#gorduranãoésentimento

Muito satisfeita com a conquista da organização Endangered Bodies de remover do Facebook o emoji “gorda” como indicativo de sentimento.

vitoria

 

Por que é tão importante compreendermos que gordura não é sentimento?

Segue vídeo e tradução:

 “Me lembro de me achar gorda quando eu tinha quatro anos de idade. Eu me lembro de me posicionar na barra na aula de ballet, olhando no espelho e comparando meu corpo com o de todas as demais.

Me lembro de usar comida para lidar com as minhas dificuldades emocionais desde muito jovem.

Por fora, eu tinha um grande privilégio ao meu redor enquanto eu crescia, o que fez ficar complicado viver em meio à dor na minha mente e o trauma dentro do meu corpo.

Comecei a passar fome aos 11 anos. Lutei contra transtornos alimentares, principalmente bulimia, por uma década.

Eu fui assediada durante um ano e meio no ensino médio e estuprada no meu primeiro ano de faculdade na semana anterior à morte do meu irmão mais novo, que foi atropelado por um carro.

Dois anos depois, eu estava sentada no chão do meu quarto com a minha melhor amiga e expus a minha vida trauma por trauma e tive uma grande epifania:

– eu estava me matando.

Eu ativamente pus meu corpo em risco por 10 anos. Outras pessoas violaram meu corpo. E meu irmão não tinha mais corpo nenhum.

Todos ganham apenas um corpo em sua vida. Eu sabia que eu precisava começar a tratar o meu de forma diferente. Eu fiz a escolha de amar o meu corpo pelo resto da minha vida. Todos os dias.

A recuperação foi como descascar camadas de uma cebola.

Primeiro, eu prometi a mim mesma que vomitar jamais seria uma opção. Eu aprendi a conviver com a sensação de não vomitar.

E então, não ter compulsão.

E então, não comer emocionalmente.

E então, não temer a comida.

E então, não temer o meu corpo.

E eu aprendi que como eu como e me movimento precisa vir diretamente de dentro de mim. Foi preciso muita prática. E eu aprendi a arte do comer intuitivo, onde eu como: o que eu quero, quando eu quero. Como quando tenho fome e paro quando estou satisfeita.

E essa foi a prática tangível que, sozinha, me manteve completamente recuperada pelos últimos dez anos.

Eu testemunhei todos os meios que o mundo diz para os corpos não se amarem. Desde a indústria bilionária das dietas à guerra, racismo, homofobia, machismo, capacitismo e todas as formas de opressão. E eu sei que a escolha de amar meu corpo é revolucionária para minha capacidade de viver no meu próprio corpo e também a chave que me permite amar e respeitar o corpo das outras pessoas.

Porque eu fiz a escolha de me recuperar completamente, eu decidi que cada dia não precisa ser uma batalha. Eu aprendi a conviver com meus sentimentos, sentir tudo e esperar. E é completamente intoxicante. E mesmo que eu ame meu corpo todo, há momentos difíceis.

E algumas vezes, eu me sinto gorda. E quando eu acho que me sinto gorda, eu me lembro que “gorda” não é um sentimento.

NÃO EXISTE ISSO DE SE SENTIR GORDA.

Então quando eu me sinto gorda, eu sei que isso significa que eu estou sentindo outra coisa e vale a pena descobrir o que é.

Especialmente nesses momentos, eu respiro devagar e profundamente. E me lembro que a habilidade do meu corpo de fazer isso incessantemente, inconscientemente e involuntariamente é um milagre. Eu escolho ser grata nesses momentos. Grata por tudo o que meu corpo pode fazer e todas as conquistas que meu corpo fez. Eu escolho amar meu corpo.”

Escrito e performado por: Caroline Rothstein.

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