Uh, Très Chic!

Hoje eu estive na sala de espera de um consultório médico. Para tais ocasiões, sempre levo um livro, ou uma leitura de minha escolha. Para mim, depender das revistinhas de sala de espera é pesadelístico. Eu não gosto de revistas femininas. Eu não gosto delas porque elas servem para dizer aonde a mulher “deve estar” no momento histórico em questão.

As revistas femininas já serviram para mandar as mulheres trabalharem nas fábricas quando todos os homens saíram para lutar na primeira e segunda Guerras Mundiais (alguém tinha que sustentar as nações na ausência dos rapazes, certo?)

RosieTheRiveter

(exemplos de publicações que incentivavam que as mulheres se dedicassem ao trabalho pesado. A personagem ‘Rosie, a rebitadeira’ ficou famosa em 1942.)

Após a segunda guerra mundial, a partir de 1945, os homens voltaram para seus lares, mas quem diria, as mulheres haviam gostado de experimentar a autonomia. Então, era o momento de mandá-las ficar em casa.

housewife

(a partir de 1945, após o fim das Grandes Guerras, a mulher ganhou o direito de ficar em casa, manejando incríveis e novos eletrodomésticos feitos especialmente para ela)

OK. Passado o parêntese histórico…

Estava eu sentadinha no sofá no consultório médico, eis que olho para o lado e vejo a lombada de uma revista “Marie Claire“, que dizia:

“Chic é ser inteligente.”

Me chamem de obtusa. Eu não conhecia esse slogan. Achei curiosíssimo.

A Etiologia da palavra “Chic” é um pouco incerta, sabe-se que a palavra começou a ser usada na França na década de 1870. Se alguém conhece a origem, deixe a dica. Mas todos sabem que chic é uma palavra que relaciona-se ao que é elegante, bonito, sofisticado (principalmente na esfera da moda).

CHIC, a revista é. Sem dúvidas. Folheei por alguns segundos, e meus olhos foram arrombados por milhares de sapatos, bolsas, batons, calças, camisas, esmaltes... A “última moda”. Não tenho dúvidas.

INTELIGENTE?

Ficou difícil.

Procurei, mas não achei.

Aparentemente, beleza, emagrecimento, compras e sexo são OS ÚNICOS assuntos que podem interessar uma mulher ao longo de quase 200 páginas.

Sem chances para história, política, artes, música, cinema, variedades, esportes, cultura geral, ciências ou tecnologia. Sem chances. Sem a menor sombra de chances.

Deixei a revistinha ali para a próxima cliente. Definitivamente, não sou público-alvo.

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