História de Sthefany

A leitora Sthefany Costa enviou um depoimento dividindo a sua história:

Sthefany

Eu era feliz. Antes, sabe? Eu era feliz, embora não tivesse consciência disso. Era feliz quando não estava obcecada com meu peso, quando satisfazer meus desejos de comer doces e massas não era motivo pra me sentir culpada e me odiar, quando não me obrigava a acreditar que malhar é minha atividade favorita e que me dá prazer… Eu era feliz quando era “gorda” e, no fim das contas, era isso que importava: minha felicidade, não meu peso. Só hoje consigo enxergar isso.

 Tarde demais. Já estou aprisionada no círculo da “ditadura da beleza“. Já me incutiram ideias que eu sei que são erradas, formas de pensar que eu sei que NÃO são saudáveis, hábitos que só me fazem mal. Tenho consciência disso, mas não consigo mudar. Eu era feliz, mas os comentários sobre meu corpo me incomodavam. Não só os comentários sobre meu corpo, mas sobre como eu era fraca e estúpida por não conseguir ter força pra emagrecer e me fazer “aceitável”.

Aceitável para quem? Pra mim ou pros outros? Eu me amava. Amava meu corpo do jeitinho jeitinho que ele era, com todas as imperfeições. Eu me amava e acabaram com isso, acabaram com meu amor próprio. Me fizeram acreditar que eu não era bonita só porque não cabia numa calça tamanho 36; me fizeram acreditar que eu era uma imprestável só porque eu odiava academia; me fizeram acreditar que ninguém NUNCA iria gostar de mim porque eu era gorda. “Gorda desse jeito nunca vai conseguir um namorado”, diziam elas.

Me fizeram acreditar que melhor seria se eu tivesse a barriguinha chapada da Marquezine, as lindas curvas de fulana ou as pernas torneadas da Juju Salimeni. E eu acreditei. Acreditei em tudo que me disseram e falei pra mim mesma que iria provar pra todo mundo que eu não era fraca, que eu conseguiria emagrecer e que caberia em uma calça tamanho 36. E eu consegui.

Hoje, estou com 25kg a menos, minhas calças são todas tamanho 36, malho todos os dias, recebo elogios de todos que me rodeiam e agora, nesse exato momento, me odeio. O motivo de tanto ódio: ontem, saí da dieta, me permiti um momento de prazer e felicidade e me empanturrei de bolo, chocolate e massas folhadas. Agora, como sempre acontece quando me permito ser livre, estou me odiando, me sentindo culpada. Não paro de pensar no quanto que devo ter engordado. Isso é triste. É a pior coisa que pode acontecer a alguém. Não desejo isso pra ninguém. Eles me fizeram acreditar que eu era feia por ser gorda, tiraram minha felicidade e me deixaram APENAS um corpo bonito. De que adianta a “beleza” quando todo o resto se foi?

Ouvi todo mundo: ouvi o que disseram as pessoas ao meu redor, segui fielmente todas as orientações, ouvi “conselhos”, li tudo que disseram as revistas e os sites, só esqueci de dar atenção a mim mesma.

Tô tentando me livrar disso tudo é recuperar meu amor próprio e felicidade. Mas tá difícil. Só queria, com esse desabafo, poder ajudar outras pessoas no sentido de evitar que caiam no mesmo abismo que eu caí, por isso, peço a você, administradora dessa página, que continue com esse maravilhoso trabalho. Se eu tivesse conhecido antes o trabalho de vocês, certamente não estaria nessa situação.”

Sthefany, te parabenizo pela coragem. Tenho certeza que você vai recuperar a autonomia e o amor próprio, vai poder comer chocolate e massas folhadas ocasionalmente, sem sofrer ou sentir culpa. Tenho certeza também que você vai conseguir manter seu peso sem extremismos, loucuras ou autopunição.

Em relação ao seu pedido, não direi que é fácil manter essa página com tantos acessos, tantas opiniões, tantos comentários, e claro, tanta oposição. Mas eu insisto e não recuo por causa de retornos como o seu. Acho cada depoimento desses mais importante do que mil críticas. 😉

Seja feliz, Sthefany!!

NOTA IMPORTANTE: por favor, lembremos que a Sthefany não está afirmando que ser feliz é ser gordx. Nem a página. Ela está questionando as motivações e os métodos envolvidos no seu processo de emagrecimento.

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