“Qual é a desculpa?”

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Um lado da foto mostra uma mãe de 3 filhos cujo corpo atende todos os requisitos de um “corpo perfeito” (dentro das expectativas da sociedade ocidental contemporânea) com a legenda:

“- Qual é sua desculpa?”

O outro lado é de uma mulher com um “corpo normal” após 3 partos com a legenda:

“- Minha desculpa é que eu estou bem assim.”

O argumento clássico que aparece no espaço para comentários: “Ah, mas é muito importante cuidar da saúde.”

OK. Concordo.

Mas a imagem não tem NADA A VER com saúde!!

– Tem a ver com a demanda midiática por uma “silhueta sexy”.

– Tem a ver com a capacidade (ou não) de uma mãe continuar sexualmente desejável após ter tido filhos (porque a única constituição corporal aceitável, aparentemente, é a de uma personal trainer).

– Tem a ver com o fato de que uma mãe que não “recupere” sua “cintura de solteira” está de alguma maneira devendo uma explicação para a sociedade.

– Tem a ver com a concepção bizarra de que o corpo das mulheres é domínio público e todos estão convidados a opinar sobre ele.

O fato é que não podemos fazer diagnósticos sobre o estado de saúde de uma pessoa OLHANDO PARA ELA.

A mãe “fora de forma” pode muito bem estar com seus exames em dia, se exercitar bastante (ela cuida de 3 crianças) e ter uma alimentação equilibrada.

UMA FOTO não me dá ferramentas para afirmar o contrário. E ter uma barriga musculosa não faz de ninguém melhor mãe.

A aparência/tamanho de um corpo não tem relação com qualidades morais ou virtudes.

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167 ideias sobre ““Qual é a desculpa?”

  1. Leonardo Dutra

    Talvez seja uma questão não só da mulher, mas do ser humano em geral – em não internalizar tanto limites que não são só seus. Há o que podemos fazer por nós e há sim limites do que as nossas condições em um dado contexto e tempo permitem. E dentro delas seria então OK se sentir bem, mesmo sabendo que temos o potencial de superar limites e que o que achamos bom em um momento pode sim em outro não nos satisifazer mais. Mas isso é a ordem do sujeito e o que complica são essas interdições sociais ao sujeito, que por sua vez é um ser social. Ou seja, a enterna (e sempre nova) discussão sobre o público e o privado, mas com toda a consciência do quanto a mulher é historicamente desfavorecida nessa relação.

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