Você vale mais do que a sua dieta (por Annette Sloan)

Você já desejou que pudesse se reinventar e começar do zero em um lugar onde ninguém te conheça? Você está ansiosa pela faculdade exatamente por esta razão? Quando eu tinha 18 anos, eu estava junto com você. Eu mal podia esperar para introduzir a nova-e-melhorada Annette ao mundo.

Eu tinha ideias específicas sobre como seria essa nova versão minha, mas uma palavra se destacava em relação ao resto: saudável.

Perfeitamente saudável, na realidade. Todos admirariam a Annette Universitária por sua força de vontade e comprometimento com a vida saudável (sem mencionar a inveja do corpo bonito e pele brilhante que viria em decorrência disso). Como resultado da sua saúde, a Annette Universitária seria bonita, confiante e feliz.

Armada com essa intenção, eu cheguei para o meu ano de caloura, pronta para  impressionar a todos. No nosso primeiro final de semana no dormitório, eu e a minha colega de quarto fizemos um estoque de frutas, nozes e outros petiscos saudáveis que teríamos disponíveis. Na cafeteria, eu escolhia aveia, ovos cozidos e meia toranja no café da manhã. O almoço e jantar variavam, mas eu sempre fazia questão de ter vegetais no meu prato e me servir de porções moderadas.

No segundo semestre do meu ano de caloura, eu tive uma disciplina sobre Nutrição. Enquanto eu aprendia coisas como gordura ômega-3 e fitoquímicos, eu integrava esses novos conhecimentos nas minhas escolhas alimentares diárias. Na minha cabeça, eu comecei a classificar todos os alimentos como “bons” ou “ruins” – E claro que eu optei por escolher as “boas” comidas.

Você pode estar se perguntando “Então, qual é o problema? Você estava se educando e fazendo escolhas saudáveis. Não é este o objetivo de todos nós?”

Eis o problema: eu não estava fazendo escolhas saudáveis porque eu verdadeiramente queria. Eu estava fazendo escolhas saudáveis porque eu achava que devia. Em algum lugar do caminho, eu igualei saúde e valor pessoal. Como resultado, eu acreditava que eu só tinha valor quando me alimentava de maneira saudável. Eu me forcei muito a seguir minhas regras alimentares inflexíveis – o que inevitavelmente deixou-me sentindo privada. Como resultado, eu comecei a comer alimentos ruins em segredo (porque eu não podia deixar ninguém saber que na verdade eu não tinha disciplina). Ao longo do tempo, isso se tornou em uma batalha contínua e repleta de vergonha contra a compulsão alimentar que durou toda a faculdade e a maior parte dos meus 20 anos.

Olhando para trás, eu posso enxergar claramente que a minha jornada estava amaldiçoada desde o princípío. Agora eu sei que a raiz da nossa motivação interessa. Existe uma profunda diferença entre “eu quero comer de modo saudável porque eu sei que eu mereço me sentir bem” e “eu quero comer de modo saudável para que as pessoas admirem a minha disciplina e meu corpo bonito.” A primeira se origina de uma autoestima sólida, enquanto a segunda se origina de baixa autoestima.

Se eu pudesse, voltaria e daria ao meu Eu de 18 anos o seguinte conselho:

“Annette, eu compreendo que você quer ser saudável – mas sabe o que é mais importante do que isso? Ter um senso forte de autovalorização. Seu valor não está conectado ao que você come, ou à aparência do seu corpo, ou ao que as pessoas pensam sobre você. Você tem valor exatamente como é – valor é seu direito de nascença. Quando você verdadeiramente acreditar nisso, tudo o mais irá se encaixar.”

O texto original de Annette Sloan pode ser encontrado AQUI.

Anúncios

2 ideias sobre “Você vale mais do que a sua dieta (por Annette Sloan)

  1. Veronica

    Excelentes reflexões! Aliás, melhorar essa distorção da auto-estima (vir de fora quando deveria ser interna), é abordada de forma prática, leve e divertida no livro “Self Compassion”, de Kristin Neff (em inglês ou espanhol, impresso ou e-book). Ela aprofunda o tema e nos ensina a cultivar a compaixão por nós mesmos, o que leva ao amor próprio e noção clara do nosso próprio valor, ESPECIALMENTE nos momentos mais difíceis. Acabei com a mania de medir meu valor pela opinião alheia, pela régua ‘do mundo’, pelos fracassos x êxitos e aprendi a falar comigo mesma de forma amorosa (sabem aquela vozinha interna? Pode ser um apoio, um consolo, um colo, e não um dedo em riste), a me aceitar e a me transformar dentro das minhas possibilidades. Recomendo demais!

  2. Amanda

    Eu estava me sentindo exatamente assim. Tentava ser saudável, mas toda vez que falhava, me sentia “suja”. Recentemente li o livro da Sophie Deram, que me fez abrir os olhos e me sentir bem melhor comigo mesma.
    Tenho um blog sobre guarda-roupa minimalista, caso vc se interesse pela ideia!
    http://amandices.com

Os comentários estão desativados.