História de Ana Beatriz

A Ana Beatriz enviou um e-mail contando a sua experiência. Creio que relatos assim podem tocar muitas pessoas, para que percebamos que não estamos sozinhos na nossa dificuldade.
Segue o relato:
“Olá. Meu nome é Ana Beatriz, 19 anos, do interior de São Paulo. 
Eu não sei se você recebe muitos e-mails, não sei se vai ler este. Mas eu gostaria que soubesse que o seu blog, suas postagens, me ajudaram imensamente a sair da espiral de loucura e tristeza em que eu estive por bastante tempo.
Minha história é como a de muitas garotas da minha idade; constituição física normal, saudável, nada realmente para reclamar – e mil autoacusações na ponta da língua. Eu fui criada para ser insatisfeita. Eu fui criada para me odiar. Eu NÃO PODIA me sentir bem! Você sabe melhor que a maioria sobre a ditadura da magreza, vai entender.
Barriguinha protuberante, seios maiores que a média, bunda flácida. Bem normal. Mas olhar no espelho era uma tortura, uma ofensa. Eu sentia desprezo, vergonha e, depois dos 70kg, eu sentia nojo.
(Cada vez que eu olho no espelho eu digo “odeio meu corpo”. Todas as vezes…)
Junto com os corpos “perfeitos” das revistas e da internet vêm as dietas. Eu fiz muitas… lógico que todas sem sucesso. Quando o desespero já estava tomando conta, eu senti ter achado aquela especial, a possível – “essa vai dar certo, tem livro sobre ela!”.
A Dukan.
A Dieta Dukan, pra quem é leigo, parece realmente que funciona. As contas são simples, as orientações são claras, as quatros fases bem definidas. E na “avaliação” pelo site, que especificava quantos dias exatamente eu demoraria pra atingir meu peso ideal, tinha a figura de uma mulher em forma comemorando no fim do percurso. Eu queria ser aquela mulher, e já tinha a data exata pra conseguir: 258 dias se começasse no dia seguinte. Pronto, no fim do ano eu poderia ser feliz. Eu poderia usar biquini. Eu poderia viver.
Encontrei um grupo no Facebook com mais de 2000 pessoas seguidoras da Dukan, as “Divas Light”. Era o apoio que eu precisava.
E eu comecei mesmo no outro dia. Passei da minha alimentação regular do dia anterior para consuimir apenas peito de peru, queijo frescal, leite desnatado e ovo durante os próximos três dias. Era basicamente isso que Pierre Dukan me disse pra fazer. As Divas Light diziam que era mesmo difícil no começo. Não podia dar errado, podia?
Podia.
No primeiro dia eu me senti mal. No segundo eu já não conseguia levantar do sofá. As coisas “permitidas” me embrulhavam o estômago, e eu estava com uma fome imensa, mas já sem vontade de comer, parecia que ia vomitar se tentasse comer. E eu não queria desistir ali… ia melhorar na fase dois, todas diziam.
Minha mãe, felizmente, me fez parar com isso. Eu voltei a comer no terceiro dia.
“Desisti. Fracassada. Nem pra isso eu servia. Eu merecia ser gorda e horrível pelo resto da vida, se não tinha determinação pra emagrecer.”
Era só nisso que eu conseguia pensar… e, não por coincidência, quatro semanas depois eu estava num consultório ouvindo de uma psicóloga que estava com depressão. 
Passada a pior fase, a aceitação, eu consegui pensar com clareza sobre o que eu tinha feito, e se eu precisava mesmo me odiar tanto. Será que eu estava mesmo tão errada? 
Parti pra internet para ver se mais alguém no mundo tinha a audácia de pensar que não precisava seguir as regras do jogo. Encontrei o “GENTA”. O “O Corpo é Meu”. E, o principal, Não Sou Exposição
Eu li a maioria das postagens do blog em alguns dias. Foi como ter uma epifania. Eu sempre quis me amar… mas nunca achei que eu pudesse. Aqui eu aprendi que eu PODIA. Que eu DEVIA. Que errado é quem não faz isso, e se tortura por ilusões, seguindo absurdos como Dukan e Herbalife (que eu também tentei).
Eu agradeço demais pelo seu esforço, pela sua dedicação. Você ajudou a mudar a minha vida, me mostrou que eu posso ser feliz como sou, que peso não define valor de ninguém. E melhor ainda, eu vi essa mudança acontecer também com outras pessoas, depois de plantar as mesmas ideias de autoaceitação e valorização como alternativa à loucura destrutiva a que estamos acostumados.
(“ame o seu corpo”)
Não escrevi esse texto com nenhum outro propósito além de te agradecer pessoalmente por manter este blog. E se, em algum momento você tiver alguma dúvida sobre o papel que pode ter na vida de alguém, saiba que, ao menos pra mim, fez toda a diferença. Obrigada!
Ah, e hoje, 2 anos depois de tudo… Eu sou feliz.
Eu sou um pessoa incrível. E, principalmente, EU NÃO SOU EXPOSIÇÃO! ❤ “
Ana: fico muito feliz com o seu depoimento, pelo agradecimento, e principalmente, pela sua superação. Você é uma pessoa incrível, não tenho dúvidas! São retornos positivos como o seu que me motivam a seguir em frente!
Quanto ao Pierre, nem vou falar nada, apenas:

 

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