A Fanpage que ataca Nutricionistas (?)

Aparentemente, o Não Sou Exposição é a “Fanpage anônima que ataca Nutricionistas.”

 

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Olha, eu não retiro o “você é um panaca”, mas a realidade é que eu respondo assim:

Muitas críticas chovem quando alguém questiona o “dieta x exercício x força de vontade” que já está estabelecido. Eu tenho, sim, a audácia de dizer que a alimentação e o comportamento humano são muito mais complexos do que isso. Emagrecer não é SIMPLES assim e eu creio que uma ferramenta fundamental nesse processo é o amor próprio.

Fui identificada na entrevista que dei para o Jornal O Tempo, e estava ciente do Mimimi que viria em decorrência disso:

Alternativa 1º Uuuii você é feia, tem recalque.
Alternativa 2º Uuuiii você é magra, não tem moral para falar do assunto.
Alternativa 3º Uuuuiii você é inexperiente.

E a mais criativa, e que confesso que não esperava: Uuuiii você é bailarina.

(neste ponto do texto vamos apenas ressaltar que: eu NÃO faço apologia à obesidade, NÃO sugiro que obesos se mantenham obesos, NÃO desencorajo a prática de atividade física, NÃO sugiro que todos comam Fast Food, NÃO estou dizendo que obesidade não é doença.)

Eu já me posicionei aqui e aqui sobre a questão da pressão e da pedagogia do terror no mundo da dança. Creio que não são necessárias maiores delongas.

Participo de um trabalho muito gratificante com o DANCEP, o grupo de dança do Colégio Estadual do Paraná…e lá temos todos os tipos de corpos. Até com sobrepeso (Ooooh Meu Deus, é terrível!)

Sabe por que?

Porque a dança não é permitida apenas para alguns tipos de corpos, e eu sou uma forte advogada da democratização de corpos nesse meio.

Aqui seguem as palavras da Carol, que é uma aluna muito talentosa e querida e pasme: é gorda.

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Pode parecer incrível, mas defendo a ideia de que GORDO É GENTE. Sabe? Com afetividade, sentimentos, vida social.

Precisa emagrecer? Precisa. Mas o valor pessoal não virá com o emagrecimento. Ele já existe. De qualquer maneira.

Qual é o sentimento de uma pessoa obesa quando vê uma imagem como essa aqui abaixo?

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(A criança obesa não tem ROSTO? Não é criança? Não tem vida? É apenas uma “doença cardiovascular ambulante”?)

Não estou atacando nutricionistas (oi?!). Também não tô com raiva, não, moço. Estou afirmando que:

Imagem não determina valor pessoal.

Dignidade humana não é proporcional à quantidade de massa magra nos corpos.

Saúde não é o mesmo que magreza que não é o mesmo que beleza que não é o mesmo que virtude.

 

Defendo os sentimentos das pessoas porque a sociedade vigente abomina gordos. ISSO é o que estou afirmando.

Mas assim, de fato: Você é muito panaca.

Fechemos com a Carol e sua linda dança ❤

 

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19 ideias sobre “A Fanpage que ataca Nutricionistas (?)

  1. Lígia Santos Barreto da Costa

    Postagens como a desse nosso colga só me faz ter certeza que realmente precisamos ter mais aula de psicologia na grade curricular de nosso curso. Me formei há pouco tempo, mas já trabalhei um ano em uma clínica, de todos os pacientes que atendi, posso dizer, sem medo, que cerca de 80% estavam fora do peso apenas por problemas psicológicos. Somos profissionais da área de saude, trabalhamos com pessoas e, ainda mais, trabalhamos com um fator muito importante na vida das pessoas, corrigindo o fator mais importante. Temos que ter mais sensibilidade.

  2. Alden Neves

    Prezada futura colega,
    Como um colega seu com algum tempo de carreira(farei 20 anos de formado em janeiro de 2015), e com bastante experiência na profissão(muitos anos de Nutrição Clínica, atuo em Saúde Pública, e sou coordenador de curso de graduação em Nutrição), me sinto EXTREMAMENTE orgulhoso em ler seus textos. São de uma lucidez rara em nosso meio. E como acontece com todos que se destacam na Nutrição, espere por muito mais mimimi. O tema que você aborda tem relação direta com minha tese de doutorado(farmacologização social na Nutrição), e compartilho completamente de suas opiniões. tenho levado estas discussões sobre a atuação profissional para a sala de aula, tentando estimular a reflexão dos alunos sobre comportamento alimentar, sobre o ser humano que está além do portador de obesidade ou outras doenças estigmatizantes, e sobre a necessidade de repensarmos nosso modo de atuação. Infelizmente, temos trocado a atenção dietética pela suplementação em nossa prática diária, com grande estímulo por parte dos orgãos oficiais, que vêem na suplementação uma forma de agregar valor a atenção dietética. Mas de agregar valor a se tornar a principal prática do profissional, vai uma distância muito grande. Já fui questionado no consultório, ao iniciar a consulta, se eu era um nutricionista normal ou ortomolecular ou funcional…disse ao cliente que era “apenas” nutricionista. E isso tem se tornado cada vez mais comum. Por isso, quando vejo uma futura colega com esta posição e esta lucidez, percebo que ainda podemos ter esperança! Parabéns!

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