Fujam! É a obesidade!

Hoje pela manhã vários leitores me enviaram a notícia divulgada no Portal Terra sobre a obesidade.

O estudo: o adenovírus 36, que causa gripes e resfriados, ocasionaria um aumento de gordura dentro das células.

A manchete terrorista: “Obesidade é contagiosa e a culpa é do vírus da gripe”.

Fujam para as colinas!

É terrível! Nãão!!

 

O que imaginei quando li a manchete? Quarentena para gordos. (“Tirem essas malditas pessoas do nosso convívio e da nossa vista!”). Não me surpreenderia.

O texto está dizendo que: um outro estudo apresentou ainda que 30% das pessoas classificadas como obesas tinham traços do adenovírus 36 no organismo.

Ou seja: talvez o vírus tenha influência na obesidade de 30% da amostra, sendo que 70% estão “pagando o pato” e recebendo o estigma de virulentos.

Em tempo: o estudo é muito (muito!) controverso e a maioria dos especialistas continua afirmando: muita comida e pouco exercício são as causas da epidemia de obesidade. O melhor conselho é comer de maneira saudável e se movimentar”.

Mas enfim. A obesidade desafia pesquisadores e profissionais da saúde do mundo inteiro.

Talvez o problema seja dormir com muita luz; talvez seja a falta de sono; talvez seja culpa dos adoçantes dietéticos… Mas sim, todos notaram: a obesidade é a epidemia do século XXI.

 

Diet help

(Apenas… Help!)

Arrisco dizer que nós criamos o cenário.

Temos um ambiente poupador de energia (elevadores, controles remotos, carros e facilidades urbanas infinitas), uma verdadeira abundância de alimentos ao nosso alcance (sendo que esses alimentos são de alta densidade energética), uma cultura hedonista do imediatismo, do prazer, do individualismo, do não-dividir, do não-passar-vontade e uma multidão de pessoas ansiosas, deprimidas e que estão comendo para preencher o vazio causado pelo crise valores contemporânea.

Some-se a isso: a dificuldade de acesso ao alimento saudável, sendo que as pessoas que têm fragilidade socioeconômica se alimentam predominantemente de industrializados, indústria alimentícia essa, que não pára de crescer.

Some-se a isso: o ritmo de vida urbano, nossa necessidade de “produzir e render” sem pararmos um segundo e a morte das refeições em família preparadas pelas nossas mãos.

– “Engolir” um almoço… Voltar voando para o trabalho. Quem nunca? –

 

A comunidade científica está de mãos atadas. Não, não sabemos o que fazer.

Se os remédios, procedimentos cirúrgicos, programas de emagrecimento, best-sellers, dietas ‘do momento’, aparelhos incríveis que cabem embaixo da nossa cama, shakes, substitutos do alimento, rações humanas e etc FUNCIONASSEM… Simplesmente não teríamos cada vez mais dessa parafernalha sendo lançada no mercado.

E digo mais: se fazer o obeso sentir vergonha e culpa, ridicularizar a sua pessoa e informá-la 5698456321456 vezes de que “a obesidade é uma doença” resolvesse o problema, não teríamos um só gordo no mundo. Nenhum. Nenhuma sombra de gordo.

Sim: sabemos que a obesidade é uma doença. Porém não sabemos lidar com ela.

A pessoa que descobrir como resolver tudo isso merece 3 prêmios Nobel:

1) Prêmio Nobel de Medicina.
2) Prêmio Nobel da Paz Mundial Eterna.
3) Prêmio Nobel de “Meu Deus, você é o cara!”

Eu não sou essa pessoa. Eu não sei qual é a solução. Eu não mereço os 3 Nobels.

Mas eu tenho a audácia de sugerir que pessoas obesas tenham amor próprio e sejam tratadas com respeito.

Louco saúde

Sim, queridos. A obesidade é uma doença. Fomos suficientemente informados disso.

Só estou dizendo que amor próprio e valor pessoal não têm relação com o tamanho do nosso corpo.

Ficou confuso? lê aqui.

 

Anúncios