Tomo achocolatado e troco estofado.

Não sei se todos sabem, mas me encontro no finalzinho do curso de Nutrição. Estou a caminho dos estágios obrigatórios e estarei formada em questão de meses.

Mas calma.

Antes disso eu peguei uma prova final. Pesadelística. Muito difícil. É uma matéria sobre administração de restaurantes, com conteúdos de ciências contábeis (nutricionista precisa entender disso também, sabiam?)… E eu não tenho uma inteligência “numérica”.

Sempre gostei mais de antropologia, história, sociologia, psicologia, saúde pública, política… Ou até as matérias biológicas, vai! Fisiologia humana, bioquímica, patologia. Agora números… Aiaiai. Desde pequena, um desafio tremendo.

Resultado da melódia (não sei se a palavra “melódia” existe. Eu uso por causa da marcha “Gato na Tuba”, ): precisei estudar. Estudar muito. Por muitos dias. Hoje mesmo eu fui dormir às 5 horas da manhã.

A prova foi hoje na parte da tarde e me tomou 4 horas. Foi uma sensação de Enem, ou de Vestibular ou de ter tomado uma surra no beco. Ao final de tudo, minha cabeça rodava. Minhas pernas formigavam de tanto ficar sentada.

Aiaiaiaiaiaiaiaaaiii…!!!

Foi então que eu comprei um achocolatado. Daquele companheiro de aventuras. AQUELE. Terrível. Que tem mais açúcar do que refrigerante. Achocolatado malvado, calorias vazias!

Logo eu. Estudante de Nutrição à beira da graduação.

SIM, eu fiz isso.

Eu tomei um achocolatado só porque eu  fiz uma prova. Só porque ele é gostoso e só porque eu queria.

leite-com-chocolate(Boatos que este alimento é terrível…)

Porque nem tudo que a gente faz tem que SERVIR para alguma coisa.

A prova foi difícil. Eu estava cansada. Eu disse mimimi. E eu tomei um achocolatado. Sim: ele foi um presente de mim para mim.

Enquanto tomava aquele líquido maligno pelo canudinho, fiquei pensando no crime que estava cometendo e como, no imaginário popular, nutricionistas NÃO PODEM fazer isso.

Um comentário apenas me pipocou na mente:

“- Por que que tudo para você tem que ser utilitário?”

A dona da pérola? Heleninha Roitman!

Não sei se os mais novos lembrarão disso, mas a Helena Roitman era a filha da Odete Roitman em “Vale Tudo”, que na minha irrelevante opinião, foi a melhor novela já transmitida na TV brasileira.

Helena, tinha um problema com a bebida. Odete, tinha um problema com estofados.

Observe a cena a seguir:

Pois é.

Na vida, podemos trocar o estofado só porque achamos outro mais bonito. E também podemos tomar achocolatado só porque nos apetece.

**PAUSA PARA ESCLARECIMENTO IMPORTANTE**

 Sabemos que compulsão alimentar é um transtorno alimentar sério. Sabemos que não devemos suprir nossas carências afetivas por meio de alimentos. Sabemos que não podemos consumir guloseimas desenfreadamente. Sabemos que precisamos manter uma alimentação saudável. Sabemos que diabetes e obesidade são problemas de saúde. NÃO ESTOU dizendo “vá comer para ficar feliz”. Grata.

Porém não somos máquinas. Gostamos de chocolate. Para todo mundo chega o dia em que só queremos tomar achocolatado pelo canudinho e mandar um beijo estalado para a sociedade.

Portanto, eu solenemente e publicamente assumo que: tomei um achocolatado.

Fico na espera da punição cabível. Talvez os deuses me castiguem e eu reprove na matéria.

Aguardemos.

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14 ideias sobre “Tomo achocolatado e troco estofado.

  1. Albert

    Virei teu fã! Tô a horas desenterrando teus posts e amando tudo!!!! A idiotice da Pugliessi serviu pra me ajudar e encontrar esse blog e me questionar sobre várias coisas. Muito obrigado!

  2. Caroline

    Este blog e a fanpage no Facebook estão cada dia melhores. Parabéns!
    Também sou nutricionista e trabalho com educação nutricional em escolas. Certa vez, estava na praça de alimentação de um shopping center bebendo uns pequenos goles de coca-cola e uma criança e seu pai presenciaram a incriminadora cena. “Ó, meu senhor, como pode uma nutricionista beber coca-cola, ainda mais depois de explicar para os alunos da escola quanto faz mal? E essa mesma nutricionista estava fazendo isso porque estava de ressaca. Como assim? Ela bebe álcool também? Joguem-na ao fogo!” Foi algo mais ou menos assim que diziam os olhares que recebi dos dois.
    Na cabeça das pessoas, nem passa a ideia de que aquele comportamento é ocasional e, muito menos, não faz mal justamente por ser ocasional.

  3. Tereza Jardim

    Você está uma fofa, citando uma das melhores novelas já produzidas neste país (e olha que nem sou noveleira), e lidando com este assunto de forma tão leve e natural.

    Parabéns pelo trabalho, fico feliz de ver que está inspirando muita gente (e a mim!)

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