Querido Elemento Anônimo.

O Blog “Não Sou Exposição” está de volta das férias! E pronto para continuar.

Antes de mais nada, me parece oportuno dizer algumas palavras em resposta aos montes (mooooontes) de mensagens e comentários que recebi dizendo que  eu “com certeza” sou uma gorda.

Decidi escrever uma carta ao elemento anônimo que vem aqui no Blog e fala sempre a mesma coisa. Porque todos os comentários são iguais. Então é como se fosse sempre a mesma pessoa.

Pois segue a missiva:

Querido Elemento Anônimo,

Para começo de conversa, você não me conhece. Você não sabe nada sobre a minha identidade. Então, permita-me explicar que: você não tem como concluir quais são as minhas características físicas a partir das coisas que eu afirmo.

Olha, talvez você tenha razão. Talvez eu seja gorda. Obesa. Gordona. Ou talvez você esteja equivocado. Talvez eu seja magra. Ou tenha um porte atlético. Pode ser que eu seja alta, ou bem baixinha. Branca, oriental, negra. Pode ser que eu tenha perdido uma perna num acidente e atualmente precise uma prótese. Talvez eu use um tapa-olho e tenha um papagaio verde no meu ombro. Ou carregue quantidade recorde de piercings.

Eu posso estar “em forma”, por quê não? Em forma de triângulo, quadrado, estrela, hexágono. Ou talvez eu não esteja “em forma” e pareça com uma ameba. Posso ter a pele azul, laranja, verde, lilás, magenta ou fúcsia. 

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Quem sabe eu seja uma capivara com faculdades mentais hiper-desenvolvidas…

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O ponto aqui é: MINHA APARÊNCIA NÃO DETERMINA O MEU CARÁTER.

E por falar em caráter, eu desconfio que quando você me diz que eu sou “uma gorda” você está tentando me insultar. Algo do tipo: desonesta, cruel, rude, grosseira, egoísta, manipuladora, egocêntrica ou arrogante.

Só que “gordo” não é insulto, meu querido. Você está simplesmente citando uma característica corporal. É como você estivesse me dizendo “bah, seus olhos devem ser azuis” ou “tenho certeza que teu cabelo é ondulado”.  Ou seja, você está usando um ‘insulto’ que não tem nexo.

Existe uma corrente de pensamento que sentencia pessoas de acordo com as características físicas delas. E que também atribui valores morais à aparência delas. Se chama racismo. E você se comporta exatamente como uma pessoa racista. Ruim, né? =C

Isso aí que você tá fazendo é muito feio. Porque quando você era criança ninguém te ensinou a não julgar um livro pela capa.

Vou te contar um segredo: não é verdade que pessoas gordas são desprezíveis. Se dê uma chance. Seja legal com elas. Você pode se surpreender.

(Aliás… tem pessoas gordas bacanas na sua família, vai?! Confessa. Sua mãe, seu pai, sua tia, alguma prima, primo ou aquela babá que fazia o seu Nescau).

O que faz uma pessoa desprezível não é o tamanho/aparência do corpo dela. Porque um corpo não define QUEM VOCÊ É.

Sua mente é obscura como a Idade Média. Você é torpe como a Peste Negra. Portanto apenas um bom conselho eu te deixo:

Querido Elemento Anônimo, busque a luz.

Um grande abraço de uma garota gorda.
(Ou uma capivara superdotada).

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6 ideias sobre “Querido Elemento Anônimo.

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