Fisiculturismo Infantil II

Após uma repercussão verdadeiramente surpreendente (!) do post sobre fisiculturismo infantil, percebo que alguns protestos estão se repetindo na caixa de comentários.

Sobre isso, nota de esclarecimento:

Argumento nº1: Acontecem abusos também em outros esportes.

DE FATO. Crianças são prejudicadas em todas as esferas de seu desenvolvimento em qualquer prática que supere os limites do pedagógico e do fisicamente/emocionalmente tolerável. Pode ser ginástica, dança, concurso de Miss, maratona, vôlei, basquete, salto com vara ou peteca.

Eu comentei sobre uma situação específica. E isso  NÃO significa que eu estou dizendo que as meninas da ginástica não estão sofrendo. A literatura acadêmica é VASTA em dados sobre a incidência de transtornos alimentares em modalidades onde o baixo peso corporal e magreza são elementos que influenciam no rendimento.

http://www.efdeportes.com/efd171/transtornos-alimentares-em-ginastica-esportiva.htm

Argumento nº2: Bodybuilders consomem todos os tipos de nutrientes.

Ok. Há a presença de todos os nutrientes na dieta delas (Ciclo de Krebs, precisamos de gordura para queimar gordura e coisa e tal. Conheço isso aí). NO ENTANTO:
Essa menina precisa fazer dieta, controlar as porções e os horários de maneira criteriosa. E sabemos que a quase totalidade dos transtornos alimentares plenos iniciam com uma dieta. Crianças devem provar diversas opções de alimentos e texturas, entrar em contato com suas sensações corporais de fome e saciedade e de maneira geral, ter um relacionamento emocionalmente saudável com os alimentos. E não regrado. Fazer dieta desde criança é uma porta de entrada para ser uma adulta que sofre de transtornos alimentares.

“Na alimentação dela tem gordura, sim”. OK… Mas as meninas continuam com baixo (muito baixo) nível de gordura corporal. E isso não tem valia para o desenvolvimento corporal infantil. Nenhuma.

Argumento nº3: Musculação é seguro para crianças.

Musculação é de baixo impacto, não prejudica as epífises ósseas etc.

Acredito que existem opções de lazer saudáveis, lúdicas, divertidas, educativas para crianças. Meninas de 10 anos podem brincar de bola, pular corda, correr por aí, dançar. É importante para o desenvolvimento emocional/cognitivo/físico e promove socialização. Será que lugar de criança é na academia de ginástica? Crianças do século XXI não sabem mais brincar?

Argumento nº4: Tão reclamando disso, então OK vamos entupir as crianças de pão, refrigerante, frituras e doces e deixar que elas morram de ataque cardíaco no sofá.

O_O

What?!

Ok, essa é engraçada. Pode parecer incrível mas existe um meio termo entre inscrever crianças em campeonatos de fisiculturismo com dietas controladas e chafurdá-las na obesidade gorda sedentária corrosiva e suprema. Hahahaha.

A sociedade contemporânea compreende muito pouco o conceito de EQUILÍBRIO entre as coisas.

E se a menina não participasse dos campeonatos de musculação… Mas fosse uma criança normal com uma alimentação saudável, daquelas crianças que brincam com os amiguinhos e, pasmem! Até comem salada no almoço?

Essa criança podia ser dessas hein? Tipo…uma menina normal? hahaha.

Argumento nº5: Nem todo fisiculturista usa bomba.

O uso ou não de hormônios/anabolizantes/bomba é a MENOR das questões.

A menina não usa anabolizantes, então:

OK envolvê-la num ambiente competitivo e sedento por performance desde a infância?
OK controlar a alimentação dela minuciosamente, tirando-lhe a autonomia alimentar?
OK colocar uma criança de biquíni e salto alto no palco para ser avaliada pelos outros?
OK ensinar para uma garota que sua moeda de valor para conquistar um espaço no mundo é o corpo?

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Uma ideia sobre “Fisiculturismo Infantil II

  1. Bianca

    Bem parecido com o que eu falei em alguns comentários, principalmente a parte do meio termo, que parece não ser mais uma opção nesse mundo.
    Ou é anoréxica ou obesa; vadia ou santa… e assim por diante. Olha, há vida entre os extremos, gente!

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