eu fosse morrer. Chegou um período que eu só andava em cadeira de rodas. Precisava de alguém que me desse banho. Perdi totalmente a minha independência. Meu coração parecia que iria parar a qualquer momento… É hoje eu estou aqui, viva. É quase que impossível uma doença que te deixa à beira da morte não te deixar sequelas. Eu fiquei com muitas, sendo as sequelas emocionais as mais difíceis de lidar. Estou escrevendo isso aqui porque acompanho tem bastante tempo o NSE e um pouco da força que eu falei que consigo no meu dia a dia é daqui que eu tiro. Tem muito tempo que tenho vontade de agradecer por isso. Obrigada  ❤

Bruna, tenho certeza que o seu testemunho pode ser um incentivo às pessoas que estão sofrendo de transtorno alimentar… Mas te digo uma coisa: nunca diga nunca. Podem acontecer coisas boas na sua vida e você poderá, um dia, se ver livre das sequelas dessa doença. Até porque você não precisa dizer ‘comer besteiras’. Não faça juízo moral da comida. Alimento é alimento. O que vai definir se  faz bem ou mal é a quantidade e a frequência do consumo. Os alimentos ”’ruins”’ só fazem dano ao organismo se forem consumidos em demasia.

Um abraço e muita sorte!!

 

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