História de Flávia

Vou compartilhar a história da Flávia, que me deixou muito emocionada:

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“Oi! 

Primeiro quero dizer que adoro a página e o blog e posso dizer sinceramente que você conseguiu me fazer enxergar coisas que antes eu não via. Fui um bebê gordo, uma criança gorda e uma adolescente obesa. Sofri bullying, sofri preconceito… até que meus pais procuraram um psicólogo para me convencer a emagrecer. Por fim o psicólogo os chamou e disse “ela é feliz assim. Vocês também devem ser”. Com 16 anos eu era a única que nunca tinha beijado porque “meu rosto era lindo e eu era muito gente boa, mas ficar com gorda tava por fora” e comecei a emagrecer. 
Fiquei magra e segui feliz. Casei, engravidei, tive minha filha, emagreci, engravidei depois de 1 ano, engordei 26kg, tive meu filho e não emagreci.

Ops. De repente eu já não em encaixava mais no padrão imposto pela sociedade. Loira – ok; casada – ok; boa mãe – ok; formada – ok; pós-graduada – ok; trabalha fora – ok;

…Gorda. FAIL.

REPROVADA! REPROVADA! 
Eu me odiava. Odiava meu corpo. Odiava ter o meu corpo. Odiava ir para a academia, odiava fazer a última dieta da moda, odiava as pessoas magras que passavam por mim porque eu PRECISAVA ser como elas. 
No meio de tanta necessidade eu consegui. Perdi 22kg nos últimos 2 anos com muito suor, muitas lágrimas e uma dose de loucura. 
E minha auto estima continuava ali, chorando no cantinho, porque eu queria sempre mais. Não tava bom. Ser magra de novo não tava bom. Tinha que ser magra & barriga sarada. E ser magra & barriga sarada também não tava bom. Tinha que ser magra & barriga sarada & sem celulite. 
Uma cobrança absurda e absoluta, uma perfeição que por mais que eu me tentasse não conseguia atingir e a cada dia eu ficava mais frustrada e mais nervosa e meu casamento ficou uma porcaria e eu descontava nos meus filhos.

Diálogo com minha filha de 3 anos:

– ‘Mamãe, come esse pão de queijo.’
 – Não filha, mamãe não come porque pão de queijo engorda e mamãe tá gorda.
– ‘Não mamãe, você não é gorda, você é uma princesa.’
Depois que eu conheci sua página tudo ficou tão claro e tão óbvio e eu me senti tão pequena e tão imbecil do alto dos meus 30 anos por ser tão fútil. 

Me desculpa pelo desabafo, mas eu só queria te agradecer. De verdade. Por me ajudar a abrir os olhos e me fazer uma pessoa melhor. 

Eu não sou exposição. E demorei 2 anos para perceber isso.

Com todo o meu carinho,

Flavia.”

Faço questão de ressaltar que a Flávia não é fútil. E muito menos imbecil. MUITAS pessoas passam pelas mesmas dificuldades que ela. Competir com um mundo que nos cobra e nos pressiona não é nada fácil.

MUITO OBRIGADA pelo lindo depoimento, Flávia!!

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2 ideias sobre “História de Flávia

  1. Liesel Sá

    eh tao cruel pensar em como o mundo faz com q a gnt deixe a vida passar a troco de que mesmo? e eh tao dificil, TAO dificil fechar os olhos e ouvidos pra “perfeicao” q nos rodeia e tentar olhar e ouvir a perfeicao q ta na gente…

    seu blog eh mto amor em mostrar isso pra gente ♥

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