Considerações sobre “Dia do Lixo”

(ao final da leitura, por favor, leia a observação)

Funciona assim: durante 6 dias você segue a sua dieta dentro do mais puro regime espartano e escolhe um dia para comer o que te apetece.

 

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(Interessante…)

 

Algumas considerações sobre o “Dia do Lixo”:

1) Essa expressão é sem noção.

Se considerar toda a minha vida escolar e a faculdade, creio que eu assisti o filme “Ilha das Flores” umas 6 vezes. Talvez você também tenha visto. É um clássico obrigatório da educação no Brasil.

Este filme passa breves noções de economia e distribuição de alimentos.

Um momento que interessa está em 5:52:

“Um destes tomates, que segundo o julgamento de Dona Anette, não tinha condições de virar molho, foi colocado no LIXO.”

A partir desse momento, temos uma explicação do que é LIXO: o lixo é a matéria orgânica deteriorada, imprópria para o consumo humano e que pode causar doenças infecto-contagiosas.

O filme mostra que: o lixo é num primeiro momento separado para alimentar os porcos, e em seguida passado para os seres humanos, sendo que os porcos são prioridade em relação à mulheres e crianças… e estes seres humanos em questão se alimentam do resto do lixo.

Os seres humanos da Ilha das Flores, meu colega engraçadinho do Facebook, se alimentam de LIXO.

Você, dentro do seu pleno acesso seguro e perene a alimentos abundantes e variados, tem a opção de escolher entre as opções hiper restrição & orgia gastronômica.

Quando eu afirmo que a expressão “dia do lixo” é sem noção, eu estou querendo dizer que quando uma pessoa fala isso, lhe falta a noção sobre:

a) O que é lixo;
b) O que é comer lixo.

Os alimentos mais representativos de um típico “dia do lixo” são: doces, salgadinhos e frituras. Pois bem. Nenhum desses alimentos é LIXO.

São hipercalóricos?…Sim.
São industrializados?… Sim.
São calorias vazias?… Sim.

Mas a realidade é que tudo isso continua sendo alimento próprio para o consumo humano, higienizado e livre de doenças.

Existem muitas pessoas ao redor do globo que não podem garantir a refeição do dia seguinte. Ou que comem lixo. Ou que comem o resto do lixo do porco.

Fim da consideração nº1.

2) A cultura do “dia do lixo” promove episódios de compulsão alimentar.

A pior estratégia para administrar episódios compulsivos é a hiper-restrição seguida do “estouro da boiada”.

Você conhece a pontinha da pirâmide alimentar? Pois então. Ali estão os alimentos açucarados e gordurosos. E no seu dia você pode consumir uma porção pequena deles. E isso jamais matou ninguém.

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(OLHA, gente! Vem correndo ver: é a pontinha da pirâmide!!!)

 

Pequenas doses de calorias vazias evitam um posterior ataque gastronômico.

Além disso, no momento que você fizer o seu grande “momento do lixo” (que eu já falei que não é lixo…) você terá desconforto gástrico, hiperglicemia e picos de insulina.

 

Como compensar os excessos alimentares

(Fonte: Brigadeiro de Alface)

 

Há quem prefira continuar a estratégia Restringir x Comer Loucamente

Mas o “Não Sou Exposição” tem uma dica:

Que tal trocar o Dia do Lixo por um Momento Delicinha?

Uma pequena porção de alimentos nutricionalmente vazios, mas que você gosta não vai fazer NINGUÉM se transformar num obeso.

Enfim, como disseram no filme,  todos temos “teleencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor”… Usemos.

 

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–> Obs: NÃO estou promovendo o consumo de Fast Food. NÃO estou fazendo apologia à obesidade. NÃO estou sugerindo que todos se matem de comer calorias vazias. Grata. <–

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13 ideias sobre “Considerações sobre “Dia do Lixo”

  1. Barbara

    Eu tb não gosto da terminologia “dia de lixo”, penso mais em “day off”, mas no meu caso nem é dia, eu geralmente faço apenas uma refeição com os alimentos que costumo restringir (nem mesmo semanalmente, não sinto essa necessidade). Mas, como a primeira pessoa que comentou, essa história de “um pouquinho de tudo” nunca funcionou comigo. Pra mim é mais fácil recusar um prato que comer só um pouquinho. Não me considero compulsiva e nunca passei daquele ponto de cinco quilinhos a mais, mas pra mim não existe comer um brigadeiro, um pãozinho de queijo, eu como é a assadeira inteira. Restringir esses alimentos funciona bem pra mim; prefiro comer bem só de vez em quando que comer sempre aquele pedacinho pequeno que só dá vontade de mais. Enfim, se eu soubesse comer pouco nunca teria engordado, pra começo de conversa.

  2. Não sou Exposição. Autor do post

    Oi Priscila!

    Estou falando sobre coletividades sadias, que não têm problemas de compulsão alimentar, obesidade ou diabetes (a hiper-restrição é um “gatilho” para episódios compulsivos. Para todas as pessoas.)

    Quando a situação é muito difícil, como a que você está narrando, é importante procurar a ajuda de um bom psicoterapeuta.

    Sinto muito pela “brincadeira sem graça” não foi minha intenção 😉

  3. Pricila Gonzalez

    Bem… dá pra ver que quem escreveu o texto não tem compulsão alimentar, pq “Pequenas doses de calorias vazias evitam um posterior ataque gastronômico” para quem é “normal”, pra mim não rola… eu surto!
    Em 22 anos de tentativas, não consegui esse controle.
    Sim, a refeição “lixo” me provoca todos os sintomas descritos, desconforto total, o que me faz desejar cada vez menos aquele tipo de refeição. Aliás, acho que é exatamente esse mal estar do “lixo” que tem sido minha grande chave no tratamento da compulsão…
    Eu chamo a refeição livre de “esbórnia” e me divirto com essa liberdade. Jamais faria uma bariátrica pq preciso saber que, se eu quiser, posso comer.
    Sim, eu me guardo para um aniversário e como bolo e salgadinhos (moderadamente, o normal de qualquer pessoa) do mesmo modo como guardo meu dinheiro para gastar num bom passeio ou para comprar um bom presente pra mim. Se todos os dias eu gastar dinheiro com uma pequena bobagem, não terei o suficiente para aproveitar as férias. Faço o mesmo jogo com a comida.
    Chamo de lixo certos alimentos pq nada de bom oferecem além do sabor, assim como o cigarro e o álcool.
    Sou uma compulsiva que surta! E estou muito p. da vida pq engordei 30kg nessa brincadeira sem graça de “um pouquinho não faz mal” pq tenho gatilhos horríveis. Comigo, essa história de “pare de ser neurótica” me deixou nas portas de diabetes, sem energia pra nada, com o colesterol nas alturas. Agora a briga será bem feia…

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