Era uma vez uma menina feliz

Este relato da leitora Rebeca Traldi fez bastante sucesso no Facebook, e é mais do que justo que esteja aqui no Blog.

Somos belas, autênticas, livres! E não queremos mais que discursos externos nos digam o que vestir, o que comer, o que desejar, o que “vale” e o que “não vale”.

REBECA
Era uma vez uma menina feliz, de ar mandão e sorriso fácil.
Espontânea, não tinha muitas preocupações além de viver.
Ela comia alegre o pão com manteiga e açúcar que a avó preparava pro lanche da escola com a mesma naturalidade que engolia mau-humorada o chuchu esmagado na comida porque é saudável.
Não tinha vergonha de expor seus sentimentos, e chorava quando ficava triste. Pedia colo. Conversava com Deus como quem conversa com um amigo íntimo. E, inclusive, reclamava, cobrava algumas explicações, e tinha a audácia de pedir um irmão. “Impossível..!”. Não pra uma menina persistente como ela.
Ah, ela era persistente. Detestava estudar mas se superava para tirar notas boas. Para aprender. Gostava muito de aprender.
A menina foi crescendo e a vida ensinou que meninas grandes não podiam levar lanches feitos em casa para a escola. Legal mesmo era comprar na cantina.
Ensinou também que para se enturmar num novo grupinho era preciso ter mochila de marca, estojo de marca, tênis de marca.
E também era preciso ser bonita! Mais bonita! Mais magra! Mais “mulher”!
Agora precisava chamar a atenção dos meninos para ter a atenção das outras meninas.
Além disso, mulher tinha que ser culta e estar na moda. Gostar de política e saber cozinhar. Ser divertida e comer alface. Ser educada e casual. Discreta e atraente, sem muita artificialidade. Ser perfeita.
E então a mocinha entendeu que não podia ser ela mesma para ser aceita. E tentou ser todas as outras pessoas que admirava..
Fez academia, handball, basquete, tênis,…
Se vestiu de preto, de hippie, de cor-de-rosa-com-glitter…
Se escondeu atrás de video-games, computador, blog, rpg online, música, poesia, dança de salão…
Se rodeou de notas altas, de conquistas e de independência…
Se protegeu com distância, frieza, e insegurança…
Emagreceu até sentir dor nos ossos e comeu até ter dor no estômago…
Engoliu sentimentos, vomitou palavras, chorou amarguras…
E se perdeu.
Olhou através do sofrimento, e encontrou Deus crucificado, sofrendo com ela e por ela.
E, de repente, essa mulher reparou que a beleza está nos olhos de quem vê, que não existem regras para o amor, e que os amigos se esbarram por aí.
Que as lágrimas foram feitas para sair nos momentos difíceis e que é tão fácil alegrar a vida das pessoas.
Ela percebeu que pra se encontrar era só voltar a ser criança.

Você não precisa ser nada mais, nada menos do que… Você!

Lindo texto 🙂

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