Ipponzaço de Raquel!

Recebi um depoimento fantástico da leitora Raquel, que está falando sobre feminilidade, inseguranças e relacionamento. E como aparências não definem o interesse nem o amor que as pessoas sentem umas pelas outras.

Vale a pena a leitura:

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Nos conhecemos em 2009, na verdade eu já o conhecia desde 2004 quando ele foi campeão olímpico. Somos atletas e lutamos judô. Ele é famoso, conhecido mundialmente por todos da modalidade e por muitos que não são,várias vezes campeão mundial, circuitos europeus, grand slans e por aí vai. Um homem daqueles de tirar o fôlego de qualquer uma sem dúvidas.

Eu? Ahhh eu! Hahaha. Atleta também, não com um curriculo extraordinário como o dele, mas já tive minha áurea fase de vitórias,viagens e dedicação total e absoluta. Em 2009 ele esteve em São Paulo para treinamento e para competir. Treinávamos no mesmo local em um quinta feira de temperatura ótima. Eu discretamente olhava aquele homem maravilhoso que era tipo: “Olhar com os olhos e lamber com a testa”. Treinamos umas duas ou três vezes juntos, mal trocamos duas palavras e só.

No final daquele dia de treinamento alguns amigos da equipe foram correndo atrás de mim no vestiário feminino (minhas maiores e melhores relações de amizade sempre foram com os meninos). Me chamaram pra ir em um barzinho, lanchonete e eu imediatamente disse que não. Tornaram a insistir agora com a desculpa de que não falavam inglês e o gringo iria junto. Fiquei meio pensativa e disse “não” mais uma vez.

Já na saída do ginásio retornam os insistentes amigos, 8 no total, dizendo que só iríamos comer algo e voltaríamos pra casa. Concordei. Fomos. Eu, completamente sem jeito no auge dos meus 110kg morta de vergonha com homens bem preparados, musculosos de corpos perfeitos que ainda assim sempre me trataram como uma deusa. Chegamos ao local escolhido e pedimos uma mesa, mal nos acomodamos as garotas e até garotos do lugar já começavam a olhar com olhos diferentes. Até que algumas garotas mais atiradas foram à nossa mesa. Se apresentaram à mim e na maior cara de pau uma delas me pergunta:

 “O que vc fez pra ter tantos gostosos assim com vc que é assim…….”
(
ficou no ar pq ela não terminou a frase)

Respondi: “Nada são meus amigos de treino e só”. Completamente sem graça e ensopada numa vergonha pela pergunta.

 Elas foram se infiltrando e em alguns minutos estavam todas na mesa. Aí as atenções que eram só pra mim fora aos poucos sendo partilhada entre aquelas 5 garotas, magras, lindas, cabelos estonteantes, muito bem maquiadas. Até que em dado momento um a um dos meninos foram se ajeitando com elas e saindo da mesa para outro local. Uma delas “colou” no gringo como chiclete no cabelo mas não desenrolavam um assunto pq ele não falava português e ela nada de inglês. Quando uma das piores coisas poderia ter me acontecido. Ela pediu pra eu ser intérprete da conversa entre eles. Foi um choque.

Estava a segundos de perder meu ídolo pra uma estranha qualquer mas como eu competiria com aquele corpo, aquela beleza toda que não pesava mais que 60kg em aproximadamenete 1.70 de altura?

Eu, na ocasião pesava 110kg, com 1.79 de altura, negra (só por comentar, amo minha cor de pele) seria uma vitória esmgadora (Ipponzaço, como costumamos falar no judô).

A conversa rolava não muito entusiasmada quando ele vira pra mim e diz:

“Pelo que possa haver de mais sagrado pra você, me tira daqui.”

Fiquei em choque, ele estava detestando a conversa e a garota também, mas foi muito educado durante 2 horas. Não sou e nem sei ser sutil, disse a ele que teria que esperar um momento aí sairíamos de lá. Foi quando a garota disse que iria ao toilette retocar a maquiagem. Essa seria nossa deixa. Qual não foi a minha surpresa (e foi mesmo, quase morri naquele instante) quando ele me olhou e disse:

Passei o tempo todo louco de vontade de ficar com você e vc me jogando pra cima de outra?!”

