Minha alimentação é conturbada?

No texto de hoje, quero compartilhar uma informação que achei interessante.

Já mencionei várias vezes que uma boa relação com os alimentos é mais importante do que o peso ou a aparência do nosso corpo. Às vezes nós podemos fazer modificações positivas na nossa rotina que não refletem no nosso peso, mas que fazem toda a diferença na QUALIDADE de vida. A estabilidade é mais importante do que o peso em si e como diz a minha amiga Sophie Deram, é importante comer melhor e não menos.

No entanto, como saber se a sua relação com a comida anda conturbada?

A Evelyn Tribole é autora do livro “Intuitive Eating” e ela tem uma lista de comportamentos que indicam que o comportamento alimentar anda perturbado. É o seguinte:

– Cortar carboidratos

Os carboidratos não fazem mal e compõem a base da nossa alimentação. Cortar esse grupo alimentar deixa o corpo estressado e o cérebro precisa se virar para funcionar por uma via alternativa, que são os corpos cetônicos. Resultado? Fadiga, dor de cabeça, letargia mental, fraqueza muscular e cetose.

– Comer somente alimentos “seguros”, “limpos” ou “orgânicos”.

Aqui, um transtorno alimentar chamado ortorexia pode estar se desenvolvendo: é a obsessão por alimentos limpos e seguros que chega a comprometer a vida social e a saúde. Além disso, o maior problema é definir o que seria a tal comida segura/limpa/permitida.

Para os vegetarianos, seguro é não comer carne.

Para os veganos, seguro é cortar todos os alimentos de origem animal.

(‘veganos, em geral, não acham alimentos de origem animal perigosos. O problema é o sofrimento animal.’ – adendo da leitora Taís)

Para quem faz musculação, a perfeição alimentar é viver de peito de frango desfiado, whey protein e batata doce. Nada de frutas. Nada de gorduras!

O governo alerta para o consumo de: gorduras saturadas, carne vermelha, sódio e alimentos processados.

Quem segue a linha Paleo, dirá que o problema está: nos grãos, leguminosas, laticínios,sal, açúcar, álcool…

O problema é o pão. O vilão é o colesterol. O leite é tóxico. As frutas estragam o shape. Não pode ter glúten, nem lactose…  Ovo é ruim. Ovo é bom. Comida industrializada faz mal, no entanto o consumo dos diet/light é livre.

A questão é que para cada alimento, existirá uma linha de discurso dizendo que ele é perigoso/problemático. E o indivíduo pode ter a maior boa vontade do mundo em seguir um padrão alimentar que seja saudável e seguro… Mas o excesso de terrorismo & informação pode, literalmente, nos deixar doidos.

– Não comer à noite.

É o famoso mito do “cortar carboidrato após as 18hs” (gente, eu como carboidratos à noite e juro que está tudo OK com a minha saúde) ou a tática de ficar sem jantar. É uma aflição tremenda que ninguém consegue manter por muito tempo (a não ser que já se tenha instalado um transtorno alimentar sério…). Pular a janta ou tentar passar metade do dia à base de shakes, sucos ou caldo de legumes é um verdadeiro gatilho para episódios de compulsão.

Enganar a fome tomando café e refrigerante diet.

Não é legal enganar a fome. Porque além de ser um recado do corpo que merece ser ouvido e atendido, ela é mais esperta do que a gente. De uma maneira ou de outra, a fome dará a cartada final (muito provavelmente na forma de um episódio de compulsão). Além de ser um péssimo hábito abusar dessas bebidas negras que enfraquecem os ossos e nos deixam dependentes da cafeína. A situação fica um tanto mais feia quando o cigarro entra em cena. Quantas pessoas mantêm um corpo MAGRO à base de cigarro e cafezinho… ? E a saúde mandou um abraço

 – Não se permite fugir da dieta em celebrações e eventos.

Aqui o comer transtornado já atingiu o nível “marmita em casamento”. Não se fazem necessários adendos.

– Não come alimentos com glúten com o único objetivo de perder peso.

Já falei várias vezes aqui no NSE: quem tem alergia ao glúten ou doença celíaca precisa cortá-lo da alimentação. Tudo o que for diferente disso é modismo.

info

– Compensa exageros alimentares com abuso de atividade física.

Nestes casos, um bombom se transforma num louco subir-e-descer de um lance de escadas ou numa série de abdominais às escondidas no quarto. Certa vez expliquei para uma moça que o abuso de exercícios físicos para compensar a alimentação também era uma forma de transtorno alimentar. A garota não sabia disso e depois que conversamos, procurou ajuda especializada.

Você se vê em um ou mais desses tópicos? Você pode ter um comportamento alimentar conturbado.

Pense nisso e, se necessário, procure ajuda.

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9 ideias sobre “Minha alimentação é conturbada?

  1. Giuliana

    Achei ótimo seu texto!!!
    Vejo que a minha geração ~20 até 30 anos…~, se inspira cada vez mais em insta-ídolos tipo Gabriela Pugliesi, etc…que cultuam o corpo e SOMENTE o corpo, e tudo é ”clean food”, e exercícios sem fiim…e menos ”viver a vida com mais leveza”, menos pressão, menos cobrança, menos culto ao corpo e mais culto à felicidade. Fico triste, mas tenho 24 anos e sei que preciso emagrecer uns quilinhos, e mesmo assim me sinto ás vezes pressionada por esses ‘míseros’ quilos e por comer uma massa, um lanche ou algo mais pesado de vez em quando. Se essa é uma geração saúde, a próxima deveria ser geração saúde mental!

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  3. Claudia Silva

    Paola adorei seu texto. Tenho kgs a perder por questoes de saude (hipertensao, problemas articulares) e sempre me vejo muito em conflito com as restricoes que me sao recomendadas – tirar gluten sem ser celiaca, principalmente. Prefiro adorar a versao ZERO NADA, MENOS TUDO. Comer com bom senso. Seria muito bom se mais nutricionistas adotassem essa abordagem menos maniqueista com os alimentos. A gente busca ajuda e sai mais neurotico do consultorio, as vezes!

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