Carta da autora

O NSE está de volta, após um período de férias e reflexão.

Assim que voltei, me deparei com um e-mail anônimo cruel, sarcástico, ácido e maldoso feito com toda a intenção do mundo de me machucar. E é claro que me machucou. Machucou muito. Não vou responder nada sobre ele aqui, nem dizer do que se tratava. Não vou dizer frases prontas sobre “inveja é sinal de que você está crescendo” e nem que é tudo “recalque”. Não é. É maldade mesmo, e só quem sofre um ataque de palavras sabe que elas podem ferir tanto quanto golpes de chicote. A crueldade foi tanta que eu pude sentir a sua consistência pegajosa.

A tela do computador é uma barreira de proteção para que as pessoas cometam as maiores atrocidades movidas pelo ódio.

Ódio por mim e pelo meu Blog. E por que?

Eu acredito que o valor das pessoas não reside no corpo que elas têm.

Eu acredito que nenhuma pessoa deveria sentir vergonha do próprio corpo.

Eu acredito que não deveríamos ridicularizar as características físicas uns dos outros.

Eu acredito que eu não SOU a minha aparência. Eu sou muito mais do que isso.

Eu acredito que: 98% das mulheres do mundo estarem insatisfeitas com seu corpo é uma estatística alarmante e injusta.

Eu acredito que a obsessão por beleza e emagrecimento é um problema de saúde mental coletiva tão preocupante quanto qualquer tipo de doença crônica.

Eu não acho razoável e nem normal que vivamos numa sociedade onde crianças fazem dieta e adolescentes vomitam o almoço.

Eu acredito que não deveria ser normal o mal estar que as pessoas sentem diante do espelho.

Eu não acho que seja normal que uma parcela considerável da população adulta não consiga se alimentar sem estar de dieta.

Não acredito que deveríamos ter um número cada vez mais crescente de transtornos alimentares e de imagem corporal entre os jovens, adultos e até idosos.

Eu não acho justo que exista uma exploração mercadológica em cima dos sentimentos e do desejo de aceitação das pessoas.

Não acredito que seja uma coisa normal termos uma multidão de gente sofrendo porque não suporta habitar a própria pele.

Não acho aceitável a quantidade de sofrimentos, transtornos e desconfortos causados por um padrão corporal exclusivista e que não favorece a vida, somente morte. Morte do corpo, morte da espontaneidade, morte dos sonhos, morte da alegria de viver em paz.

A beleza precisa ser redefinida. A saúde precisa deixar de ser mercantilizada.

Eu luto por isso.

Por este motivo, existem pessoas que me odeiam. Que querem meu mal. Que me tiram sarro. Que querem me desviar do meu rumo.

Eu não ganho nada com este trabalho, só me desgasto. Mas cada retorno positivo me faz lembrar que vale a pena continuar. Há muitos depoimentos aqui neste Blog para confirmar isso.

Merecemos viver a nossa vida com plenitude, merecemos viver sem vergonha e sem impedimentos, merecemos celebrar as faculdades de nossos corpos, merecemos viver sem rédeas. O corpo não existe para ser engessado, controlado, enrijecido.

Eu sempre digo que precisamos de um tempo para cuidar de nós… Recolhimento, autoconhecimento, tratamento. Às vezes toda a nossa rotina nos exaure muito e precisamos de um tempo para reorganizar-nos.

O e-mail que recebi hoje me fez ver que eu preciso me afastar um pouco. Cuidar do meu corpo, da minha saúde mental, da minha saúde.

O NSE não terminou. Porque continuo lutando.

Mas a partir de agora irei postar com menos frequência pois preciso me preservar. Eu não esperava que o Blog fosse crescer tanto e o meu objetivo nunca foi me promover nem obter vantagem de nenhuma maneira.

Eu não quero fama, não quero notoriedade, eu não quero sucesso. Eu apenas sugeri a radical ideia de que IMAGEM NÃO DETERMINA VALOR.

Me encontro com com problemas pessoais, que no momento, precisam de um período de introspecção e afastamento para que sejam sanados.

Se você tem um projeto, um sonho, um ideal, algo que você acredita com veemência… Mesmo com os obstáculos, mesmo com a oposição, mesmo com o cansaço, mesmo com os tropeços… Continue!

(Nunca, nunca, nunca desista!)

Eu agradeço pela compreensão. Fico feliz com as manifestações de carinho. E lamento pelos recados de ódio.

A autora.

 

 

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