 Entrei em choque!!! Hahahaha! E antes que eu pudesse pedir pra ele repetir o que acabara de dizer ele me beijou, fui ao céu. Depois daquilo fomos embora, não faço idéia do que acontecera com a garota. Levei ele de volta ao hotel, porque os amigos ja haviam todos desaparecido nos despedimos e fui pra casa.

No dia seguinte no inicio da tarde meu telefone toca, atendo e quem era pra minha surpresa maior ainda?! Ele. Me chamando pra jantarmos ou algo do tipo. Nos encontramos aquele dia a noite mesmo, eu com aquela duvida horrivel tipo: “o que esse cara viu em mim sendo ele quem é?!?

Conversamos muito sobre muita coisa, judô, familia, viagens etc. E assim por uns 5 dias saíamos depois dos treinos pra comer e “ficar”. Um dia, no oitavo ou nono, finalmente fomos pra os finalmentes.

Eu morta de vergonha do meu corpo “gordo” com estrias de uma gravidez que me arracou dos 70kg e me jogou aos 136kg por complicações de tireóide e diabetes com um homem com pouco mais de 85kg, 1.85 lindo com uma pele morena de doer os olhos.

Mas pensei:

“Bom, será só essa vez e nunca mais. Talvez nem nos vejamos mais.”

Fui pra cima, sem medo de ser feliz. A coisa foi perfeita e em um dado momento ele me abraçando de forma que eu estava deitada sobre o seu peito pergunta:

“Por que tanta vergonha?! Apesar de ter sido muito bom, notei você armada com os lençóis o tempo todo.”

Fui sincera:

“Essa situação é meio constrangedora para mim, meu corpo não está bonito, não sou novinha, também. Aliás temos 10 anos de diferença na idade e eu sou mais velha.”

 Ele me tirou dos seus braços, me olhou no fundo dos olhos e disse com um tom bem zangado:

“Não me diga?! Eu realmente não havia reparado que você esta acima do peso, não vi que vc tem algumas estrias e não é tão nova quanto eu. Me senti terrivelmente ofendido agora.”

 Eu sem saber o que dizer perguntei: “ofendido com o que?”

 Ele retruca:

“Notei cada curva do seu corpo desde quando você estava de kimono, olhei sempre a forma com que você tratava as pessoas, seus amigos e até a mim, sem frescura, sem tietagem, educada, forte demais.”

 (porque durante uma luta treino joguei ele duas vezes e isso é quase proibido: além de ser uma mulher, não se importar em fazer força mesmo treinando com um homem do naipe dele).

Ele disse: “me encantei com vc desde a primeira queda que você me deu, nem uma garota jamais havia me jogado antes com tanta ousadia e ainda passou por cima de mim e perguntou ‘machucou, dá pra continuar?’ Naquele momento percebi que jamais iria perder vc de vista novamente. Não me importo com seu corpo. Suas estrias e flacidez abdominal deveriam ser cultuadas, porque mostram que você é mãe. Não liga pra isso. sao sinais de que vc poderosamente trouxe mais um ser humano à nossa existencia e isso é fantástico.”

 E desse dia em diante estamos juntos, com um probleminha de localização. Passamos 6 meses juntos e 6 separados intercalados. Ele fica um mês no Brasil, um mês viajando, competindo e se dividindo entre as obrigações e o amor.

Hoje já peso 95kg. Emagreci pela saúde e porque isso melhora minha habilidade de lutar mas se eu tive na vida problemas com auto-estima ele acabou com isso definitivamente, porque apesar de estarmos juntos por pouco tempo, nos falamos por skype todos os dias há 5 anos e ele e os familiares dele fazem questao de me elogiar muito em relaçao à tudo.

Nunca fui tão de bem comigo mesma e com meu corpo graças a um dos homens mais cobiçados do meu esporte nos ultimos 10 anos.

Não vou mandar uma foto, apesar de contar a estória e ser de bem comigo não quero me expor ao mau entendimento e julgamento de alguns ok?! Obrigada de coraçao por me deixar contar um pedacinho mais importante da minha vida.

Raquel Olimar.

Raquel, que maravilha!

Ipponzaço!! É o que tenho para dizer! ❤

ippon

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