Arquivo mensal: abril 2014

Ensaio sobre o Pato.

Eu não me impressiono muito pela astúcia da serpente, a fidelidade do lobo, o poder da águia, a bravura do leão, a beleza do pavão ou a autonomia do gato.

bichos(O poder e a glória na natureza)

 

O meu animal favorito é o pato.

Gosto do pato porque ele é a derradeira invenção polivalente de Deus: ele nada, corre e voa…e faz tudo isso meio mais ou menos.

Tal característica me representa muito. Eu não faço questão de ser A MELHOR no que faço, então eu realizo múltiplas tarefas tal qual o pato: meio mais ou menos, porém satisfatório.

O pato não evoca glória e nem poder com seus pés grandes e seu corpo balançante. Ele só quer viver.

^^ !

O pato não tem pudores na hora de buscar algo que lhe encante ou lhe interesse, mesmo que para fazer isso ele precise sair da linha.

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(Ei, borboleta!)

Mas mesmo assim o pato é esperto e não deixa de trabalhar. O mundo todo pensa que ele é plácido e despreocupado na superfície da lagoa, mas ele bate as perninhas sob as águas sem parar: o esforço e o desgaste que ninguém enxerga.

Eu não sou nada bobo…

O pato não seduz, não disputa, não ambiciona, não negocia, não ameaça, não surpreende, não impressiona. Pato é pato. Mas isso não significa que ele é feio ou bobão. Pato é esperto. Pato sabe viver. Pato não tem medo da concorrência.

Você é um pato quando simplesmente não há uma nota que te corresponda:

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Dentre todos os arquétipos existenciais, não há nada que me represente melhor do que o pato. Pato sozinho, pato incompreendido, pato engraçado, patinho feio… O pato que pintou o caneco, surrou a galinha e bateu no marreco.

Eu sou assim. Bagunceira e feliz com meus pés grandes.

Por isso que eu gosto do pato.