Desfocando da beleza

“100 dicas de moda”

“segredos para cuidar da pele”

“Emagrecimento: antes & depois”

“os cabelos que eles gostam”

“truques de maquiagem em 1 minuto”

“O que você sempre quis saber sobre cirurgia plástica”

Todas essas mensagens foram vistas por mim em uma banca de revista recentemente. No dia-a-dia, não é difícil sofrer um bombardeio de anúncios dizendo “fique mais bonita”. Aí eu fiquei pensando… Será que nós, mulheres, não temos permissão para nos ocuparmos de outras coisas?

Essa loucura é tóxica. A cultura é tóxica. De algum modo isso precisa parar. Senão nós vamos acabar doidas (se é que já não o estamos). Ideais inatingíveis de beleza são vendidos às mulheres e jovens garotas e nos ensinam a focar na aparência (portanto, na atratividade) em detrimento de todas as outras coisas que existem na vida. Quando ficamos obcecadas com a beleza como único aspecto de nossas vidas, nossos relacionamentos sofrem o impacto. O nosso humor é afetado. Nosso amor próprio vai embora pelo ralo e os sentimentos de empoderamento desaparecem.

Não podemos desenvolver poder e autonomia sentindo vergonha do nosso corpo, acreditando que ele precisa ser sempre escondido e/ou modificado de alguma maneira.

As mensagens midiáticas têm grande parcela de responsabilidade por passar às jovens a ideia de que elas SÃO o seu corpo. Existem para serem olhadas, analisadas, inspecionadas e julgadas pelo olhar do outro…E nada mais.

Olhe ao seu redor neste momento e identifique a quantidade de mensagens que visam o lucro nos dizendo que: nós não somos o suficiente. É hora de mudar este pensamento. Não é possível que ser “gostosa” tenha se convertido na nossa razão de viver. É importante questionar esta ideia porque quando descobrimos que as coisas não são assim, nossas vidas mudam.

Infelizmente as mensagens sobre como “ser bonita” estão causando competição entre as mulheres e nos dividindo. Vemos umas às outras como inimigas.

É complicado vivenciar a riqueza dos laços afetivos com outras mulheres quando ficamos obcecadas com o aspecto do nosso corpo. A dor e a vergonha que sentimos dos nossos corpos às vezes faz com que critiquemos outros tipos físicos para nos sentirmos melhor.

Então surgem comentários do tipo “homem gosta de ter onde pegar”, “quem gosta de osso é cachorro”. Isso é uma estratégia.A ideia é diminuir as mulheres magras e ridicularizar um tipo de corpo em detrimento de outros. E isso não é verdadeira positividade.

(“Dane-se a sociedade, ISSO é mais atraente do que ISSO” – mensagem que deprecia um tipo de corpo em detrimento de outro, e que não é positiva)

Menosprezar mulheres magras ou que de alguma maneira se encaixam nos padrões de beleza não é uma forma verdadeira de promover positividade corporal.

A questão é que quando criticamos um tipo físico para enaltecer outro, colocamos o foco na aparência física novamente. Mas nós precisamos lembrar que temos muitas capacidades e não importa se nosso corpo é alto ou baixo, grande ou pequeno. Não vale a pena querer se sentir melhor menosprezando o corpo do outro.

Meninas e mulheres que se sentem BEM em relação a seus corpos irão cuidar melhor de si mesmas, fazer exercício regularmente e fazer escolhas alimentares mais saudáveis. Por esta razão a autoaceitação é um processo tão importante.

Dizer que mulheres “com curvas” são melhores do que as magras é um desserviço para todas as mulheres. Por isso precisamos redefinir a beleza para que seu significado seja mais amplo, incluindo, também, qualidades não-físicas.

O que podemos fazer para melhorar esta situação?

– Fale abertamente sobre como a objetificação corporal promovida pela mídia pode contribuir para fixação com a aparência, transtornos alimentares, sedentarismo motivado pela vergonha do corpo, maus hábitos alimentares (pela falta de ânimo e insegurança) e outros problemas que se relacionam com a vergonha do corpo.

– Não critique o corpo das pessoas porque isso não promove saúde, autoestima e nem felicidade.

– Tenha um olhar crítico em relação aos posts nas redes sociais sobre corpo, saúde e beleza. Às vezes a mensagem implícita pode ser nociva (culbabilizando indivíduos por seus problemas de saúde ou desmerecendo/ridicularizando algum tipo físico)

– Se valorize por sua personalidade, palavras e ações e não única e somente por seu aspecto físico

– Boicote marcas que objetificam a mulher para vender e/ou que se dirigem ao público de modo preconceituoso e machista.

– Use as redes sociais para passar mensagens respeitosas, positivas e edificantes (e não para tirar sarro das pessoas e reforçar a mentalidade de dieta)

– Elogie as meninas por sua personalidade e capacidade, e não somente sobre o quanto são “bonitinhas”

E você? Tem alguma ideia legal para tirar o foco da aparência e valorizar verdadeiras qualidades?

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8 ideias sobre “Desfocando da beleza

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  2. Beatriz

    PACO ME REPRESENTE TOTAL!! Nessa loucura toda de cobrança as mulheres, acabo ficando agitada e culpada o tempo inteiro, por tudo. Quando venho aqui me sinto aliviada, uma paz. Como se alguém fizesse um cafune em mim… Muito, muito, muito obrigada Paco!

  3. Naddie

    Ai, todo mundo deveria ler esse blog, sério mesmo. Acho importante essa análise sobre auto-aceitação, o que não falta é paladino da “vida saudável” condicionando aceitação com aparência física. A pessoa quando se gosta, automaticamente faz o melhor pra si.

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