Testemunhas da Folhinha

Ontem eu me senti tentada a fazer uma coisa muito desonesta. Foi um conflito mental que durou um segundo.

Eu estava saindo de um estabelecimento, então eu vi uma pilha de convites para conhecer o famigerado “Cantinho da Vida Saudável.”

Eu queria: pegar todos os papéis e socar na minha bolsa. E depois fazer um chapéu de papel machê com eles. Ou alguma outra coisa legal. Mas ok, isso é feio e eu não fiz. Lá se encontram os papeizinhos.

 

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Vou explicar porque eu não gosto da Folhinha. Porque eu não aceito papéis da Folhinha. E porque eu nunca “pergunto como” poderei “conquistar minha independência financeira” através da Folhinha.

Eu não vou apresentar argumentos matemáticos sobre prejuízo financeiro, nem explicar como funciona o “esquema em pirâmide”.

E eu também não vou discutir sobre a qualidade/eficácia dos produtos.

Eu senti vontade de boicotar o anúncio da Folhinha, pois uma pessoa desavisada poderá não saber a profundeza da encrenca em que está se metendo.

Eu não gosto de extremismos. Eu não gosto de organizações com ou sem fins lucrativos que alegam ser a fonte absoluta para A VERDADE, A FELICIDADE, A PLENITUDE, A SALVAÇÃO.

Desconfio quando me insistem sobre a perfeição da Folhinha da mesma maneira que alguns grupos mais fundamentalistas me insistem para aceitar Jesus

(não me entenda mal: Jesus é bem legal e eu gosto Dele ^^…mas o meu trato é com Ele e eu sou bastante bem resolvida com a minha religião)

Se eu me interessasse pelo assunto, eu iria até o local indicado, conheceria montes de pessoas sorridentes e aparentemente bem intencionadas, que atacariam a minha alma vulnerável com interesse e amor infinitos, até que eu sentisse que eu, sim, gostaria de fazer parte daquela maravilha toda.

Logo viram as palestras, os eventos. Eu aprenderia sobre o fundador da companhia e passaria a tratá-lo com respeito e reverência. Depois que eu mordesse a isca, eu descobriria coisas que não me eram exigidas antes: treinamentos pagos, “kits”, taxas de renovação e outras bobagens.

Meu senso de identidade e valor pessoal ficaria reduzido ao contato com as pessoas que também consomem/conhecem A VERDADE. Eu me afastaria dos meus familiares e amigos “hereges”…E em seguida  eu desfilaria por aí orgulhosa de ostentar meu botton “Pergunte-me como”… E assim recrutar mais pessoas desavisadas (como eu era no início).

E isso, estimados leitores, é o que se reconhece como uma SEITA.

Recapitulando:  técnicas invasivas de recrutamento, ataques de amor aos recém chegados, adoração à figura de um líder controverso, nível hierárquico interno, vocabulário próprio, exigência de determinadas práticas de devoção, afastamento do estilo de vida que o indivíduo levava antes.

É. Precisamente: SEITA.

Se você, que me lê, se sentiu indignado, não gostou do que eu falei, adora A Folhinha e a defenderá até morrer… Não se preocupe comigo! Eu não conheço a VERDADE. Eu sou ignorante e sou pagã. Eu vou pro inferno e não faço parte do convívio dos eleitos.

Eu sou apenas “recalque”, oposição. E vocês podem usar meu texto pra argumentar “E ainda tem gente falando mal da Folhinha!”

…E lá continuam os papeizinhos.

Eu apenas NÃO QUERO frequentar um ambiente onde acontece isso:

(assista no Youtube)

Não quero, obrigada. Me parece um comportamento humano aberrante.

Nunca experimentei o produto. Nunca frequentei os espaços “saudáveis”. Mas sei reconhecer um sorriso fanático quando vejo um.

Não estou interessada. Muito obrigada.

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5 ideias sobre “Testemunhas da Folhinha

  1. Amanda Marques

    Dizem que esse shake da ‘folinha’ é natural, não tem contra indicação e blá blá blá. Minha mãe tomou e passou mal. Minha avó tomou e passou mal. Meu tio tomou e passou mal. Algumas amigas da minha mãe tomaram e passaram mal.
    Eu, não muito satisfeita, achando que era frescura do povo, fui inventar moda de tomar e adivinha? Passei mal. Tive uma crise alérgica terrível, fui parar no pronto socorro. E lá descobri que não é tão natural assim, tem alguns corantes e conservantes. E como eu sou alérgica a corantes e conservantes (e mais a uma porção de alimentos) ingerindo um pouco a cada dia, uma hora meu organismo não aguentou.

  2. biancallemos

    Bom, vc não falou a marca da folhinha, mas eu conheço várias pessoas ligadas a folhinhas como essa.
    Quando eu trabalhava em um hotel, havia vários eventos com novos vendedores dos produtos da folhinha, como o famoso “shake”. Pois o palestrante e organizador do evento bem foi na cozinha do hotel e pediu pra chef acrescentar açúcar nos tais shakes, pra melhorar o gosto, pois “o pessoal precisa gostar pra poder vender bastante”. RISOS
    Após ter presenciado isso, faço questão de contar para todas as pessoas que vem divulgar as folhinhas pra mim. E, se não posso pegar todas e jogar fora, porque é feio, acabo sempre levando tudo pra mostrar pras minhas amigas. Pra alertá-las, é óbvio. Pelo menos as folhinhas não ficam espalhadas por aí pros inocentes escorregarem nelas. 😉

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