Detectando transtornos alimentares

Recentemente recebi um recado de uma pessoa que dizia que estava desconfiada que uma parente de 14 anos estava desenvolvendo um transtorno alimentar.

E me perguntava, como se aproximar/abordar questões como essas?

Como lidar quando achamos que uma pessoa querida está sofrendo de um distúrbio alimentar?

Primeira coisa: quais são os sinais de alerta?

Helping Someone with an Eating Disorder

 

 

 

 

 

 

 

Pode ser complicado distinguir entre um transtorno alimentar pleno e simples preocupação com boa alimentação. À medida que a situação progride, os sinais começam a ficar mais claros. Mas é muito comum que quem sofre do transtorno esconda ou negue o problema, então é preciso identificar alguns comportamentos:

Restrição

Um dos indicativos mais óbvios e claros é o comportamento restritivo. A pessoa com distúrbio alimentar pula refeições com frequencia ou arruma desculpas para evitar comer (“eu já comi hoje”, “não estou com fome”, “estou com dor de estômago”, “estou meio enjoada”). A pessoa também pode afirmar que não gosta mais de comidas que antes apreciava muito.

Na hora que a pessoa efetivamente come, se serve de porções minúsculas, muito pequenas e/ou se alimenta exclusivamente de alimentos de baixa caloria ou diet. Também são importantes sinais de alerta: contar calorias obsessivamente, ler rótulos de alimentos e pesar porções. Não é comum entre os menores de idade, mas os mais velhos podem também fazer uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer como sibutramina ou anfetamina.

Compulsão

Algumas pessoas com transtorno alimentar se alimentam normalmente perto dos outros, e têm crises de compulsão escondidas. Normalmente à noite ou em algum lugar onde não serão surpreendidas. Sinais de compulsão são embalagens de comida encontradas no lixo, alimentos que repentinamente somem da geladeira e estoques de comida guardados no quarto (em maleiros e gavetas, e não no armário da cozinha)

magali

Compensação

Além de vômitos auto-induzidos, a pessoa pode jejuar, se exercitar exageradamente, usar diuréticos e/ou laxantes

É preciso estar alerta quando a pessoa “some” logo após uma refeição, e faz frequentes visitas ao banheiro. A pessoa que vomita após a refeição pode abrir a torneira ou o chuveiro para disfarçar o som quando entra no banheiro e também usar muito enxaguante bucal e pastilhas de hortelã/menta.

Imagem corporal distorcida e alterações na aparência

Perda ou ganho significativo de peso, e muitas flutuações de peso podem indicar que a pessoa tem uma relação desajustada com a comida.

A pessoa pode usar roupas largas, ou múltiplas camadas de roupa para esconder o corpo por vergonha ou para não denunciar uma perda pronunciada de peso.

Forte sinal é também a preocupação com a aparência, a imagem corporal distorcida, constantes reclamações sobre o próprio corpo (diz que está gorda mesmo estando visivelmente magra), passa muito tempo diante do espelho buscando e analisando “defeitos” e conversa muito sobre dietas, partes do corpo, insatisfação corporal e métodos de emagrecimento.

Sinais de alerta comuns:

– Preocupação com o corpo e peso
– Obsessão por calorias, comida e nutrição
– Fazer dieta constantemente, mesmo sendo uma pessoa magra
– Perda/ganho de peso rápido e inexplicável
– Tomar laxantes ou remédios para emagrecer
– Se exercitar compulsivamente
– Criar desculpas para não fazer refeições
– Evitar ocasiões sociais que envolvam comida
– Ir ao banheiro logo após a refeição
– Comer sozinho, à noite, em segredo
– Fazer estoques de comida calórica (e não guardar na cozinha)

Sendo estes os sinais, e você percebeu isso na conduta dos seus parentes ou amigos, como proceder?

Se a pessoa for menor de idade, é importante ter uma conversa com os pais, explicar a preocupação e os sinais que você detectou e o levaram a crer que um transtorno pode estar se desenvolvendo. Ressalte a importância do auxílio de profissionais da saúde. Os distúrbios alimentares têm melhor prognóstico se forem tratados precocemente. Detectar o problema no início faz uma enorme diferença.

Se você escolher falar diretamente com a pessoa, converse em particular e aborde o tema com delicadeza (ela pode estar defensiva ou estar com a autoestima tão baixa que não se acha merecedora de ajuda) e explique a sua preocupação. Pode ser difícil para a pessoa admitir que ela tem um problema, então procure ser paciente. Transmita a ela que você está confrontando o comportamento dela porque você se importa, e não porque você está irritado, decepcionado etc. Não critique e nem julgue, mas converse com a pessoa de modo que você possa plantar um interesse na recuperação, pois o problema alimentar pode estar causando sofrimento. Pode ser que a pessoa negue, resista, mas deixe claro que você está ali para apoiá-la. Diga que ela pode conversar com você sobre os seus problemas… Mas sempre proponha tratamento com psicoterapeuta! Não fale muito sobre peso, dieta, aspecto físico… Foque nas qualidades que ela tem. Diga que ela é uma pessoa capaz, inteligente, criativa etc.

Transtorno alimentar tem tratamento! Identifique os sinais e busque ajuda!

(esta é uma luta que você pode vencer!)

Anúncios

2 ideias sobre “Detectando transtornos alimentares

  1. Heloisa Carvalho

    Nossa, obrigada pelas dicas! Estou nessa preocupação com uma de minhas primas, ela tem apenas 9 anos. Além de notar alguns sinais, já percebi que a família não está ajudando muito, ela tem variado de peso e sempre vem aquela enxurrada de comentários sobre a aparência física quando ela engorda… Minha cunhada também já notou algumas coisas e estamos pensando em conversar com os pais, já falei com minha mãe (que adora criticar quem está acima do peso) sobre o reforço negativo que é feito sempre que isso acontece. Agora tenho mais subsídio para expor minha preocupação.

  2. Samantha

    Acompanho sua página e adoro seu trabalho. Esta mensagem é muito importante. No entanto, sinto que devo lembrar que não só pessoas magras têm transtornos alimentares, e estes sinais devem ser observados e tratados mesmo que a pessoa não perca peso ou seja gorda. Transtornos alimentares são sérios e podem levar à morte pessoas de qualquer peso. E eles geralmente começam pela pessoa ter sentido muita pressão externa por ser considerada acima do peso, e é importante detectá-los no começo.

Os comentários estão desativados.