Do porque eu não joguei meu treino no lixo.

Hoje eu tive um dia “daqueles”.

Pela manhã eu fiz um trabalho de educação alimentar numa feira livre da cidade junto com uma amiga, e a minha sucessão de desventuras envolveu um senhor inconveniente e atrevidinho que não saía do lado do nosso balcão de informação e não parava de nos dizer impropérios do tipo:

“Quero dizer, meninas, que vocês são muito bonitas e inteligentes. E isso é muito raro encontrar numa mulher. Mas isso não é uma cantada, ok?!”

(Mulheres são bonitas OU inteligentes. A combinação dos elementos é incompatível. Fascinante, cara)

Depois, aconteceu o meu quase-pior pesadelo: a aproximação de um distribuidor independente do Shake da ErvaVida chegou para dar palpites e pedir nossa opinião sobre a sua incrível oportunidade de negócio.

 – Permita-me trocar ideias com vocês. Esta é a minha área.
– Huum, interessante. Qual a profissão do senhor?
– Sou engenheiro civil. Querem conhecer o meu espaço bacana?

E falou falou falou falou. E empregou 4752 técnicas de argumentação/convencimento que aprendeu nos treinamentos para recrutar desavisados. Como estávamos no nosso local de trabalho, nada pudemos fazer além de suportar.

Eu já me posicionei sobre a Folhinha por aqui. Mas não me incomoda dizer novamente: NÃO, caras. Eu não quero conhecer o espaço bacana, não quero almoçar shake, não estou interessada em oportunidade de negócio e a ciência e a arte da nutrição vão muito além da concepção simplista do “controle de peso”. Minha área de atuação é muito mais densa e ampla do que fotos “Antes & Depois” de pessoas que emagreceram tomando shake e agora se exibem orgulhosas dentro de uma enorme calça jeans.

E não, meu querido: Não é a sua área.

Enfim…pessoas podem ser muito cansativas.

Por motivos de cansaço, dor de cabeça, frustração e outras emoções similares, eu chorei.

(De verdade, gente. O distribuidor da ErvaVida era um cara muito chato que me deixou muito decepcionada)

(Cê é chato, cara…)

Minhas colegas me levaram até um café para eu ficar mais contente. E foi ali, naquele local, que aconteceu. O meu pior pesadelo. O genuíno terror para minha mente:

Uma barata descomunalmente imensa ali no chão, do ladinho do meu pé.

Pois é. Eu não gosto de baratas. 😦

Mas c’est la vie. Há dias em que simplesmente deixamos o refúgio de nossas camas e saímos para desbravar o mundo e enfrentar senhores machistas inconvenientes, vendedores da folhinha e baratas cascudas do tamanho de chinelos.

Falei de tudo isso para chegar no meu ponto, e o ponto é: após uma jornada de infortúnios, eu fui para a aula de dança. E lá, tudo ficou melhor. A frustração, a vontade de chorar, o mau humor e a dor de cabeça dissolveram a cada movimento e cada nota musical.

(A aula de dança salvou meu dia, minhas emoções, minha vida)

Só que de acordo com o Instagram Fitness e alguns profissionais da saúde menos flexíveis, treinar sem “dieta” significa simplesmente jogar tudo no LIXO.

treino dieta

(Dieta. Dieeeeta!)

É aqui que entra meu segredo nefasto: como eu estava com a minha amiga na feira livre, hoje eu almocei um pastel.

(Sim, gente. Eu sei que é chocante.)

Mas quem acompanha meu trabalho neste Blog há um tempo já sabe que eu cometo blasfêmias alimentares e eu sou perigosamente subversiva (pois é, fuja enquanto é tempo deste Blog escandalizante!!)

Enfim. Seguindo a lógica “treino sem dieta não vale NADA”, tudo o que eu fiz hoje foi completamente inútil.

Ora, pessoas. Falem por vocês.

Porque eu não faço dieta (me alimento direitinho, de maneira variada e saudável e com a presença de ocasionais/chocantes pastéis de feira) e pouco me importa se o resultado da minha atividade física será o ~anaboliiiismo~ ou se minha rotina alimentar comprometeu gravemente o meu “shape”.

Motivo: eu não treino só por causa das consequências estéticas do exercício.

Hoje eu fui fazer atividade física e aconteceu o seguinte:

– Eu fiz bastante alongamento;
– Eu usei a minha musculatura;
– Eu trabalhei minha capacidade cognitiva (coordenação motora, lateralidade);
– Eu socializei com minhas colegas e elas me animaram e me fizeram rir muito;
– Eu escutei boa música;
– Eu me desvencilhei do stress que estava sentindo;
– Eu fiz exercício cardiovascular e trabalhei minha capacidade respiratória;
– Eu fiz progressos físicos, emocionais e sociais.

Por tais razões, não diria que “joguei o treino no lixo”. Porque existem inúmeros benefícios na prática da atividade física, que superam a questão “postar selfie”.

Então sim: treinei e fui feliz com 100% de aproveitamento. E meu almoço foi um pastel.

 

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10 ideias sobre “Do porque eu não joguei meu treino no lixo.

  1. Flavio

    Olha, estou me perdendo em meio a tantas postagens excelentes, informativas, conscientes, lúcidas, mas também, lúdicas e bem humoradas.
    Me deu vontade de comentar sobre meu perfil, por achar que no geral, estão de acordo com o que é explicado por aqui: tento viver sem essas nóias, viver numa boa. Tenho com 1,71 e devo ter uns 70kg ou menos, mas é difícil eu deixar de comer sobremesa (chocolate, a maioria das vezes) , pão, e sempre que surge a oportunidade, pizza, hamburguer e afins. E não faço atividade física (só as coisas “de casa” – passar pano, passar roupa, etc – que os médicos afirmam que não serve para declarar como atividade física). Em meus 35 anos, estou tranquilo enquanto minhas taxas estiverem ok. E quando saírem do controle, vou ver antes se tem alguma coisa me perturbando e fazendo eu me alimentar de uma forma menos saudável (tipo, excessos, fora de horário…)
    Tá bom, não vim aqui só p/ elogiar o blog como um todo, mas também meio que p/ desabafar pq até agora parecia q eu era o unico maluco que, em meio a essa “cultura”, entende que as pessoas valorizam demais o que não é tão importante.

  2. Lili Ana

    Realmente é muito chato esse cagarregrismo que impõe uma alimentação dita ‘inofensiva’ para a pessoa seguida de treinos e mais treinos… e shakes e não comer glutem, suplementos… e todas essas coisas que ninguém é obrigado, faz favor. Nem todo mundo quer ser halterofilista (se é que é preciso tudo isso para ser).

    Mas realmente, não acho que é possível trocar todo dia a alimentação saudável por besteira e emagrecer. Mesmo treinando. Eu pelo menos, quando tinha o objetivo de emagrecer… foi muito mais importante pra mim a reeducação alimentar que o exercício, que veio como um complemento.

  3. Fernanda

    Textos incríveis! Virei sua fã!! A última frase foi arrebatadora!
    “…treinei e fui feliz com 100% de aproveitamento. E meu almoço foi um pastel.” Penso exatamente como você. Sem radicalismos, o negócio é ser feliz. Muito prazer!

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